segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vice: Os Bastidores do Poder em Uma Ode à Imbecilidade Humana





Um dos grandes indicados ao Oscar 2019, o longa Vice, do diretor Adam McKay, chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta, 31/01, distribuído pela Imagem Filmes e embalado pela indicação a sete Oscars em 2019, a cerimônia mais importante do cinema mundial: Melhor Filme, Melhor Diretor (Adam McKay), Melhor Ator (Christian Bale), Melhor Ator Coadjuvante (Sam Rockwell), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Maquiagem e Penteados. E, antes de qualquer análise do filme, preciso apenas dizer: putaqueopariu, que filmaço!

Estrelado por Christian Bale, o longa conta a história real do homem que, durante o governo George W. Bush (2001 - 2009), ocupando a cadeira de vice-presidente dos EUA, foi um dos grandes responsáveis pelos caminhos trilhados pelo mundo a partir de 2001, principalmente depois dos atentados de 11 de setembro. Mais do que uma figura decorativa, Dick Cheney foi uma verdadeira raposa política, que entendendo como o sistema funcionava, o moldou para atingir os seus objetivos, por mais obscuros que fossem, valendo-se da imbecilidade de um presidente fraco e sem preparo, que deu ao seu vice poderes inimagináveis.

Apresentado inicialmente como uma figura sem graça, o Dick Cheney defendido por Christian Bale ganha dimensão durante o longa, tornando-se um homem detestável, que odiamos ver em tela ao mesmo tempo em que estamos completamente rendidos à sua história. E isso fica ainda mais evidente graças ao excelente trabalho de construção de Bale, que além de estar irreconhecível no papel, tem uma presença dramática absurda no longa, o que justifica muito bem sua indicação a Melhor Ator no Oscar desse ano. 

A direção de Adam McKay é também precisa para a história, dando a ela um ar de sátira política, o que torna a trama um pouco mais palatável ao espectadores, apesar de sabermos tratar-se de fatos reais. Ao decidir brincar com os absurdos da história recente americana, esfregando a realidade em nossa cara travestida de dramédia, McKay cria uma trama eficiente e hipnotizante. Assim, ao vermos Dick e sua esposa recitando Shakespeare na cama enquanto o político decide se aceitará o cargo de vice na chapa de Bush, a cena cresce de maneira absurda, arrancando risadas nervosas da plateia. O mesmo que acontece quando o roteiro compara as decisões bélicas do governo Cheney Bush à escolha de pratos em um cardápio, numa cena regada de ironia e deboche.

Além de Bale, o elenco está em estado de graça em Vice. Amy Adams mais uma vez rouba a cena, ao viver Lynne Cheney, a esposa de Dick, e conquistando mais uma indicação ao Oscar, dessa vez como Atriz Coadjuvante. Já Sam Rockwell e Steve Carell deitam e rolam nos papéis de George W. Bush e Donald Rumsfield, respectivamente. Dando vida a personas conhecidas pelo público, os atores brilham, principalmente Rockwell, que também levou a indicação de Ator Coadjuvante na disputa do Oscar desse ano. 

Indigesto, o roteiro de Vice é uma grande sacada, que nas mãos de Adam McKay e do elenco escolhido por ele para dar vida à essa história, é uma conjunção de fatores felizes. Assim, ao subir dos créditos desse longa, estamos todos impactados pela história (real, é sempre bom frisar) que acabamos de assistir, traçando paralelos inclusive com a história do nosso próprio país, em um momento em que imbecis mal intencionados tem o poder em mãos. Parece, mais uma vez, que nunca aprendemos com a história e com os estragos já presenciados (e documentados). Dessa forma, temos mais uma vez que, infelizmente, sobreviver, enquanto uns poucos brincam de Deus com o poder que conseguiram graças à imbecilidade de uma pequena maioria. 

OBS: Há uma cena HILÁRIA depois dos créditos finais. Bolsominions certamente se identificarão. Ou não entenderão, o que é mais provável. Just saying.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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