quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Westworld e Bandersnatch: O Que Há em Comum?




Duas produções para TV a que eu recentemente assisti foram a série Westworld, da HBO, e o telefilme Bandersnatch, "episódio" especial da cultuada Black Mirror para a Netflix. Na verdade, Westworld tinha um tempinho que eu estava acompanhando, mas encerrei a segunda e, até o momento, mais recente temporada nas últimas semanas. E Bandersnatch foi visto no afã de testar a nova experiência do streaming, ao conduzir um filme pela primeira vez com escolhas do próprio expectador.

A série se passa num futuro longínquo, enquanto o filme é ambientado na década de 80, mais precisamente em 1984 (ano de nascimento deste colunista que vos fala e imortalizado por George Orwell). Porém, as duas produções guardam similaridades e críticas que se cruzam e convergem em vários momentos.

Em Westworld vemos o debate do quanto o ser humano pode brincar de Deus e como se revela cruel ao subjugar outra forma de inteligência simplesmente para nutrir seus prazeres mais primitivos - como matar, estuprar e ferir. Isso passando pela reflexão de se os robôs hiperrealistas desenvolvidos para o entretenimento humano não seriam, na verdade, uma nova espécie que mereceria ser reconhecida como tal. Um debate também feito pelo game Detroit, para Playstation, conforme tratei aqui anteriormente. A primeira temporada é muito superior à segunda, recheada de plot twists e flashbacks - na segunda, as surpresas são poucas e há episódios que são verdadeiras barrigas, nos quais, literalmente, cheguei a dormir. Na segunda temporada parece que a história vai se encerrar e a série não terá como prosseguir, porém, o final é bem amarrado e abre um belo leque de possibilidades para a terceira.

Já em Bandersnatch, o protagonista começa a estranhar as escolhas realizadas pelo jogador e começa a questionar a natureza delas, entrando em um debate metalinguístico que mistura a atmosfera retrô com um futurismo atual e familiar. Com direito a uma hilária cena (entre um dos caminhos possíveis) de debate sobre a própria Netflix. O roteiro não é um primor, mas vale a experiência inovadora e o debate sobre a dominação da tecnologia em nossas vidas.

Um ponto crucial presente em.ambas as histórias é o livre-arbítrio. O debate sobre até onde, de fato, há a possibilidade de escolha ou se somos apenas peças de um grande jogo (destino) de cartas marcadas é interessantíssimo e existencial. Algo que vale para humanos e robôs, cada qual com seus deuses

Embora com ressalvas, recomendo conferir as duas produções. Seja pelo entretenimento, pela ficção científica com ares diferenciados ou pelo viés filosófico que adotam. Nos anos 80 ou num futuro distante, há muito para pensar sobre nós mesmos.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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