quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

2019: Pega Leve...




2019 tá só começando e provou que é capaz de fazer muitas vítimas em pouco tempo. E, de alguma forma, todas elas me tocaram por cruzarem com a minha história de vida. Curioso que uma amiga havia me falado que seria um ano que começa em Saturno e isso, por si só, já o tornaria desafiador. Como eu entendo de astrologia só até a página dois, não dei muita importância...

A primeira grande tragédia foi em Brumadinho (MG), com o rompimento da barragem da Vale. Exatamente um ano atrás eu estava em Brumadinho, passando meu Carnaval num refúgio off-Rio, aproveitando para conhecer Inhotim, um desejo antigo. É curioso que não dá sequer para mensurar os estragos comparando com o que eu conheço da cidade. Lá, fui a um dos restaurantes mais interessantes, originais e com comidas mais gostosas que experimentei na vida - e agora sequer sei se ele ainda existe...

Depois vieram as chuvas na cidade do Rio, nas quais sete pessoas morreram. Além de ser a minha cidade, eu fiquei diretamente envolvido na crise, acompanhando as ações durante a madrugada. A principal missão era manter o cidadão carioca informado e isso custou um dia virado (fui dormir quase 9h da manhã do dia seguinte). Muito cansaço, mas valeu a pena pela missão social que me levou a fazer faculdade de jornalismo, mais de 15 anos atrás.

Na sequência, a morte de dez jovens no incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo. Muitos sabem: eu sou flamenguista, daqueles que torcem, marcam presença e entram no programa de sócio-torcedor. Mal deu pra acompanhar as histórias dos rapazes, por eu ainda estar envolvido com as chuvas. Mas morrer queimado talvez seja um dos fins mais cruéis e me lembro quando acompanhei atônito anos atrás a tragédia da Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, pela TV e internet. E eles estavam a serviço e tinham sonhos com o time do meu coração...

E, essa semana, tivemos a morte do jornalista Ricardo Boechat. Nunca tive contato diretamente com ele, embora o acompanhasse frequentemente por conta dos meus clientes na agência de comunicação na qual trabalho. Gostasse dele ou não, ele era uma referência. Alguém que sabia como conquistar a audiência falando de saúde e segurança principalmente, porque lidavam diretamente com vidas. Tenho dois colegas (Thais Dias e Mário Dias Ferreira) que estagiaram comigo muitos anos atrás e que trabalhavam próximos ao Boechat, assim como o Rodolfo Schneider, um gentleman que capitaneia a Band no Rio se Janeiro. Imagino como é perder um colega tão próximo e tão ascendente de uma forma tão abrupta.

Não sei o que 2019 ainda nos reserva, mas mostrou seu cartão de visitas. Espero apenas que os próximos meses sejam mais suaves do que as primeiras semanas que se passaram. E que cheguemos a 2020 em segurança - e sem sequelas...

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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