terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Encontros, Despedidas e Reencontros















Geralmente, escrevo meus textos aos domingos, que é um dia que consigo sentar na frente do computador e, mesmo quando me falta a criatividade de desenvolver algo, deixar a mente divagar até surgir um fio que seja de inspiração. E neste domingo tive essa dificuldade... 

Até que, por um momento, vivi uma situação que já se desenhava há alguns dias e me senti um poeta (rs). Estava dentro do mar, um dos lugares que mais amo estar para me renovar, quando ao imergir das águas, olhei para o horizonte e me veio a frase: “A vida é uma arte de reencontros”. E embora haja tantos desencontros e despedidas, é um mistério que só Deus pode decifrar, o porquê de alguns caminhos se cruzarem e, quando tudo parece estar bem, o motivo que move algumas pessoas para longe.

Vejo muita beleza nisso e, apesar da eterna incógnita, encontros e despedidas marcam nossa vida, se tornando o contraponto de tanta obviedade. Desde nosso nascimento, nossa história é baseada em mudanças, e a influência das pessoas em nosso caráter e personalidade é muito perceptível. Independente de quanto solitários nos sentimos, sempre haverá uma renovação que nos permitirá conhecer e viver novos e diferentes momentos.

Quantos entraram sem motivo algum e depois tornaram-se essenciais em determinado momento? Ou pessoas que considerávamos demasiadamente importantes e, por nada, sumiram e percebemos que nem eram tão importantes assim?

Algumas vezes, o adeus dói e demora a ser compreendido. A verdade é que estas “entradas” e “saídas” marcam muito nossa história, por mais incompreensíveis que sejam. Além delas, me fascino com alguns reencontros. Inesperados, agradáveis ou não, é como se neles tivéssemos uma segunda chance, ou a oportunidade de reviver momentos que a memória ignorou durante muito tempo, pelo simples medo de querer revivê-los.

O fato é que hoje, depois de algumas intensas despedidas, encontros e desencontros que tive ao longo da minha vida, penso que essas situações podem dizer muito sobre o nosso futuro. Sobre o que tivemos ou teremos que fazer para continuar. Sobre o esforço ou a dor que temos para mudar. Sobre como somos obrigados a esperar o tempo passar. E é nesse momento que surge o crescimento, a superação e a nossa própria reinvenção, com o único intuito de buscarmos o mínimo de felicidade para mantermo-nos vivos e motivados.

Se me perguntassem a um tempo atrás, eu não imaginaria responder que algumas despedidas seriam imprescindíveis para conseguir grandes vitórias. E não me remeto somente às materiais. Perder uns aos outros, às vezes, é o caminho para acharmos a nós mesmos quando estamos perdidos. Algumas rotas que a vida nos obriga a serem recalculadas nos faz, no futuro, percebermos a superação de um medo que talvez não tenhamos mais, por percebermos ter sido capazes de superá-los.

As despedidas, às vezes, são a prova viva de fazer valer-se do jargão “nada melhor do que um dia após o outro”. Para nos curar por dentro e nos preparar para aguentar o que vem de fora. Algumas despedidas são necessárias para que as pessoas precisem mudar-se por elas próprias e que consigam ser melhores para o outro também.

Hoje, pelas minhas poucas, mas contundentes experiências, talvez eu saiba responder os porquês dos meus encontros, despedidas e reencontros da vida. Dos encontros, cria-se um funil do que você levará ou não ao seu lado, ao longo de sua caminhada na vida terrena. Tem os encontros felizes e que queremos para sempre conosco. E os indesejados, que você cria o famoso “ranço” porque simplesmente o seu “santo não bateu”, ou por uma decepção comportamental daquele em que você apostava todas as suas fichas e te desapontou. 

Algumas despedidas – por falecimento de alguém querido, de um emprego em que fomos dispensados ou pedimos o desligamento, da saída da casa dos pais para viver no seu próprio cantinho, da mudança de cidade ou país em busca do novo – nos fortalecem em um grau inimaginável. Nada apagará a saudade de alguém que se foi ou de quem não conviveremos mais com tanta frequência. Porém, essa distância, independente da forma ou do tipo que a vida nos impõe, nos obriga a refletir sobre ela (caso queiramos, de verdade, buscar uma evolução sentimental, psicológica e de caráter). 

E os reencontros, na maioria das vezes, dizem mais de nós mesmos e das relações que construímos do que imaginamos. É neles que nossas emoções se afloram. Sentimentos adormecidos retomam seus patamares de intensidade permitindo aquele friozinho na barriga e aquele incontrolável sorriso de felicidade. Alguns reencontros nos causam o contrário também. Rever alguém que te fez mal, revira seu estômago, te causa repulsa e o coração acelera trazendo aquela raiva adormecida ou mesmo, te coloca à prova, testando a sua indiferença se aquela situação já não o incomoda mais e enfim está superada. 

Mas, melhor do que querer compreender tudo isso, é aproveitar cada instante, sem “porquê?” nem “pra quê?”. A principal lição que temos que tirar de tudo isso é, saber analisar o real grau de importância na nossa vida sobre quem passou e não retornou mais. E sobretudo, aquele que voou para longe, mas chegou para ficar pra sempre em nossas vidas.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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