terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Existe Ligação Entre os Sete Pecados Capitais e o Nosso Comportamento Diário?




Os sete pecados capitais, definidos pela Igreja Católica no final do século VI durante o papado de Gregório Magno, nada mais são que uma classificação de condições humanas, conhecidas atualmente como vícios, muito antigas e que precedem ao surgimento do Cristianismo, mas que foram usadas mais tarde pelo Catolicismo com o intuito de controlar, educar e proteger os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano, ou seja, atitudes humanas contrárias às leis divinas. Pelas minhas pesquisas, a partir de inícios do século XIV, a popularidade dos sete pecados capitais entre artistas da época resultou numa popularização e mistura com a cultura humana no mundo inteiro, se tornando não só um dogma, mas também objeto de inspiração artística. 

Em momentos atualmente obscuros, resolvi colocar em prática uma série de textos que há tempos faziam parte do meu imaginário. Algo totalmente clichê, mas também tão intrínsecos à nossa vida: como os Sete Pecados Capitais estão  nas nossas mais despretensiosas atitudes. Esse tema, largamente explorado em histórias, peças de teatro, filmes, músicas, novelas e até enredos de escola de samba, ganhará forma nas próximas sete semanas em minhas colunas de terça-feira. Poderia iniciar hoje já escrevendo sobre o primeiro, mas queria fazer um prelúdio do que me trouxe à essa reflexão e, é claro, deixar a expectativa para o próximo e depois o próximo capítulo...

O princípio desta inspiração surgiu há muitos anos nos estudos da Bíblia e das aulas de Catecismo, sendo reforçado pelas minhas aulas de História e Filosofia do Direito. Ali nos meus livros, soube que o então Papa, tomando por base as Epístolas de São Paulo, definiu como sendo sete os principais vícios de conduta: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, preguiça e inveja. Mas a lista só se tornou "oficial" na Igreja Católica no século 13, com a Suma Teológica, documento publicado pelo teólogo São Tomás de Aquino. Gregório encarava esses pecados como capitais, ou principais, porque muitos outros pecados se originariam deles.

Mas que coisa confusa, não? O que a Igreja teria a ver com a minha graduação Jurídica e, mais ainda, que miscelânea eu pretendo arranjar juntando todos estes pontos com a nossa rotina contemporânea? Para quem não sabe, me cabe esclarecer de forma sintética que, estudando Filosofia Jurídica, percebemos que através da análise das opiniões de São Tomás de Aquino, esse autor acreditava na ideia de duas justiças, uma dotada de princípios absolutos e outra aplicada às relações particulares. Eureka! Esse então será o fio que norteará nossas histórias. Temos nos comportado ultimamente (e quando não nós, alguém em nossa volta) como donos da verdade. Os tais princípios absolutos de STA (São Tomás de Aquino para os íntimos rs) estão mais no nosso dia-a-dia do que percebemos. E, às vezes, até temos a consciência deles, confessemos! 

Do ponto de vista teológico, o pecado mais grave é a soberba, afinal, é nesta categoria que se enquadra o “pecado original”: quando Adão e Eva aceitaram o fruto proibido da árvore do conhecimento, querendo igualar-se a Deus. A Igreja até tentou oferecer soluções para os pecados capitais, criando uma lista de sete virtudes fundamentais (humildade, generosidade, castidade, paciência, temperança, caridade e diligência), mas os pecados acabaram ficado mais famosos. Outras religiões, como o Judaísmo e o Protestantismo, também têm o conceito de pecado em suas doutrinas, mas os sete pecados capitais são exclusivos do Catolicismo.

E aí, ansiosos? Espalhem conzamiguinho para nos acompanhar por aqui! Me arrisco a dizer que, fatalmente, você se enquadrará em uma das situações que vamos debater e, certamente procurará uma forma de tentar se redimir. Ou não....

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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