sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Mamãe, Eu Quero Ser Digital Influencer Quando Crescer!




Posso dizer que, na época de adolescente, tive alguns amigos que me inspiraram muito no meu modo de vestir, nas bandas de rock que eu ouvia no velho walkman e até mesmo no meu estilo comportamental. Antigamente, o “influenciador” era aquele nosso amigo descolado do colégio que transitava sem problemas entre as panelinhas, que usava uns tênis transados e que aparecia com uns cortes de cabelo supermodernos. O influenciador era aquele típico aluno popstar

Exatamente por causa dessa definição “popstar”, muitos dos influenciadores também estavam vinculados às imagens de artistas e músicos, muito antes mesmo daquele amigo fodão da escola. Os jovens dos anos 1960 certamente foram influenciados pelo movimento hippie e o flower-power, das roupas e cabelos multicoloridos de Janis Joplin e do jeitão blasé conquistador de Jim Morrisson. Nos anos 1970, já era chegada a hora do brilho, das meias lurex, do visual Black Power e da disco music. Frenéticas, Bee Gees, Elton John e Commodores ditavam as regras.

Com a chegada da internet, o fenômeno da influência digital ganhou força. Como é um território livre, se analisarmos direitinho, todo mundo pode ser, de certa forma, um digital influencer, pois são indivíduos que expressam suas opiniões para uma rede de pessoas. Não mudou nadica de nada do conceito do aluno popstar com o tênis transado, cabelo supermoderno e as músicas mais badaladas.

Como todo mundo passou a ter voz na internet, a sensação de que em cada perfil existe um influenciador em potencial, eclodiu. O multiartista Andy Warhol já havia profetizado nos anos 1960 que um dia todos teriam “direito a 15 minutos de fama”. Warhol já estava, de certa forma, profetizando as celebridades instantâneas tal como suas obras serigráficas em série de artigos de consumo como as latas de sopas Campbell e as garrafas de Coca-Cola.

Todo mundo é jornalista nas redes. Todo mundo é fotógrafo. Todo mundo é publicitário. Todo mundo é juiz. Todo mundo acha que tem capacidade de mudar ou construir opiniões e comportamentos. Todo mundo acha que possui a solução mágica de ter potencial para engajar um produto ou uma marca super importante – e muitas vezes nem tão importante assim.

Monetizar se tornou a palavra de ordem. Com dois milhões de seguidores no Instagram dá pra faturar uns 10 mil por post. E nem precisa ser uma celebridade. Indicações de produtos de beleza, dicas de viagens, gastronomia, responsabilidade socioambiental, eventos... Enfim, há um mundo infinito disponível a todos através de pequenos cliques. Mas, pra não cair na seara da falta de bom senso, o ideal é termos o profundo conhecimento do nicho que vamos falar sobre. Se você não possui conhecimento técnico sobre o assunto, por favor, não vá pagar mico nas redes... (mas infelizmente, o que mais vemos atualmente são indivíduos sem a menor noção do que estão fazendo).

Assim como se trabalha uma construção da imagem de uma marca ou criamos ações e metas de um planejamento estratégico empresarial, defina a sua persona com uma missão, visão e valores. Domine os canais que você vai utilizar, monitore os resultados e fuja de situações de crise. Dá pra ser um popstar nas redes sociais sem ser um boçal. Seja aquele amigo descolado do colégio, divertido e que realmente sempre teve algo a dizer. Na minha rede sem internet dos anos 1980, os meus influenciadores agiam assim. De gente chata eu queria distância. E hoje a gente nem precisa dar um fora ou esnobar. É só deixar de seguir.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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