quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Não Vale Tudo no Carnaval





Carnaval é uma coisa engraçada, né? Dois anos atrás eu estava aqui, nesse mesmo Barba Feita, falando do quanto não sou fã da Folia de Momo... Aliás, sempre gostei mais das escolas de samba do que dos bloquinhos. Hoje, me vejo contando os dias para chegar logo a festa – tudo bem, muito mais pro causa do descanso do que pela folia em si. Mas até pensar em fantasias para o dia-a-dia carnavalesco eu já fiz. E passei a enxergar esse momento do ano como uma grande confraternização, para além das aglomerações de gente bêbada e chata cantando marchinhas (essa minha implicância continua irredutível...). 

Para mim, o que mais vale de tudo é estar com os amores e os amigos, nos divertindo, brincando com as fantasias que combinam ou que se completam. Isso já vale a pena para um Carnaval ser bacana – e, olha, tive isso nos últimos anos, até quando viajei para Belo Horizonte ano passado. Sem a preocupação quase obsessiva do trabalho ou mesmo de outros grandes compromissos, simplesmente aproveitando a diversão.

Outra coisa interessante que devemos ver no Carnaval foi algo que já mencionei na coluna da semana passada: como irão se comportar os marmanjos diante das leis contra importunação sexual e um ambiente cada vez mais intolerante com assédios e subjugação/objetificação da mulher. E vamos ver como irão se comportar as autoridades policiais, que infelizmente muitas vezes só reproduzem discursos machistas e lgbtfóbicos. 

Lembro do primeiro carnaval que saí fantasiado (de marinheiro) para um bloco, na Banda de Ipanema, em 2005. Eu, homem, fui extremamente assediado (por homens e até uma mulher). Assédios que, definitivamente, hoje seriam considerados além de qualquer limite de respeito ao corpo. Nada com o meu consentimento, fiquei extremamente chocado, mas tive que sair de lá com aquela contemporização de: “ah, tudo bem, é Carnaval”. Imagina o que passa uma mulher... 

Não, Carnaval não é vale tudo. Infelizmente, muitos usam o período para extravasar o que jamais fariam em outros dias. Mas existem limites. Tomara que vejamos e vivamos apenas diversão e felicidade por esses dias. Bom Carnaval a todos!

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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