segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Um Sonho de Liberdade e as Lições Atemporais Que o Filme nos Ensinou




Há pouco tempo assisti a um filme maravilhoso, e até me pergunto porque não o tinha visto antes. O longa em questão é Um Sonho de Liberdade, de 1994, que, na minha humilde opinião, deveria ser obrigatório de ser assistido. 

Algumas obras, como seus autores, deveriam ser para sempre reverenciadas. É o caso de Um Sonho de Liberdade e da fértil mente de Stephen King. O mestre da literatura de horror dribla todo e qualquer estigma cultivado pela alta (e muito chata) crítica em relação a autores do gênero, ao compor a história seminal que daria origem a uma das mais belas narrativas de todo o cinema. 

Tim Robbins é Andy Dufresne, um banqueiro bem-sucedido que, apesar de jurar inocência, é preso acusado da morte de sua esposa e do amante desta. Condenado à prisão perpétua, tem que se adaptar à nova realidade dentro dos muros de uma cadeia com todos os estereótipos possíveis. O diretor corrupto, o chefe da guarda violento, o grupo de homossexuais que o persegue e o grupo do "deixa disso" liderado por 'Red' (Morgan Freeman), o prisioneiro que consegue qualquer coisa para os colegas em troca de algum dinheiro. Aos poucos, o talento de Andy com números e investimentos acaba sendo o caminho para melhorar sua situação e de seus colegas dentro das grades. Mas ele parece ser o único que ainda não perdeu a esperança de recuperar sua liberdade. 

Esse é o ponto crucial do roteiro. Por mais que todo homem deseje ser livre, o tempo e aqueles muros acabam fazendo-o temer esse estado de espírito. A narração do personagem Red, na voz forte de Morgan Freeman, junto com as ilustrações feitas por Frank Darabont nos dão essa dimensão em diversos momentos. A começar pela chegada do novo grupo na prisão. A forma como são preparados, como gado, no banho, no remédio para piolho, na roupa sendo levada na mão até a cela, nas luzes se apagando, no silêncio e desespero de não poder sair dali, no choro do prisioneiro. É uma angústia passada com competência para os espectadores, mesmo que estes não tenham a mais vaga ideia do que seja ser prisioneiro de algo. 

E o contraste também é bem feito com a condicional de um dos prisioneiros sendo encarada quase como uma morte por este. Red explica de maneira sucinta: "Primeiro você detesta esses muros, depois se acostuma a eles até que você precisa deles". Como ser livre depois de cinquenta anos? Na realidade, a saída da cadeia se transforma em uma nova prisão. Um mundo que o aprisiona nos medos e incertezas, enquanto que lá ele era livre dentro de suas próprias condições. Era alguém. Fora, ele é um ninguém, sem amigos, sem família, sem futuro. A forma como o filme nos traduz o que a prisão faz com a vida e alma de um ser humano é incrivelmente perturbadora e bela ao mesmo tempo. Nos envolvemos com aqueles seres, nem sabendo ao certo o porquê de estarem ali. "Somos todos inocentes", brincam. 

Dessa forma, para além de explorar a relação de parceria mantida entre os dois protagonistas Andy Dufresne e Red, a narrativa dá espaço a outros personagens memoráveis e igualmente tocantes. Assim conhecemos Norton e Hadley, diferentes figuras representantes da ordem na trama, mas igualmente repressoras. Como não lembrar de Brooks e os novos sentidos de liberdade atribuídos ao personagem de mais bela essência de todo o longa? 

Há também uma certa corrupção pela sobrevivência. A cadeia é a lei da selva, onde só os fortes sobrevivem. E Andy tem que aprender a lutar com suas próprias armas. Usando sua inteligência, entra no jogo para conquistar um pouco da confiança do diretor. Em determinado momento ele fala a Red que é engraçado, porque lá fora ele era o exemplo de homem honesto, foi preso e virou um pilantra. Formas de construir pensamentos sobre os significados reais de bandidos e homens de bem, já que um homem de bem é remodelado por corruptos que deveriam representar a lei. 

A profundidade conceitual que atravessa toda a narrativa, somada a excelentes atuações, uma direção competente e uma trilha sonora que dava índices sobre o tempo que se passava dentro da prisão garantem que Um Sonho de Liberdade seja uma das mais vivas memórias de um bom cinema. O filme vai ainda mais além, instaura debates com situações atuais e muito próximas da sociedade que o venera. 

Para finalizar, compartilho aqui algumas lições de empreendedorismo que o filmes nos ensina, retiradas do site Obvious

1- Não deixe que as situações e a rotina te moldem a ponto de não conseguir mais sair delas; 
Ao longo da vida somos "condicionados", ou "institucionalizados" como diz o filme, com horários, padrões, regras de conduta. E, sem nos darmos conta, acabamos seguindo a correnteza imposta por terceiros.
2- Continue o seu trabalho, por mais que digam que você não vai conseguir ser bem-sucedido;
Disseram para Andy que ele não iria conseguir verba para melhorar a biblioteca da prisão. Depois de 6 anos mandando uma carta por dia ao Senado, ele conseguiu o dinheiro e disse "Da próxima vez eu envio duas cartas ao invés de uma". Dito e feito, ele passou a enviar 2 cartas por dia e conseguiu em menos tempo que aumentassem os recursos para fazer as reformas necessárias. Sempre vão te dizer que a sua ideia não vai dar certo, que ninguém conseguiu antes, que é difícil; mas aqueles que falharam e desistiram logo na primeira derrota não tentaram o suficiente e acabam dizendo que é impossível.
3- O sucesso não nasce da noite para o dia, portanto, tenha persistência; 
Dufresne foi cavando a parede, pedra por pedra, e só conseguiu fugir da prisão depois de 20 anos. Durante o seu percurso haverá momentos de desânimo, por isso é importante manter a sua mente focada no objetivo final, que é o sucesso de sua empresa. Como num jogo, a cada obstáculo enfrentado você ficará mais forte e experiente para a próxima etapa e as derrotas devem ser vistas como um aprendizado, você absorve as coisas boas, grava na mente os erros que não devem mais ser repetidos e segue em frente.
4- Sonhe alto; 
Andy desejava ter um pequeno hotel em Zihuatanejo, no México, comprar um barco usado, reformá-lo, e levar os seus hóspedes para passear. Lembre-se que ele é um condenado à prisão perpétua, então para muitos esses desejos são, na verdade, loucuras impossíveis de se realizar. No final do filme ele nos mostra que, com uma meta bem definida, planejamento e um pouco de ousadia, conseguimos realizar o sonho, independentemente de seu tamanho, portanto, não se limite àquilo que é palpável, saia da zona de conforto, trace seus objetivos e não pare até conseguir atingi-los. 
5- Se agarre a algo que mantenha a sua esperança viva. 
Quando o desânimo e a melancolia baterem na sua porta, lembre-se dos motivos que te levaram começar e o porquê está fazendo tudo isso. Ter esperança engloba todos os itens acima, pois gira em torno de permanecer firme diante dos problemas e ter entusiasmo, agindo como se todos os dias fossem aquele primeiro momento no qual você decidiu fazer algo e estava com a energia e disposição necessárias para vencer e ser bem-sucedido.
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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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