sexta-feira, 29 de março de 2019

O Grande Irmão Está de Olho em Você





Assumir que assisto o programa Big Brother, muitas vezes tem a mesma conotação de que pratico assassinatos em série.  Me julgam como um criminoso sem nenhuma possibilidade de perdão: prisão perpétua ou fogueira em praça pública para deixar de ser imbecil.

Sempre assisti o programa e nunca tive nenhum problema em assumir isso.  Durante três meses fico imerso naquelas histórias de ilustres desconhecidos, mas que muitas das vezes possuem aquele mesmo perfil de um colega de trabalho, de um vizinho ou de um grande amigo de infância.  Por isso acabamos detestando ou nos identificando com alguns deles. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

Sandy & Júnior, O Retorno





Chegar na casa dos trinta anos é como abrir uma edição especial da caixa de Pandora. A gente descobre o quanto deixa de se importar com certas coisas, até então primordiais, e com saudades de tantas outras, que pareciam ser totalmente sem importância. 

Sandy e Júnior é o melhor exemplo de ressignificação que conheço. Tenho a mesma faixa etária que os irmãos, então cresci escutando os dois e amando loucamente cada um. Veja bem, não possuía nenhum fã clube ou coisa do tipo, mas escutava todos os CDs até enlouquecer minha mãe e os vizinhos. Mas tudo é uma fase e, lembro agora sem orgulho algum, do momento em que tive vergonha de admitir que possuía os álbuns e DVDs da dupla. Eu já estava seguindo um caminho na vida que as composições que estavam sendo lançadas não conversavam comigo. Queria ir pro mundo e me descobrir musicalmente, também tinha esse direito.

quarta-feira, 27 de março de 2019

O Que os "Surubões" Têm a Nos Ensinar?



Em um intervalo de duas semanas, dois "surubões" ganharam notoriedade no Brasil: o de Fernando de Noronha, supostamente envolvendo famosos, e outro entre vários rapazes aparentemente homofóbicos em Rondonópolis, interior do Mato Grosso. Em ambos os casos, cabe uma análise do porquê de dois atos que deveriam ser íntimos ganharem tanta visibilidade e curiosidade pública.

Primeiro é preciso lembrar o seguinte: fazer sexo com apenas uma pessoa ou várias ao mesmo tempo é uma preferência de quem o faz e ponto. Sabemos das inúmeras questões morais/religiosas que perseguem há séculos tudo aquilo que não cabe nas páginas da Bíblia como correto. O mundo precisou de uma onda de libertação sexual na década de 1970 mas, de lá pra cá, parece que encaretou um bocado de novo. E quando eu digo careta, veja bem, não é que ninguém precise fazer nada. Mas que todos devem respeitar as preferências dos outros se aquilo não o fere (inclusive não gostar de sexo é uma opção a ser respeitada também).

terça-feira, 26 de março de 2019

Um Rebelde em Causa da Preguiça





Tenho que confessar: sou um preguiçoso! Tenho preguiça de acordar cedo, de fazer exercícios e até mesmo de chupar uma laranja porque preciso descascá-la. Também tenho preguiça de escrever (juro!). E, por causa desta preguiça, fui adiando a escrita desse texto até o último momento, quando já não tinha mais como fugir, pois, nosso editor chefe dá muitas broncas quando atrasamos os textos! Mas, deixando essa parte de lado, queria mesmo constatar que, além de preguiçoso sou um procrastinador – e você já se deu conta de que a procrastinação é uma espécie de “prima-irmã” da preguiça? Apesar disso, não me considero uma pessoa improdutiva.

Vamos fazer uma reflexão: Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, certo? Após muito trabalho, nada mais digno do que um bom dia de descanso para relaxar, não é mesmo? Mas, o “relax” merecido é bastante diferente do que o conhecido pecado da PREGUIÇA. Preguiçoso é aquele que nada faz e que se arrepia se ouve a palavra trabalho. A pessoa com este pecado capital é caracterizada como alguém que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. Oxe, Deus me livre! Isso afetaria – e muito! – a minha vaidade!

segunda-feira, 25 de março de 2019

Outono





Passa o inverno e chega o verão, o calor aquece minha emoção
Não pelo clima da estação, mas pelo fogo dessa paixão
Na primavera calmaria, tranquilidade, uma quimera
Queria sempre essa alegria, viver sonhando quem me dera
No outono é sempre igual, as folhos caem no quintal...
(As Quatro Estações - Sandy & Jr.)

Morar no Rio de Janeiro é viver apenas duas estações: o verão dos infernos e o inverno com alguns dias de temperatura amena. Há muito me acostumei com essa dinâmica e particularmente rio dos cariocas "sofrendo" com o """frio""" da cidade, aproveitando aqueles dias mais amenos para tirar dos armários os casacos, sobretudos e cachecóis. 

Mas eu vim do interior do Rio, de uma cidade que, durante muito tempo, apresentava as estações de maneira um pouco mais definidas. Claro, nada a ver com os desenhos que fazíamos na escola quando estudávamos as estações do ano, pintando o inverno com frio extremo e bonecos de neve. As estações, pelo menos no interior do Rio, são sutilmente demarcadas: na primavera as árvores florescem, no verão faz muito calor, no outono as folhas caem e a paisagem fica mais cinza e, no inverno, faz um frio razoável, daqueles de usar meias e ficar com os pés gelados durante todo o dia.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Momentos Que Não se Perdem no Tempo








Não é de meu costume assistir à programação de tevê aberta. Mas no último fim de semana, enquanto espreguiçava no sofá da sala, pausei o controle no Fantástico, enquanto passava uma matéria especial sobre o brutal episódio da escola pública em Suzano, na grande São Paulo.

Talvez, movido pela minha própria indignação causada por aquele atentado lamentável, assisti atento àquela matéria que, em um determinado momento, contou a história de duas meninas: Beatriz Fernandes e Letícia Nunes, de 15 anos. Beatriz, muito bem articulada, explicava que já tinha percebido que algo de ruim estava acontecendo quando ouviu de longe, o estampido dos tiros e a correria dos alunos. Beatriz tentava acalmar a amiga Letícia que tem problemas cardíacos.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Armas Matam e Bullying Também





Lembro até hoje como foi caminhar pelos corredores da minha escola após saber do ocorrido em Columbine. Sei lá. Acho que todo mundo acaba ficando pensativo com esse assunto. Só que naquela época, mais precisamente no ano de 1999, a única certeza era que isso não ocorreria nunca por aqui! 

Não que o acesso à armas de fogo seja muito complicada para uma parcela jovem da sociedade; sabemos que não é. Mas existe ( ou, até então, existia) um entendimento que as armas pertenciam ao mundo da comunidade carente, ao menino que vendia parte da sua vida por dinheiro “fácil” e que custava a sua vida.

quarta-feira, 20 de março de 2019

A Síndrome de Estocolmo Moderna





Desacelerar e descansar é preciso. Após um tempo relativamente longo, estou de férias (no meu atual regime de trabalho, tiro o período de 30 dias fracionado em dois ao longo do ano) e acho que nunca precisei tanto dessa pausa como agora. E a gente fica tão absorvido pelo trabalho que, mesmo quando para, ainda que por duas semanas, se sente estranho... 

É quase uma sensação de Síndrome de Estocolmo moderna: ainda que relativamente livre (coloco relativamente porque, nesses dois primeiros dias, ainda tive que me envolver remotamente em questões do trabalho), a gente se sente comprometido com o trabalho. Quase que uma culpa por estar folgando. Desligar do celular corporativo, não ter o hábito diário de correr para ele ao acordar, é algo que preciso me habituar. Chegamos a um nível de absorção que precisamos nos readequar a descansar...

terça-feira, 19 de março de 2019

Combatendo a Sua Própria Ira com o Silêncio




Hoje vamos falar sobre a IRA que, a meu ver, é um dos 7 pecados capitais que mais cometemos ao longo do nosso dia-a-dia. Não porque queremos, claro, mas alguns momentos anulam o melhor da gente e nos deixamos levar por esse desejo de raiva incontrolável por fatores que são externos a nós. Resolvi falar deste pecado hoje, em decorrência da minha última postagem. E, reforçando a minha explicação inicial, os textos que produzo, não tem cunho científico ou técnico, eles são, simplesmente, baseados nas minhas experiências e percepções pessoais. E se a fonte de inspiração sou eu mesmo, foi pela minha vaidade ferida (primeiro pecado que falei, e que assumo que cometo com certa frequência) ao falar de luxúria, que algumas discordâncias despertaram a minha raiva. 

Parece um tanto estranho definir esse pecado, soa extremamente intuitivo e temos certeza que já sentimos e sofremos com ele em algum momento. O que é até verdade, mas como diferenciar um momento de raiva e de ira? Você perceberá um padrão bastante interessante de diferença entre os dois. Na raiva, você sabe o que está sentindo e consegue controlar, mesmo que pouco, mas consegue. Já a ira é diferente, é um sentimento de raiva levado ao extremo. Tão extremo que você não consegue se controlar, podendo levar inclusive ao desejo de destruir ou aniquilar aquilo que causou a sua ira. Isso pode levar a sentimentos de vingança bastante intensos e fora do normal que, por vezes, são destrutivos, problemáticos ou tão incontroláveis que ficam “martelando” na nossa cabeça que queremos produzir uma resposta escrita ou física a qualquer custo apenas para nos sentir vingados.

segunda-feira, 18 de março de 2019

TOP 5: Filmes Musicais Imperdíveis





Estava a caminho de um café com L2 no último sábado quando o assunto voltou-se para Hedwig & Angy Inch, filme que ele tentava me convencer a assistir (depois de me mostrar o trailer e uma cena eu aceitei, verei em breve). E eu, cheio de preconceitos com musicais, argumentava que "não, obrigado, odeio filmes em que, do nada, começa a cantoria". E papo vai, papo vem, parei pra pensar que, apesar da minha pseudo-ojeriza, não é que eu já assisti a um bom número de filmes com esse estilo?

Tudo bem, eu reitero: acho um saco quando, do nada, os personagens começam a cantar as suas dores e inquietações, alegrias e felicidades (imagine você no metrô um belo dia quando alguém começa a cantar e a dançar e você acompanha e, quando vê, está vivendo um musical da vida real? Ok, ok, viajei!). Mas, convenhamos, existem algumas boas histórias já contadas através de musicais por seus diretores e com excelentes atores no elenco.

Assim, chegamos à listinha abaixo. Ela está em ordem decrescente de data de lançamento e, a menos que eu pontue no texto, não tem nenhuma ordem específica de preferência. Mas é feita de musicais que sim, são bem legais e que, apesar da cantoria, merecem a conferida. Será que vocês concordam?

sexta-feira, 15 de março de 2019

Alfredinho e o Jeito Carioca de Ser




Na época em que eu cursava Jornalismo, conheci o Alfredinho, dono do famoso bar Bip Bip, em Copacabana, através de um trabalho de conclusão da disciplina do professor Luís Fernando Vieira, um profundo craque do universo da cultura MPB e apresentador/produtor de diversos programas de rádio. 

Na verdade, a minha tarefa era entrevistar o César Costa Filho, compositor nascido em Vila Isabel que teve canções gravadas por Elis Regina, Maysa, Beth Carvalho, Clara Nunes e Elizeth Cardoso.  Mas, chegando no Bip Bip, onde tinha marcado a entrevista, fiquei encantado com a figura folclórica de Alfredinho.  O bar, com uns míseros 20 metros quadrados se transformava num palácio do samba ao ar livre.  Fiz a entrevista com o César, que foi sensacional, e voltei ao bar algumas vezes depois, quando pude assistir algumas boêmias rodas de samba com a Cristina Buarque e o Elton Medeiros, que sempre batiam ponto no reduto, além de Teresa Cristina, Geraldo Azevedo e Paulinho da Viola. 

quinta-feira, 14 de março de 2019

A Gente Se Acostuma Com a Dor




“A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” Demorei muito tempo para entender o que Drumond quis dizer com essa frase, acredito até que foi tempo demais, mas hoje, finalmente posso dizer que concordo profundamente com ela. 

Talvez até tenha entendido há muito tempo, mas só essa semana que minha ficha caiu. Esse é o tipo de reflexão que cera quente pode provocar em você. Já fazia algum tempo que não depilava minhas costas. Uma completa junção de falta de tempo misturado com outras prioridades, pouco dinheiro e ausência de alguém para exibir minhas costas lisas ao vivo. Sabem como é, né? Vamos deixando para depois, depois, só que esse depois nunca chega. 

quarta-feira, 13 de março de 2019

Capitã Marvel: Correto. E Só!




Passado o Carnaval, a pedida foi ir ao cinema e conferir o tão esperado filme da Capitã Marvel, o primeiro da Marvel a ser protagonizado por uma mulher e a ponte para explicar o papel dessa heroína após o fim de Vingadores: Guerra Infinita e na expectativa para Vingadores: Ultimato. Como já falei antes, sempre gostei do universo dos heróis desde pequeno, mas era mais fã dos da DC Comics, embora tenha me rendido à Marvel, cinematograficamente falando, de uns tempos pra cá.

Protagonizado por Brie Larson, a película é um prequel: se encarrega de contar a história da maior heroína do universo Marvel (embora não seja tão popular) e mostra o agente Nick Fury (vivido por Samuel L. Jackson mais novo e ainda sem tapa-olho, estruturando a S.H.I.E.L.D. antes dos Vingadores existirem). Começamos o filme sabendo que Larson é Vers, uma guerreira Kree com super poderes que ela busca controlar com a ajuda de seu mentor, vivido por Jude Law. Vers não tem lembranças, somente flashes, de seu passado. Junto com o seu grupo Kree, ela se envolve em uma guerra interplanetária que vem parar no planeta C-53, conhecido por nós como Terra.

terça-feira, 12 de março de 2019

Quando a Luxúria Deixa de Ser Um "Inocente" Pecado Capital




"Quem nunca pecou que atire a primeira pedra!", já disse Jesus lá na Bíblia. Mas, dependendo da intenção de quem jogasse, também poderia ser considerado um pecador. Evitar os sete pecados capitais, hoje em dia, não é uma tarefa das mais fáceis. É por isso que a nossa trajetória está repleta deles. Saber como moldaram a história do mundo, como foram criados e modificados ao longo do tempo é entender onde estamos e aonde queremos chegar. Dos liberais templos pagãos da Grécia aos falsos pudores medievais. Dos encantos dos portugueses pelas índias e escravas às revoluções sexuais dos tempos modernos, deixemos os pudores de lado para mergulharmos na Luxúria, que talvez seja o mais tentador de todos os pecados. E neste terceiro post vamos falar do segundo pecado na nossa sequência reflexiva. Em tempos pós carnaval, escolhi o pecado da carne propositalmente. Afinal, os hormônios ainda têm respiros da festa momesca. 

A concupiscência é representada por toda a sorte de desregramentos no comportamento sexual humano, desde os mais simples pensamentos devassos até os atos de libertinagem e desvios sexuais, concretamente falando. A libertinagem, a pornografia, o erotismo, incitam pelo mundo afora esse pecado que é tido, como o de todos, o mais insidioso. A luxúria tem estado cada vez mais presente (ou, pelo menos, evidente em uma prática até então não divulgada), principalmente pela facilidade e rapidez dos meios de comunicação atuais. Quem nunca “tocou uma” com um vídeo da internet, ou mesmo aqueles de duração mais curta recebido pelo WhatsApp, ou fez uma inocente (?) nude, que atire a tal pedra, chamariz de nosso texto. 

segunda-feira, 11 de março de 2019

Pop Séries: Veronica Mars




O que uma série precisa para encantar, conquistar e entrar para a lista de melhores séries de todos os tempos feita por 10 entre 10 pessoas que gostem do gênero e já tenham assistido a mais que meia dúzias de produções? Se os produtores tivessem essa resposta, teríamos apenas sucessos de público e crítica em exibição. Entretanto, uma vez existiu uma produção chamada Veronica Mars (me recuso a usar o subtítulo nacional que a série ganhou) para provar que algumas vezes uma série pode ser incompreendida, prematuramente cancelada, mas continuar na memória de milhares de fãs que lamentam a cada dia a falta que ela faz.

Centrada na Veronica (Kristen Bell) do título, a série acompanha a vida da jovem, que apesar de já ter sido uma das mais populares do colégio, viu tudo desmoronar depois do assassinato de sua melhor amiga, Lily Kane (Amanda Seyfried, antes de se tornar a queridinha dos filmes água com açúcar de Hollywood). Como o xerife Keith Mars (Enrico Colantoni), pai de Veronica, acusou o pai da amiga, Jake Kane (Kyler Secor), de principal suspeito do assassinato, ambos, pai e filha, ficaram em maus lençóis junto à comunidade quando Jake foi inocentado. Veronica ficou à margem escolar, largada pelo namorado, Duncan Kane (Teddy Dunn), irmão de Lily, e atormentada pelo mistério do assassinato da amiga.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Verdadeira Fantasia




Já posso ouvir o som dos repiques.  A cidade está mais brilhante e nossos passos, mais agitados.  Chegamos a mais um início da festa mais bacana do ano, o maior espetáculo da Terra.  Daqui até quarta-feira, a cidade para e, o que já era Torre de Babel se mescla ainda mais.  Momo comanda a folia e, por mais que você não seja um entusiasta, sempre terá uma boa lembrança envolvendo confetes e serpentinas.

Todo mundo que me conhece sabe o quanto eu sou um eterno apaixonado por Carnaval.  Digo que sou um roqueiro-sambista, com louvor.  Uma de minhas primeiras memórias remetem ao desfile da Beija-Flor de 1978, A criação do mundo na tradição nagô, com os homens negros da comissão de frente fazendo uma apresentação tradicional, o carro abre-alas minúsculo para os padrões das agremiações de hoje e mulheres seminuas sambando em cima.  Hoje isso é algo normal, mas naquele fim da década de 1970, era inédito (e escandaloso).