quarta-feira, 20 de março de 2019

A Síndrome de Estocolmo Moderna





Desacelerar e descansar é preciso. Após um tempo relativamente longo, estou de férias (no meu atual regime de trabalho, tiro o período de 30 dias fracionado em dois ao longo do ano) e acho que nunca precisei tanto dessa pausa como agora. E a gente fica tão absorvido pelo trabalho que, mesmo quando para, ainda que por duas semanas, se sente estranho... 

É quase uma sensação de Síndrome de Estocolmo moderna: ainda que relativamente livre (coloco relativamente porque, nesses dois primeiros dias, ainda tive que me envolver remotamente em questões do trabalho), a gente se sente comprometido com o trabalho. Quase que uma culpa por estar folgando. Desligar do celular corporativo, não ter o hábito diário de correr para ele ao acordar, é algo que preciso me habituar. Chegamos a um nível de absorção que precisamos nos readequar a descansar...

E, definitivamente, é preciso fazer esse rehab funcionar para a sanidade mental. Nessas férias, farei uma viagem curta, mas optei por um mix de experiências em Minas Gerais: primeiro ir para o interior aproveitar cachoeiras, lagos e cânions. Depois, um pouco de urbanidade na capital e, por fim, uma pitada de cidades históricas para encerrar. A ideia de começar pelo "meio do mato" foi proposital: desligar o máximo possível. Não apenas do trabalho, mas da rotina. 

A gente não sente, mas é absorvido pelo nosso dia a dia em casa e, mesmo de férias, acaba não descansando como deveria se não viajar. A rotina de arrumar as coisas, cuidar dos cachorros e gatos, ver comida para fazer... Tudo isso já nos toma horas que, numa eventual viagem, ficam disponíveis para outras coisas.

Desacelerar e descansar é preciso. E, por mais paradoxal que seja, virou praticamente um exercício. Mas, me dá licença que eu vou exercitar um cadinho ali...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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