quinta-feira, 21 de março de 2019

Armas Matam e Bullying Também





Lembro até hoje como foi caminhar pelos corredores da minha escola após saber do ocorrido em Columbine. Sei lá. Acho que todo mundo acaba ficando pensativo com esse assunto. Só que naquela época, mais precisamente no ano de 1999, a única certeza era que isso não ocorreria nunca por aqui! 

Não que o acesso à armas de fogo seja muito complicada para uma parcela jovem da sociedade; sabemos que não é. Mas existe ( ou, até então, existia) um entendimento que as armas pertenciam ao mundo da comunidade carente, ao menino que vendia parte da sua vida por dinheiro “fácil” e que custava a sua vida.

Entrar em uma escola atirando não é uma das características do brasileiro... Será? O ódio anda tão latente que acho que acaba caindo por terra essa teoria do que pertence ou não ao povo brasileiro. A raiva pelo que vem acontecendo no país é um dos maiores índices de doenças e discurso de ódio. Muito louco imaginar que alguém, atrás de uma tela de celular ou computador e com muito tempo disponível, seja o responsável por ameaças à vida de alguém. Criar o ódio, ranço e outros tipos de sentimentos conflitantes que ganham força a cada dia. 

Através das palavras, até sem armas de fogo, o ódio possui uma força gigantesca. Julgar o “outro” e sua imagem, acaba virando um esporte. É ver até onde alguém estoura com uma provocaçãozinha (bem boba) até o ponto de não querer mais e acabar com a própria vida... e a vida dos outros.

Bullying? Sofri! Mas em nenhum momento cogitei uma atitude mais séria da minha parte. Não queria acabar com a minha vida e nem com as dos meus amigos, não queria morrer. Terminar com tudo... Queria sair logo do colégio e dar um basta ao meu período “sabático”. Mas para isso acontecer leva um tempo. E lidar com o tempo é complicado. 

Continuo nessa jornada dia após dia e com umas ofensas no bolso. Acho que não tem mais o que comentar. A arma, assim como a fome: mata! 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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