terça-feira, 19 de março de 2019

Combatendo a Sua Própria Ira com o Silêncio




Hoje vamos falar sobre a IRA que, a meu ver, é um dos 7 pecados capitais que mais cometemos ao longo do nosso dia-a-dia. Não porque queremos, claro, mas alguns momentos anulam o melhor da gente e nos deixamos levar por esse desejo de raiva incontrolável por fatores que são externos a nós. Resolvi falar deste pecado hoje, em decorrência da minha última postagem. E, reforçando a minha explicação inicial, os textos que produzo, não tem cunho científico ou técnico, eles são, simplesmente, baseados nas minhas experiências e percepções pessoais. E se a fonte de inspiração sou eu mesmo, foi pela minha vaidade ferida (primeiro pecado que falei, e que assumo que cometo com certa frequência) ao falar de luxúria, que algumas discordâncias despertaram a minha raiva. 

Parece um tanto estranho definir esse pecado, soa extremamente intuitivo e temos certeza que já sentimos e sofremos com ele em algum momento. O que é até verdade, mas como diferenciar um momento de raiva e de ira? Você perceberá um padrão bastante interessante de diferença entre os dois. Na raiva, você sabe o que está sentindo e consegue controlar, mesmo que pouco, mas consegue. Já a ira é diferente, é um sentimento de raiva levado ao extremo. Tão extremo que você não consegue se controlar, podendo levar inclusive ao desejo de destruir ou aniquilar aquilo que causou a sua ira. Isso pode levar a sentimentos de vingança bastante intensos e fora do normal que, por vezes, são destrutivos, problemáticos ou tão incontroláveis que ficam “martelando” na nossa cabeça que queremos produzir uma resposta escrita ou física a qualquer custo apenas para nos sentir vingados.

Talvez você não faça uma linha de comparação entre “perder o controle” e a ira, mas certamente já sentiu e já cometeu esse pecado durante dias aparentemente normais. Certamente já aconteceu algo como perder um amigo por conta de uma briga descontrolada – em tempos de redes sociais e divergências políticas, quem nunca viu ou viveu aqueles posts “se você pensa assim, desfaça sua amizade comigo”? Isso é um tipo de ira, sabia? O tempo em que vivemos no mundo é um momento delicado. A injustiça social e a opressão econômico-financeira-social a que as populações estão sujeitas por todo o mundo pedem atenção redobrada. Momentos como este levam a situações de revolta descontrolada e destrutiva, em que a ira é um componente emocional muito significativo. A não-violência deveria idealmente pautar os comportamentos de indignação de quem luta contra a injustiça mas, por vezes, nossas respostas acabam sucumbindo aos ataques e, quando percebemos estamos propagando mesmo sem querer um discurso de ódio aos opressores, e os sentimentos ruins acabam entrando num círculo vicioso. 

Mas quem nunca se irritou? E quantas vezes jogamos a culpa no outro por nossa ira? Estamos sempre dizendo: “o outro me deixou com raiva”, “alguma coisa me irritou”... A culpa é sempre de algo que está fora de nós. Mas a ira é algo que brota dentro de nós mesmos, logo, somente nós é quem podemos controlá-la.

O pecado da ira parece tão difícil de acontecer, ao mesmo tempo que parece simples de resolver uma vez que identificado. No entanto, infelizmente, não é fácil e exige paciência, paz de espírito e muito trabalho para evitar que os pensamentos ruins apareçam e o descontrole se aflore e tome conta de nossa razão. Isso também não quer dizer que a solução vai ser passar sua vida recluso, meditando para finalmente virar um monge e ter paciência infinita para lidar com essas situações. Às vezes, a solução que eu acho, para meu autocontrole, é literalmente contar até dez e respirar fundo. Alguém com certeza já disse isso pra você, não é? Pois é, soa bobo quando estamos naquele momento descomedido, mas é uma ótima maneira de pensar duas vezes a situação e evitar problemas maiores mais pra frente. 

Parte das minhas respostas, quando a minha vaidade é ferida e meus argumentos são contestados, não são respondidas com base nessa técnica. Torno-me aparentemente indiferente, calado, pois sei que eu posso ter atitudes ou usar palavras que poderão me causar arrependimento depois. Portanto, se me permite um conselho, não se deixe tomar por sentimentos ruins, tente tomar as rédeas da situação e controlar as suas emoções. Ao contrário da Ira, a Paciência é uma virtude e você consegue tê-la também, sem contar que o tal “alimento ruim” deixa de ser adubado e morre naturalmente.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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