segunda-feira, 25 de março de 2019

Outono





Passa o inverno e chega o verão, o calor aquece minha emoção
Não pelo clima da estação, mas pelo fogo dessa paixão
Na primavera calmaria, tranquilidade, uma quimera
Queria sempre essa alegria, viver sonhando quem me dera
No outono é sempre igual, as folhos caem no quintal...
(As Quatro Estações - Sandy & Jr.)

Morar no Rio de Janeiro é viver apenas duas estações: o verão dos infernos e o inverno com alguns dias de temperatura amena. Há muito me acostumei com essa dinâmica e particularmente rio dos cariocas "sofrendo" com o """frio""" da cidade, aproveitando aqueles dias mais amenos para tirar dos armários os casacos, sobretudos e cachecóis. 

Mas eu vim do interior do Rio, de uma cidade que, durante muito tempo, apresentava as estações de maneira um pouco mais definidas. Claro, nada a ver com os desenhos que fazíamos na escola quando estudávamos as estações do ano, pintando o inverno com frio extremo e bonecos de neve. As estações, pelo menos no interior do Rio, são sutilmente demarcadas: na primavera as árvores florescem, no verão faz muito calor, no outono as folhas caem e a paisagem fica mais cinza e, no inverno, faz um frio razoável, daqueles de usar meias e ficar com os pés gelados durante todo o dia.

E para que toda essa introdução? Para dizer que eu, particularmente, amo as estações intermediárias, especialmente o outono. Ele, que chegou na última semana, mais precisamente no dia 20 de março, às 18h58, me enche de alegria com os seus dias que começam a ficar mais curtos, com as luzes lindas do fim de tarde e, mesmo no Rio, com aquele clima não tão quente e que nos permite esquecer o ar condicionado e os ventiladores (pena que não em todos os seus dias).

Com os dias mais amenos, tenho enorme prazer em aproveitar as horas fora de casa. Em pegar uma bike e pedalar pelo Aterro ou pela orla da zona sul. Em caminhar observando as folhas das árvores ficando marrons ou caindo dos galhos. Em olhar para o céu no fim de tarde e ser brindado com aquele festival de cores avermelhadas que alegram a minha alma.

Acho também que o outono nos acalma. Aquela necessidade de curtir os dias como se não houvesse amanhã, uma coisa bem de férias e que é a cara do verão, dá lugar ao assentamento da rotina e as atividades cotidianas ganham ritmo. Quando a gente vê, parece que a vida está se ajeitando e tudo entrando nos eixos.

E pra viajar, que delícia é o outono! Dá pra subir a serra e curtir o clima geladinho de Petrópolis ou da região serrana. Se encher de chocolate quente ou aproveitar aquele jantar a dois se deliciando com um fondue. Tomar vinho e se deixar aquecer pela alegria de uma refeição bem acompanhados.

Que esse outono seja mais leve. Sabemos todos que, com a vida tão difícil no que diz respeito ao mundo que nos rodeia, o que mais precisamos é de um pouco de paz. Que essa estação, mais introspectiva e acolhedora, nos propicie esse sentimento e estado de espírito que tanto precisamos. Oremos.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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