quinta-feira, 28 de março de 2019

Sandy & Júnior, O Retorno





Chegar na casa dos trinta anos é como abrir uma edição especial da caixa de Pandora. A gente descobre o quanto deixa de se importar com certas coisas, até então primordiais, e com saudades de tantas outras, que pareciam ser totalmente sem importância. 

Sandy e Júnior é o melhor exemplo de ressignificação que conheço. Tenho a mesma faixa etária que os irmãos, então cresci escutando os dois e amando loucamente cada um. Veja bem, não possuía nenhum fã clube ou coisa do tipo, mas escutava todos os CDs até enlouquecer minha mãe e os vizinhos. Mas tudo é uma fase e, lembro agora sem orgulho algum, do momento em que tive vergonha de admitir que possuía os álbuns e DVDs da dupla. Eu já estava seguindo um caminho na vida que as composições que estavam sendo lançadas não conversavam comigo. Queria ir pro mundo e me descobrir musicalmente, também tinha esse direito.

Mas foi com o último álbum de estúdio, lançado em 2006, que voltei a me reconectar com os dois. Já estava com 21 anos e Sandy e Júnior também estavam na casa dos vinte e quase poucos. E a gente se entendeu entre letras que eu queria dizer e outras que gostaria de ouvir, por exemplo, Estranho Jeito de Amar e Você Não Banca o Meu Sim. Senti que era o momento dos nossos caminhos se cruzarem novamente, quem sabe os próximos álbuns continuariam ser tão pessoais e profundos? Mas a dupla acabou um ano depois, encerrando sua jornada com um belíssimo Acústico MTV, formato que também já não existe mais. 

E foi ouvindo o Acústico que percebi o quanto continuava possuindo músicas, de vários álbuns, presentes na discografia da minha vida. Eu achava que estava maduro demais para ouvir Sandy e Júnior, mas eu estava perdido, criando um patamar musical que deveria ultrapassar para poder crescer. Uma bobagem pura, mas que só agora me dou conta. 

A notícia do retorno para alguns shows foi mais do que maravilhosa, foi incrível. Pude, finalmente, ficar em paz com meu coração e gritar ao mundo que gosto da Sandy e adoro o Júnior e quero muito ver esse reencontro nos palcos. Eu sei que existe o fator saudosismo presente. Não vou ter mais doze, dezoito e vinte anos. Não voltarei a ser aquele Silvestre que sabia de cor o Dig-dig-joy, dig-joy Popoy... Mas sou o Silvestre que aceita Sandy e Júnior como a maior influência musical e de sofrência do próprio passado. 

Já assumo que fiquei sim no site querendo comprar o meu ingresso e acho ótimo existir um open bar de água. Afinal, só quem viu Aquaria sabe o quanto os irmãos sofreram para conseguir água, vamos valorizar isso sim! 

Espero que esse retorno tenha a real proporção que os dois merecem e seja encerrado no Maracanã, com direito a gravação de DVD: Sandy & Junior - Ao Vivo no Maracanã 3.0. Vai, essa não é uma má ideia...

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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