terça-feira, 30 de abril de 2019

Um Ano de Barba Feita: Minha Homenagem aos Barbudos Mais Charmosos do Rio de Janeiro






Esse texto, acreditem, comecei a escrever no meu primeiro mês como colunista do Barba Feita. Eu já sabia que queria escrever sobre esses quatro caras se eu conseguisse completar um ano aqui, mas como ainda não os conhecia profundamente, eram apenas ideias e esboços. Hoje, feliz por completar meu primeiro aninho (minha primeira coluna foi ao ar no dia 1º. de maio de 2018), realizo também outro feito: escrever sobre meus amigos/colegas de tantos editoriais.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Urca: Trilha Leve e Praia em Uma Mesma Manhã




Viver no Rio de Janeiro é, literalmente, viver entre a beleza e o caos. O clichê, repetido à exaustão, faz parte da rotina dos cariocas, que se viram e rebolam para manter a sanidade em meio à uma cidade abandonada pelo poder público, mas absurdamente linda e acolhedora. Entre antíteses, vivemos.

E no último sábado, querendo espairecer a cabeça e aproveitando o dia de sol e céu azul, minha amiga Suzana e eu resolvemos bater perna por aí, mas sem nos preocupar com grandes preparações. Queríamos mato e beleza, mas também praticidade. Então, onde ir? Urca, é claro.

A Urca é aquele bairro charmoso da Zona Sul do Rio, com apenas uma entrada e saída, lar de alguns poucos privilegiados. Mas, de fácil acesso e com paisagens lindas, atrai turistas (o Pão de Açúcar fica bem ali no início do bairro) e moradores de toda a cidade. Isso sem contar que é um point da galera mais jovem e/ou descolada, que adora ficar bebendo pela Mureta da Urca (ou, se você for mais pão duro ou econômico, tem a Pobreta também) apreciando a paisagem deslumbrante.

O Pão de Açúcar todo mundo conhece. Um dos cartões postais da cidade, a subida de bondinho é um dos passeios obrigatórios para turistas de todo o mundo. E, exatamente por isso, também custa bem caro. Eu, pelo menos, acho um absurdo pagar 110 fucking biroliros para subir a montanha de bondinho. E daí que vem o macete pra quem quer curtir o visual, mas não desembolsar essa grana toda: a subida para o Pão de Açúcar se dá em duas etapas, primeiro com um bondinho até o Morro da Urca, com desembarque e então pegando-se outro bondinho até o Pão de Açúcar o morro mais alto. Mas, para chegar até o Morro da Urca e apreciar bastante do passeio sem a obrigação de ir até o Pão de Açúcar, é possível utilizar uma trilha tranquila e de nível fácil, com uma subida que dura aproximadamente 30 minutos. Ou seja, você economiza R$ 110, se exercita e ainda se sente esperto. Com boas dicas, trabalhamos.

Ao chegar na Urca (e eu cheguei pedalando, curtindo o visual da manhã iluminada do trajeto Aterro do Flamengo - Enseada de Botafogo - Urca), basta seguir pela Pista Claudio Coutinho, que fica à esquerda da praia da Urca, caminhar alguns metros e se deparar com a entrada da Trilha do Morro da Urca. Bem sinalizada e conservada, a trilha não exige muito esforço e até pessoas sem preparo físico conseguem subí-la, já que é mais um caminho bem cuidado que uma trilha propriamente dita. E o visual, meus caros, vale muito a pena. 

As paisagens

Papeando e se distraindo, quase não dá pra sentir a caminhada. E, quando se vê, já estamos no Mirante da Urca, um platô de madeira que já dá um gostinho do que nos espera um pouco pra cima no Morro da Urca propriamente dito. Ali você para, respira, se encanta com o visual e sobe mais uns poucos metros para chegar ao seu destino final.

No Morro da Urca não tem erro. Não há distinção se você chegou ali de bondinho ou pela trilha e você só curte a vista e o clima. Pode sentar e tomar um café ou ficar apenas olhando para todo o visual da cidade que insiste em ser maravilhosa apesar de maltratada. A única diferença pra quem subiu pela trilha é que você não pode pegar o bondinho para o Pão de Açúcar e, para voltar, tem de descer por ela também, o que, convenhamos, não é nenhum sacrifício.
A egotrip


Como  o sábado estava lindo, minha amiga e eu fomos preparados: a ideia era subir e trilha e, ao descer, dar um mergulho no mar da Praia da Urca. E, que delícia, meus amigos. Num dia quente de outono carioca, a água da praia estava cristalina e morna, e ficamos ali nos deliciando com a paisagem, falando da (nossa) vida e relaxando depois da subida e descida do morro.

Em uma única manhã, aproveitamos bastante do que o Rio pode nos oferecer de bom, tanto que por volta das 14h eu já estava em casa, relando e me preparando para uma seção de Netflix. Afinal, depois de um exercício físico, nada como a preguiça e o ócio, não é mesmo?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

As Dores do Mundo





A gente sempre se sente meio Highlander depois que sobreviveu a umas duas dezenas de crises renais.  Só quem viveu isso sabe o que eu estou dizendo.  A parada é realmente sinistra.

A primeira vez que tive uma crise renal eu deveria ter uns 24 anos.  Foi uma dor que surgiu de repente.  Eu estava lanchando na copa do trabalho quando senti algo lancinante e a visão escureceu.  Foi uma dor tão forte que perdi os sentidos.  Quando acordei estavam todos da equipe me olhando assustados e eu nem tinha percebido que a dor tinha ido embora, mas havia ficado um mal estar tremendo, além da sensação de um trem ter me atropelado.  Minha chefe ficou assustada com a minha palidez e me liberou para que eu fosse para casa.  No meio do caminho deu uma vontade incontrolável de urinar.  Nunca tinha sentido tamanha vontade assim na vida.  Correndo, encontrei um banheiro de uma loja e lá me tremi todo quando percebi que o invés do xixi de sempre em sangue vivo havia se transmutado.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Special - É Um Privilégio Ser Especial




Você já se deu conta de todos os seus privilégios? Eita palavrinha que anda carregada de significados nos últimos tempos. Ou, talvez, nós estivéssemos utilizando várias camadas de vendas para perceber a importância de ser privilegiado em um mundo que já é tão ferrado e tenta, de alguma maneira, se reerguer. 

Aproveitei o feriado de Páscoa e maratonei algumas séries. Coloquei a última temporada de Doctor Who em dia, e aproveitei para cair de amores por Jodie Whittaker e sua versão Doctor, perfeita! Assisti alguns episódios de 9-1-1 e a série da FOX americana continua incrível. Ryan Murphy conseguiu criar sua própria versão de Grey’s Anatomy, mas com polícia, bombeiros e paramédicos. Um ótimo acerto. E conferi a tão badalada Special, série sobre um rapaz com paralisia cerebral que decide assumir as rédeas da própria vida e ir morar sozinho, ter um emprego e se jogar nos aplicativos gays da vida...

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Desde 1.500...




Nesses últimos dias, viemos numa série de feriados e celebrações que, coincidência ou não, se fizeram historicamente muito próximos. Dia do Índio, Dia de Tiradentes, "Descobrimento" do Brasil... Todos conhecemos essas datas desde pequenos e a maioria, quando criança, se vestia de indígena na escola e via as gravuras meio com cara de Cristo atribuídas a Tiradentes. Ou mesmo aprendia, por meio da literatura, que os portugueses foram os que trouxeram o progresso a essa terra onde só havia mato e selvagens.

Para mim, foi inevitável lembrar do samba da Mangueira, vencedor do carnaval carioca esse ano, que dizia que "desde 1500 há mais invasão do que descobrimento". E, infelizmente, esse é o DNA do nosso país: construído na base do genocídio, da mentira, da imposição e do estupro.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Matando Um Dragão Por Dia





Jorge é um homem de 39 anos que passou por poucas e boas na vida até conquistar um mínimo de conforto. Teve uma infância muito difícil, pois sua vida familiar era bastante instável. Apesar de ter pais casados legalmente, sua mãe sofreu muitos anos desassistida da presença do marido. Pelo pouco que se lembra, seu pai era um homem muito mulherengo e teve muitas amantes. Sua mãe, Lida, por ser uma mulher muito apaixonada, aceitava o seu retorno, após longos períodos de ausência, com a promessa de mudança comportamental do marido. Porém, essa mudança nunca acontecia. 

Dadas as dificuldades financeiras, Lida passou a trabalhar de copeira em um bar próximo de casa para que pudesse pagar as contas de casa, já não mais honradas pelo marido. Lida contava com o apoio financeiro dos seus dois filhos mais velhos, João e Geórgia, com dezoito e dezessete anos respectivamente – que já trabalhavam –. mas os salários eram muito pequenos, não garantindo a subsistência de Jorge e Diocleciano, os irmãos mais novos, que tinham 13 e 6 anos de idade. Na época, sentindo a ausência constante do pai, Diocleciano, o caçula, desenvolveu um quadro de diabetes emocional, o que trouxe mais um problema a ser administrado por Lida, naquela rotina já tão dura. Jorge lembra-se de levar a mãe ao portão de casa, nas madrugadas, despedindo-se dela e de seu irmão mais novo, que caminhavam sob a neblina dos dias frios, em busca de um dos primeiros lugares da fila de atendimento do posto de saúde local.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Sana




Distrito do município fluminense de Macaé, o Arraial do Sana está localizado a 165 kms do Rio de Janeiro e também é conhecido como o “Paraíso das Águas”. Encravado entre morros, o nome faz jus ao local, devido à abundância de córregos, rios e cachoeiras do distrito, lugar de beleza ímpar. E foi esse o meu destino em uma fuga do Rio no final de semana do feriadão, onde relaxei e procurei descansar por três dias em que o sol esteve presente e os dias foram lindos e iluminados. 

Para começar, procuramos hospedagem a acabamos optando pela Pousada Poço da Canoa. Composta por chalés simples, a pousada é bastante agradável e a proprietária, Paula, foi super querida ao corrigir um erro que cometi na hora da reserva: por desatenção, reservei pra uma semana antes da Semana Santa. Felizmente, conseguimos corrigir o equívoco e, por sorte, vagou um dos chalés para o feriado. Ficamos todos felizes, principalmente o Chico, nosso cachorro, que adorou a propriedade e se encantou com o cheiro de grama e do córrego da Glória, que passava atrás da propriedade.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A Memória e as Cinzas




Nesta última semana, o mundo foi surpreendido pelo trágico incêndio em um dos locais mais visitados por todo o mundo: a Catedral de Notre-Dame, em Paris.  Construída no século XII, levou cerca de 200 anos para ser concluída e, atualmente com mais de 850 anos, guarda relíquias do catolicismo, como fragmentos do que poderia ter sido a coroa de espinhos de Jesus Cristo, um pedaço de madeira da própria cruz e um prego utilizado na crucificação.  Ali foi realizada a coroação de Napoleão Bonaparte a imperador e a beatificação de Joana D´Arc.  Em 1314, os templários também teriam sido queimados vivos em uma fogueira, na frente da catedral, condenados pelo Papa Clemente V, influenciado pelo rei Filipe IV, que acusaram os templários de blasfemarem contra a Igreja.  Também teve grande influência na literatura do período romântico quando Victor Hugo escreveu, em 1831, um de seus mais famosos livros, O Corcunda de Notre Dame, cenário da história de Quasímodo e da cigana Esmeralda.  Notre-Dame ainda resistiu a duas guerras mundiais, à ocupação nazista e à Revolução.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Seis Séries Para Maratonar no GloboPlay




Feriadão chegando e você tem a desculpa perfeita para ficar jogado no sofá assistindo aquela série que todo mundo vive falando para você maratonar. Só que, dessa vez, nossa dica não são com séries disponíveis na Netflix ou na Amazon Prime. Vamos falar do GloboPlay e do ótimo catálogo que o streaming nacional vem montando para os fãs de séries.

Preparados para nossas dicas?

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Sobrenome: Geminiano




Sou uma pessoa interessada em astrologia. Adoro signos, algo que herdei desde a época em que era fanático por Cavaleiros do Zodíaco (além de aprender a gostar de mitologia grega pelo mesmo motivo). Desde pequeno sei que sou geminiano, na adolescência descobri meu ascendente em Peixes e, já adulto, a Lua em Sagitário. Mais recentemente, tive contato maior com o meu mapa astral, em especial por meio da minha terapeuta, que tem essa visão mais, digamos, mística agregada à ciência. Descobri que tenho Libra na casa 07 e Vênus em algum lugar importante que não me lembro agora... Enfim, eu gosto e acho fascinante. 

Algo que aprendi é que, assim como na vida real, mapa é mapa e terreno é terreno. Uma coisa é o que uma leitura aponta, outra é o que se vivencia e traz de acidentes geográficos, desgaste pelo tempo, intempéries, ação do homem... Serve no sentido literal e no figurado também. Por isso, nunca posso afirmar exatamente que uma pessoa é igual à outra porque nasceram sob o mesmo signo, mas consigo traçar similaridades em muitos casos. Já adivinhei signos só de analisar o comportamento de alguém. Ainda assim, ultimamente ando observando um comportamento que me despertou a curiosidade: tem muita gente usando os seus signos praticamente como um sobrenome. 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Avareza: O Excesso que Desemboca em Todos os Pecados




O último pecado da série que temos escrito nas últimas semanas, inspira-se na urgente e ilimitada vontade de querer mais - independentemente do que seja, se você já tem em quantidade suficiente ou qual o impacto que esse desejo exacerbado pode ter para o próximo. A AVAREZA é a materialização de uma forma insaciável de se ter o excesso de algo – geralmente material. Sob a ótica teológica, ela nos faz ultrapassar os limites das nossas verdadeiras necessidades, uma GANÂNCIA sem fim. Na semana em que o mundo está envolto à eventos relacionados à Páscoa, escolhi este tema para encerrar nossas reflexões e dividir com vocês as minhas angústias em (tentar) entender o que está por trás dessa COBIÇA desenfreada que se desenvolveu ainda mais com o passar dos séculos e tem dominado o comportamento humano.

Resolvi, como fechamento, fazer um paralelo deste pecado com todos os outros que discorremos aqui nas últimas semanas e, claro, dar aquela pitada de crítica social. A avareza, em verdade, não está apenas na busca cada vez maior pelo dinheiro e pelo poder. Nossa ganância também está na comida, no sexo, na intolerância com o outro e que gera a raiva, na preguiça excessiva, na soberba de nos acharmos melhores que o outro e na inveja de queremos o que não é nosso, sem nem precisarmos daquilo. 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Jean





Na semana passada, Conversa Com Bial, programa da Globo que, em seu começo tinha a missão de "substituir" a vaga deixada por Jô Soares na programação mas que acabou mostrando seus próprios méritos, retornou para uma nova temporada. E, entre as atrações desse retorno, grandes entrevistas com Sergio Moro (que em cada vez que abre a boca mostra-se mais como um grande imbecil despreparado que foi alçado ao status de "justiceiro", sendo na verdade uma pessoa bem da medíocre), Olavo de Carvalho (senti nojo vendo a entrevista, de verdade) e Jean Wyllys, o ex deputado que cumpre um auto-exílio na Europa.

Todo mundo sabe quem é Jean Wyllys. Ou deveria saber. O agora ex-deputado do PSOL tornou-se celebridade e conhecido em todo o país em 2005, quando venceu a edição daquele ano do Big Brother Brasil. Em uma das edições mais memoráveis do programa (a mesma que alçou Grazi Massafera à fama), foi vista a homofobia de uma certa classe brasileira jogada no ventilador no horário nobre da maior emissora de televisão do país. E, o mais surpreendente, vimos um país inteiro enamorar-se e sagrar vencedor aquele que hoje, certamente, seria o primeiro eliminado do programa. 

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Enquanto os Homens Exercem Seus Podres Poderes...





Nunca deveríamos ficar remoendo coisas ruins, mas muitos dos acontecimentos desagradáveis precisam ser lembrados o tempo inteiro para que eles não se repitam.  Infelizmente, o brasileiro é um povo que peca pela falta de memória.  Insistimos nos mesmos erros, há sempre o falado “jeitinho” e ainda dizem que nada acontece de ruim pois Deus é brasileiro.  Acontece que Deus deve estar com muitos outros afazeres, ou então, já deve estar de saco cheio, como diria Almir Guineto. 

Essa semana que passou deveria ser riscada da nossa história?  Deveria ser apagada de nossa memória?  A resposta é não.  Precisamos deixá-la viva dentro de nós para que nunca nos esqueçamos dela, mesmo que pareça (e é) uma tortura, pois só assim estaremos mais alertas para que possamos cobrar de quem quer que seja, ou somente para que estejamos mais atentos para nossas próprias atitudes.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

R.I.P. Rio de Janeiro




O slogan é Cidade Maravilhosa. Só que a realidade está bem longe disso, já faz um bom tempo. A violência sempre foi um tipo de bônus que os cariocas têm de pagar em troca das belas paisagens. Tão intrínseco em nossa realidade que já foi retratado em filmes, novelas e manchetes de todos os tipos de jornais. 

Mas a cidade possui uma constante prova de resistência natural. Sempre que chove o carioca já sabe que uma rua vai alagar, que o ônibus vai atrasar e ir de metrô acaba sendo mais rápido (dependendo de onde você quer chegar). Mas em 2019, a natureza decidiu mostrar toda sua força e o poder público toda sua omissão. No início do Carnaval, festa pela qual o Rio de Janeiro e o Brasil são conhecidos nacionalmente e internacionalmente, uma chuva colocou tudo em risco. Parecia que a folia não teria como colocar o seu bloco na rua. Será que os santos e anjos, que sempre protegeram essa cidade, estariam protestando contra algo? Tentando nos avisar de alguma coisa? Vai saber...

quarta-feira, 10 de abril de 2019

20 Anos de Matrix






O filme Matrix, das irmãs Wachowski (que à época eram ainda “irmãos”), completou 20 anos agora e isso me impressionou um bocado. Primeiro, por ter noção do tempo que já passou – duas décadas é coisa pra caramba; segundo, por me dar conta de que o assisti com 14 anos apenas; terceiro, por ver o quanto a história e sua estética impactaram não somente o cinema mundial, mas também o imaginário popular. Tornou-se um clássico atemporal. 

Os questionamentos sobre a realidade em que vivemos e até que ponto não estamos apenas em uma simulação da vida real praticamente se tornaram sinônimos de Matrix. Quem nunca ouviu alguém comentar algo nesse sentido e mencionar o filme? Ou ter um déjà vu e falar que foi falha na Matrix? Ou brincar que “não existe colher” (“There is no spoon”)? Ou brincar que está fugindo de balas ou outras coisas arremessadas contra si em câmera lenta? Ou mencionar que está consultando uma pessoa como “Oráculo”? 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Você Tem Fome de Quê? Um Outro Olhar Para o Pecado da Gula




“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte”

Esse fragmento da música dos Titãs me inspirou a desenvolver o texto de hoje com as ferramentas que mais gosto: uma música de ponto de partida e analogias. E quando estava escrevendo sobre o primeiro dos sete pecados capitais, já sabia que este seria o início para discorrer sobre a GULA.

“Tecnicamente”, gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida ou bebida. Segundo essa visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem, é até uma forma de cobiça. Em verdade, eu sempre acho que todos os sete pecados estão interligados de alguma maneira. Quem tem acompanhado meus textos sobre esse assunto tem percebido que de vez em quando eu cito um, onde falo sobre outro. 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Pop Séries: Queer as Folk





O universo gay retratado de forma natural numa série de televisão, não apenas com estereótipos, mas mostrando os gays como eles realmente são e vivem, sem exagerar ou amenizar nas cores. Era essa a proposta de Queer as Folk (Os Assumidos, no Brasil), que foi cumprida durante as cinco temporadas em que a série esteve no ar. E isso, no início dos anos 2000, quando personagens gays não eram comumente vistos nas produções televisivas como são hoje. 

Produzida pelo canal por assinatura americano Showtime – o que por si só já significava, na época, maior liberdade para os produtores nas cenas mais ousadas -, Queer as Folk não foi uma produção original. A série americana foi baseada em uma produção homônima britânica, que durou apenas duas temporadas entre 1999 e 2000. Ou seja, apesar de uma mesma premissa, as séries acabaram bem diferentes entre si, principalmente devido às mudanças na versão americana, que ampliou o número de personagens, as cenas de sexo e alcançou um grande sucesso de público e crítica ao redor do mundo.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Nós e Eles




Apesar de causarem certa repulsa em muita gente, adoro assistir filmes de terror, pois o gênero consegue revelar parte do reflexo dos medos que a sociedade enfrenta.  Desde os primórdios, sempre foi assim.  O Gabinete do Dr. Caligari (1920), por exemplo, é um filme de horror categorizado na estética do expressionismo alemão que evidencia o regime totalitário nazista, através das luzes, sombras, cenários tortos e a manipulação dos personagens. 

Com o fim da Segunda Guerra, também surgia o medo dos conflitos entre EUA e União Soviética na Guerra Fria e a ameaça nuclear, gerando produções com invasões alienígenas e monstros japoneses como Godzilla.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Gloria Groove, a Nova Dona do Pedaço





O reconhecimento está vindo, Brasil! Glória Groove, finalmente, começa a receber os holofotes que tanto merece! A drag passou a ser a mais escutada no Spotify, foi convidada para cantar no palco Sunset do Rock in Rio e chegou à marca de 1 milhão de seguidores no Instagram... Uffa! 

Parece muito, mas eu acho é pouco ainda. Lembro até hoje do impacto que senti ao assistir ao clipe de Dona. Viciei de imediato e sai mandando para os meus amigos. Cada novo clipe foi um delírio de felicidade diferente. Logo depois veio o primeiro álbum chamado Proceder. Glória mostrava toda sua influência do rap, R&B e soul!

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Visitando a Velha Casa




Nesse último sábado, vivi um dia de nostalgias: convencido a ir a um espetáculo de humor da Companhia Barbixas chamado Improvável (que eu já havia visto algumas vezes no Youtube e realmente acho bem legal) no Teatro Abel, em Niterói, me deparei com uma volta no tempo em diversos aspectos. Niterói foi a cidade onde nasci e morei até os 25 anos e o Teatro Abel fica dentro do colégio no qual estudei dos seis aos 17 anos, o antigo Instituto Abel (agora renomeado de La Salle). 

Há quase dez anos morando no Rio, praticamente só vou a Niterói para visitar a família. Fazer passeios por lá é algo raro e que, muitas vezes, me soam como algo já superado na minha vida, uma etapa para a qual raramente volto. Porém, neste sábado, senti algo diferente: foi interessante rever aquele colégio, ver como mudou, comentar com os meus companheiros como eram as coisas na minha época e entrar naquele teatro, um dos maiores da cidade, onde também tive minhas histórias.

terça-feira, 2 de abril de 2019

"Invejoso, Eu?"



Em nossa quinta reflexão sobre os pecados capitais e da maneira em que eles estão inseridos em nossas atitudes mais do que imaginamos, vamos abordar um dos mais rechaçados (segundo Santo Agostinho, esse é o pecado diabólico por excelência): a INVEJA

A inveja nada mais é que a tristeza de ver o outro feliz. Simples assim. Você olha a conquista do outro e, se consciente ou inconscientemente, aquilo lhe traz a sensação de querer viver aquela situação (mesmo quando pensamos: “é uma inveja 'branca', pois não quero tirar dele, fico até feliz por ele, mas queria também viver isso”), sim, querido (a), você tem traços de inveja! A pessoa invejosa contempla a inferioridade alheia ou, quando mais suavemente, a equiparação em relação ao outro, e encontra alívio nisso. 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Os Ecos do Presente Ainda Reverberam no Coração do Barão de Mesquita





Eram tempos cínicos, de respostas cínicas. As decisões precisavam ser tomadas e eram. As decisões eram parecidas com as atuais, mas como eram tempos cínicos, ninguém estranhava.

- Este?
- Este. Aquele. Pouco me importa. Qualquer um está bom.

Em tempos cínicos, baixos são baixos, anões são anões, negros são negros, branquelos são branquelos. Os diferentes não são diferenciados. Humanos são humanos.

- Mas este tem olhos azuis.
- Qual o problema? É tão filho da puta quanto alguém com olhos cor de merda.
- Mas já é o terceiro seguido hoje.
- Ok, escolhe outro agora. Manda um manco qualquer então.