quarta-feira, 10 de abril de 2019

20 Anos de Matrix






O filme Matrix, das irmãs Wachowski (que à época eram ainda “irmãos”), completou 20 anos agora e isso me impressionou um bocado. Primeiro, por ter noção do tempo que já passou – duas décadas é coisa pra caramba; segundo, por me dar conta de que o assisti com 14 anos apenas; terceiro, por ver o quanto a história e sua estética impactaram não somente o cinema mundial, mas também o imaginário popular. Tornou-se um clássico atemporal. 

Os questionamentos sobre a realidade em que vivemos e até que ponto não estamos apenas em uma simulação da vida real praticamente se tornaram sinônimos de Matrix. Quem nunca ouviu alguém comentar algo nesse sentido e mencionar o filme? Ou ter um déjà vu e falar que foi falha na Matrix? Ou brincar que “não existe colher” (“There is no spoon”)? Ou brincar que está fugindo de balas ou outras coisas arremessadas contra si em câmera lenta? Ou mencionar que está consultando uma pessoa como “Oráculo”? 

Poucas são as oportunidades de estar diante de um filme que muda a estética ou estrutura das produções que vêm depois dela. Acho que Matrix foi, de fato, a minha primeira experiência nesse sentido no cinema. Lembro-me de outro marco da mesma década, que foi Pulp Fiction, que, além de trazer a estética de Tarantino de uma forma bem icônica, causou ao contar a história cronologicamente desorganizada, sem ser por flash backs – mas não assisti no cinema, apenas em casa, anos depois. Isso abriu um imenso leque de películas que se permitiram repensar a forma de trazer suas histórias. Um exemplo muito comentado, um pouco fruto de Pulp Fiction, foi Amnésia, que contava a história de trás para frente. O filme até era bom, mas essa inovação foi o que mais fez sucesso. 

O questionamento da nossa realidade também é um assunto extremamente atual e atemporal. Matrix trazia uma tese de que pouquíssimos de nós conseguiriam ter a consciência de que vivem de forma fantasiosa em um mundo que, na verdade, sequer via mais a luz do dia. É curioso pensar que, ao nos depararmos com esse tipo de teoria da conspiração lá na década de 1990, hoje somos obrigados a conviver com terraplanistas e combatentes da Ursal ou da Nova Ordem de forma convicta – pessoas que creem estar fugindo da manipulação mas, na verdade, estão apenas reabrindo manipuladamente debates encerrados na nossa História (alguns, séculos atrás). 

Recomendo a qualquer um ver Matrix. É um filmaço, além de ser instigante e cheio de efeitos visuais. As suas sequências Reloaded e Revolutions não são tão boas (o terceiro filme é melhor do que o segundo, mas ambos são inferiores ao primeiro), mas vale a pena conferir a trilogia toda.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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