segunda-feira, 8 de abril de 2019

Pop Séries: Queer as Folk





O universo gay retratado de forma natural numa série de televisão, não apenas com estereótipos, mas mostrando os gays como eles realmente são e vivem, sem exagerar ou amenizar nas cores. Era essa a proposta de Queer as Folk (Os Assumidos, no Brasil), que foi cumprida durante as cinco temporadas em que a série esteve no ar. E isso, no início dos anos 2000, quando personagens gays não eram comumente vistos nas produções televisivas como são hoje. 

Produzida pelo canal por assinatura americano Showtime – o que por si só já significava, na época, maior liberdade para os produtores nas cenas mais ousadas -, Queer as Folk não foi uma produção original. A série americana foi baseada em uma produção homônima britânica, que durou apenas duas temporadas entre 1999 e 2000. Ou seja, apesar de uma mesma premissa, as séries acabaram bem diferentes entre si, principalmente devido às mudanças na versão americana, que ampliou o número de personagens, as cenas de sexo e alcançou um grande sucesso de público e crítica ao redor do mundo.

Na cidade de Pittsburgh, na Pennsylvania, acompanhamos o dia a dia de cinco homens homossexuais. Brian Kinney (Gale Harold) é o belo executivo de apetite sexual desenfreado e que vive sem amarras e restrições; Justin Taylor (Randy Harrison) é o adolescente de 17 anos que perde a virgindade com Brian e se apaixona por ele, ao mesmo tempo em que passa a enfrentar os obstáculos por assumir tão abertamente sua homossexualidade em casa e na escola; Michael Novotny (Hal Sparks) é o melhor amigo de Brian – e secretamente apaixonado por ele -, uma espécie de narrador da história, que tem na mãe Debbie (Sharon Gless) uma ativista pelos direitos gays; Emmett Honeycutt (Peter Paige) é o gay afetado do grupo, responsável pelas tiradas mais divertidas e que acaba se envolvendo no decorrer da história com um de seus amigos; e Ted Schmidt (Scott Lowell) é o amigo complexado, que se acha feio e nutre paixões platônicas por seus amigos. Além disso, completam o grupo as personagens Lindsay Peterson (Thea Gill) e Melanie Marcus (Michelle Clunie), um casal de lésbicas que tem alguns problemas devido à paternidade do filho de Lindsay ser do amigo Brian.

Uma questão curiosa e sempre levantada pelos fãs era a origem do nome da série. Por isso, é interessante notar que Queer as Folk nada mais é que uma brincadeira com um conhecido ditado em inglês que diz “nobody is so weird as folk” (que em português seria algo mais ou menos como “ninguém é tão estranho como nós”). Com uma pequena alteração, o ditado virou “nobody is so queer as folk” (em português, “ninguém é tão gay como nós”). Com uma contração do ditado alterado chegou-se ao nome da série.

Tratando abertamente de assuntos normalmente tabu, Queer as Folk conquistou uma grande base de fãs que acompanhavam, semanalmente, os personagens envolvidos em dramas que envolviam sexo sem compromisso, doenças sexualmente transmissíveis, abuso de drogas, entre outros. Mas também mostrava que os homossexuais são pessoas normais, com os mesmos problemas, qualidades e defeitos que os heterossexuais. Que a orientação sexual daqueles personagens era apenas mais uma característica entre as várias que eles possuíam como seres humanos.

Por suas polêmicas e inovações, Queer as Folk tornou-se assim uma série inovadora e que até hoje é sempre lembrada com carinho por seus fãs de todo o mundo, que acabou abrindo caminho para produções posteriores que, direta ou indiretamente, como Looking, por exemplo, beberam em sua fonte, brindando o público gay com histórias que mostravam a seu cotidiano de maneira mais direta e objetiva.

Pra quem era fã (ou para quem vai se tornar depois de assistir devido a essa dica incrível - e eu ainda digo que é possível ver toda a série online, cata o link) uma boa notícia: o Vulture, site conceituado americano sobre cultura pop, anunciou no final de 2018 que a série vai ganhar um reboot para o canal Bravo, com novos personagens e questões ligadas ao amor, trabalho e preconceito em nossos dias, tocada pelo criador da série inglesa original. Sério, é pra fica ansioso, vamos aguardar!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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