quinta-feira, 11 de abril de 2019

R.I.P. Rio de Janeiro




O slogan é Cidade Maravilhosa. Só que a realidade está bem longe disso, já faz um bom tempo. A violência sempre foi um tipo de bônus que os cariocas têm de pagar em troca das belas paisagens. Tão intrínseco em nossa realidade que já foi retratado em filmes, novelas e manchetes de todos os tipos de jornais. 

Mas a cidade possui uma constante prova de resistência natural. Sempre que chove o carioca já sabe que uma rua vai alagar, que o ônibus vai atrasar e ir de metrô acaba sendo mais rápido (dependendo de onde você quer chegar). Mas em 2019, a natureza decidiu mostrar toda sua força e o poder público toda sua omissão. No início do Carnaval, festa pela qual o Rio de Janeiro e o Brasil são conhecidos nacionalmente e internacionalmente, uma chuva colocou tudo em risco. Parecia que a folia não teria como colocar o seu bloco na rua. Será que os santos e anjos, que sempre protegeram essa cidade, estariam protestando contra algo? Tentando nos avisar de alguma coisa? Vai saber...

Mas carnaval aconteceu: alegria para todos os lados e muita chuva e caos do outro. Mas tivemos o tão aguardado e querido carnaval. Uma festa popular e que sustenta uma pluralidade de discursos. Contraditórios em alguns casos e representativos de outros. Mas essa é, da sua maneira, a função do carnaval, não é mesmo? 

Mas se as águas de março se foram, a tempestade de abril veio com toda sua força. Acho que o país inteiro pode acompanhar o quanto o Rio de Janeiro sofreu. Os cariocas são guerreiros e continuam errando ao eleger certos políticos aos cargos que ocupam. Não é de hoje que não existe estrutura na “cidade maravilhosa”, como não é de hoje que a rua Voluntários da Pátria alaga quando chove mais forte... Sei disso desde que me entendo por gente. Morei em Botafogo, estudei por ali perto. É de conhecimento geral essa informação... Entra governo e sai governo e nada muda. Pessoas morrem, milhares perdem suas posses (não importando se é muito ou pouco, mas são perdidas em momentos como esse) e o poder público nada faz. Mais uma tragédia que se lamenta, roupas e comidas são separaras em igrejas e locais de coleta de donativos... E novos moradores de rua surgem, em um passe de mágica... 

É aquele velho problema sem fim. Não querem dar dignidade para quem tem pouca renda e mora em área de risco; dizem que pobre gosta de ser pobre e receber tudo de graça. Dizem, aqueles que herdaram fortuna de famílias, frequentaram escolas de bom nome e não sabem o que é passar necessidade. Uma incoerência coerente, de acordo com o país em que vivemos.

O Rio de Janeiro acabou. Nem o Leblon é mais protagonista das novelas. Nem o Rio de Janeiro é o principal cartão postal desse país... É, o Rio de Janeiro acabou, mas o Brasil é o país do futuro, era o que já dizia a Legião Urbana... Pois é!

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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