terça-feira, 30 de abril de 2019

Um Ano de Barba Feita: Minha Homenagem aos Barbudos Mais Charmosos do Rio de Janeiro






Esse texto, acreditem, comecei a escrever no meu primeiro mês como colunista do Barba Feita. Eu já sabia que queria escrever sobre esses quatro caras se eu conseguisse completar um ano aqui, mas como ainda não os conhecia profundamente, eram apenas ideias e esboços. Hoje, feliz por completar meu primeiro aninho (minha primeira coluna foi ao ar no dia 1º. de maio de 2018), realizo também outro feito: escrever sobre meus amigos/colegas de tantos editoriais.

Querem ter uma visão do Julico sobre os outros quatro barbudos mais charmosos do Rio de Janeiro? Venham comigo, então! 

O Sátiro Lequinho: “Eu sou um fofo. Um querido”. Assim o próprio Leco se define no seu status do WhatsApp (pronto, falei logo porque não sou baú!). Quer coisa mais debochada-leonina-pretensiosa? Dono dos melhores jargões do nosso grupo, ele deveria ser roteirista d`Os Normais. Seu pensamento e respostas rápidas e inteligentes são um exercício contínuo e raivoso para os meus revides. Travar um debate (ou embate?) com o Leco é realmente se sentir uma Vani ou um Rui. Tem que ser tudo muito rápido, preciso e inteligente, pois dificilmente ele fica sem resposta para alguma questão. Ter meu primeiro texto aprovado pelo Big Boss do Barba Feita foi uma das minhas maiores conquistas nestes últimos doze meses. E tem sido uma graduação intensiva sobre a arte de argumentar. Um exercício paciente de paciência (porque ele consegue às vezes me tirar do sério!). Ele não sabia, até ler o que vou escrever agora, de como fiquei feliz com as (poucas kkkk) vezes que ele elogiou um texto meu. Esse era o sinal que estava muito, muito, muito bom, pois para passar pelo teste de qualidade do Leco, ser bom já era o mínimo e acho que por isso fui ficando. É, galera, eu acho que “fiz o requisito”... Mas, um dia, eu conheci o lado fofo que ele diz ter. Foi uma das energias mais incríveis que circularam dentro da minha casa. Sabe aquela pessoa que olha suas coisinhas, seu espaço construído com tanto amor e os olhos brilham como se fosse uma conquista delas próprias? Eu, como um cara muito observador, vi que ele, sem querer, deixou transparecer isso. E essa é uma característica das pessoas verdadeiras: não dizer, mas mostrar de forma não intencional o que realmente são. Ali eu percebi que o Leco debochado era, no fundo, um cara realmente fofo, um querido!

O Rodriguiano PH: Eu sempre disse ao Paulinho: “você é a personificação dos papéis escritos por Nelson Rodrigues, e com essa carinha de anjo faz coisas que o diabo duvida”. Dono de um (belo) par de olhos verdes, pele alva e jovem, dentes protegidos por um reluzente aparelho dentário, Paulinho poderia dizer que tem a metade de sua idade. Até abrir sua boca. Tem um dos papos mais inteligentes que conheço e poderia se tornar facilmente um psicólogo, tamanha a assertividade em dar aquele conselho que você precisa, na hora certa. Inteligentíssimo e culto, é um partidão! Ter um marido só para domar essa fera seria pouco, de fato. Tem uma inteligência emocional fora do comum e mesmo quando está puto, consegue ser um lorde. Quando estou confuso com minhas atitudes, recorro ao menino com cara de anjo. Tudo bem que, às vezes, ele me dá uns conselhozinhos beeeem diaboliquinhos (se Nelson Rodrigues fosse vivo, certamente o Paulinho não seria somente uma das personagens, mas protagonista de várias de suas histórias). Mas apesar de toda essa pimenta, me reconforto com sua leveza de ver as coisas. Para ele tudo um dia irá se ajeitar. Tudo sempre se ajeita. E como é bom ser amigo deste cara! Ele tem em suas atitudes a essência dessa palavra e não faz o menor esforço em ser aquele melhor amigo, pois ele já é, por natureza. Feliz de nós que temos a oportunidade de convivermos com o doce veneno do menino Paulinho. 

O Ursinho Carinhoso do Sil: Sabe aquele abraço que dá vontade de você morar? Sabe aquele sorriso que se tivesse sabor seria um pote de mel? Sabe aquela pessoa que mesmo quando vai contestar ou brigar consegue ser doce? Esse é o Silvestre. Parece exagerado demais toda essa docilidade, não? Mas ele é exageradamente gentil. Um gentleman. Eu olho o Sil e tenho vontade de sorrir. O mundo na presença dele fica melhor, fica mais leve, fica em paz, porque ele exala isso. Ele é o nosso componente global e que dá as melhores dicas de playlists do que está por vir e sua assertividade no que vai bombar é quase sempre certeira. Antes de conhecer profundamente o Silvestre, eu o achava antipático, calado. Na verdade, descobri com nossa convivência, que ele é tímido, o que o torna mais fofo ainda. Escrever sobre o Sil é me tornar repetitivo pois poucos seres humanos na vida, que conheci, reúnem tantas qualidades de caráter como ele. E quando eu, no alto da minha pretensão, achei que já havia evoluído muito como ser humano, Deus colocou um Silvestre no meu caminho para me mostrar que eu tinha dado apenas o primeiro de infindáveis passos.

O Polímata Marquinhos Araújo: Tive que procurar no Google uma palavra que resumisse a expressão “um homem que fala sobre tudo” e achei essa! Polímata é uma palavra de origem grega que define aquele que aprendeu muito, uma pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área. Em termos menos formais, um polímata pode referir-se simplesmente a alguém que detém um grande conhecimento em diversos assuntos. E o meu “pandinha” é exatamente assim (Desculpe, mas se é pra ser íntimo já entrego logo o apelido conjugal!). Há 11 anos juntos, caminhar ao lado dele, na vida, é como se eu visse uma seta em direção às palavras “aprimoramento” e “superação”, e não parasse de correr em direção à elas. Marcos fala de rock como ninguém e vai láaaaaa do outro lado musical e tece as melhores críticas sobre sambas-enredo e desfile de escolas de samba. Fala de política como um cientista do assunto e se diverte fazendo os memes mais toscos do Snapchat. Ri das piadas mais sem-graças para, em seguida, embarcar num debate sobre economia mundial. Me conduziu como um experiente guia turístico na Europa (sim, porque quando viajamos ele estuda o lugar que iremos nos hospedar e parece que viveu a vida inteira naquele lugar), mas não se furta em atravessar o túnel da Central do Brasil me ajudando a carregar as minhas várias fantasias de carnaval dentro de sacos plásticos superempoeirados. Ele é isso. Meu in-yang. Meu professor, mentor, assessor, crítico e fotógrafo particular. Desculpe as invejosas, mas estar casado com o Marcos é sambar na cara dazinimiga

Então, pessoal, essa é uma parte do meu mundo azul. Meus quatro guardiões. Meus quatro elementos. Meus professores. À vocês, certamente haverá um capítulo exclusivo e especial a ser escrito na história da minha vida. Obrigado, meninos! Obrigado por serem tão pacientes e generosos em dividir com um iniciante esse projeto de tanto sucesso e me embebedarem de saberes. Amo vocês!

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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