segunda-feira, 29 de abril de 2019

Urca: Trilha Leve e Praia em Uma Mesma Manhã




Viver no Rio de Janeiro é, literalmente, viver entre a beleza e o caos. O clichê, repetido à exaustão, faz parte da rotina dos cariocas, que se viram e rebolam para manter a sanidade em meio à uma cidade abandonada pelo poder público, mas absurdamente linda e acolhedora. Entre antíteses, vivemos.

E no último sábado, querendo espairecer a cabeça e aproveitando o dia de sol e céu azul, minha amiga Suzana e eu resolvemos bater perna por aí, mas sem nos preocupar com grandes preparações. Queríamos mato e beleza, mas também praticidade. Então, onde ir? Urca, é claro.

A Urca é aquele bairro charmoso da Zona Sul do Rio, com apenas uma entrada e saída, lar de alguns poucos privilegiados. Mas, de fácil acesso e com paisagens lindas, atrai turistas (o Pão de Açúcar fica bem ali no início do bairro) e moradores de toda a cidade. Isso sem contar que é um point da galera mais jovem e/ou descolada, que adora ficar bebendo pela Mureta da Urca (ou, se você for mais pão duro ou econômico, tem a Pobreta também) apreciando a paisagem deslumbrante.

O Pão de Açúcar todo mundo conhece. Um dos cartões postais da cidade, a subida de bondinho é um dos passeios obrigatórios para turistas de todo o mundo. E, exatamente por isso, também custa bem caro. Eu, pelo menos, acho um absurdo pagar 110 fucking biroliros para subir a montanha de bondinho. E daí que vem o macete pra quem quer curtir o visual, mas não desembolsar essa grana toda: a subida para o Pão de Açúcar se dá em duas etapas, primeiro com um bondinho até o Morro da Urca, com desembarque e então pegando-se outro bondinho até o Pão de Açúcar o morro mais alto. Mas, para chegar até o Morro da Urca e apreciar bastante do passeio sem a obrigação de ir até o Pão de Açúcar, é possível utilizar uma trilha tranquila e de nível fácil, com uma subida que dura aproximadamente 30 minutos. Ou seja, você economiza R$ 110, se exercita e ainda se sente esperto. Com boas dicas, trabalhamos.

Ao chegar na Urca (e eu cheguei pedalando, curtindo o visual da manhã iluminada do trajeto Aterro do Flamengo - Enseada de Botafogo - Urca), basta seguir pela Pista Claudio Coutinho, que fica à esquerda da praia da Urca, caminhar alguns metros e se deparar com a entrada da Trilha do Morro da Urca. Bem sinalizada e conservada, a trilha não exige muito esforço e até pessoas sem preparo físico conseguem subí-la, já que é mais um caminho bem cuidado que uma trilha propriamente dita. E o visual, meus caros, vale muito a pena. 

As paisagens

Papeando e se distraindo, quase não dá pra sentir a caminhada. E, quando se vê, já estamos no Mirante da Urca, um platô de madeira que já dá um gostinho do que nos espera um pouco pra cima no Morro da Urca propriamente dito. Ali você para, respira, se encanta com o visual e sobe mais uns poucos metros para chegar ao seu destino final.

No Morro da Urca não tem erro. Não há distinção se você chegou ali de bondinho ou pela trilha e você só curte a vista e o clima. Pode sentar e tomar um café ou ficar apenas olhando para todo o visual da cidade que insiste em ser maravilhosa apesar de maltratada. A única diferença pra quem subiu pela trilha é que você não pode pegar o bondinho para o Pão de Açúcar e, para voltar, tem de descer por ela também, o que, convenhamos, não é nenhum sacrifício.
A egotrip


Como  o sábado estava lindo, minha amiga e eu fomos preparados: a ideia era subir e trilha e, ao descer, dar um mergulho no mar da Praia da Urca. E, que delícia, meus amigos. Num dia quente de outono carioca, a água da praia estava cristalina e morna, e ficamos ali nos deliciando com a paisagem, falando da (nossa) vida e relaxando depois da subida e descida do morro.

Em uma única manhã, aproveitamos bastante do que o Rio pode nos oferecer de bom, tanto que por volta das 14h eu já estava em casa, relando e me preparando para uma seção de Netflix. Afinal, depois de um exercício físico, nada como a preguiça e o ócio, não é mesmo?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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