quarta-feira, 3 de abril de 2019

Visitando a Velha Casa




Nesse último sábado, vivi um dia de nostalgias: convencido a ir a um espetáculo de humor da Companhia Barbixas chamado Improvável (que eu já havia visto algumas vezes no Youtube e realmente acho bem legal) no Teatro Abel, em Niterói, me deparei com uma volta no tempo em diversos aspectos. Niterói foi a cidade onde nasci e morei até os 25 anos e o Teatro Abel fica dentro do colégio no qual estudei dos seis aos 17 anos, o antigo Instituto Abel (agora renomeado de La Salle). 

Há quase dez anos morando no Rio, praticamente só vou a Niterói para visitar a família. Fazer passeios por lá é algo raro e que, muitas vezes, me soam como algo já superado na minha vida, uma etapa para a qual raramente volto. Porém, neste sábado, senti algo diferente: foi interessante rever aquele colégio, ver como mudou, comentar com os meus companheiros como eram as coisas na minha época e entrar naquele teatro, um dos maiores da cidade, onde também tive minhas histórias.

Lá no início da adolescência, atuei uma vez num concurso interno de peças num espetáculo escrito e dirigido por mim, totalmente inspirado em Sai de Baixo. Tenho lembranças daquele dia até hoje; em uma das minhas primeiras cenas, eu perguntava à plateia se alguém havia visto as minhas meias – e me lembro de uma menina me responder com a cabeça que não. Após terminar a apresentação (que foi eliminada e não passou para a final), fui abordado por um senhor que estava na plateia, elogiando a minha atuação e dizendo que meu estilo parecia com o do Murilo Benício (outro niteroiense). Agradeci e estava crente que viria um convite para algum teste ou coisa do tipo. Mas não veio, foi só elogio mesmo... 

Também nesse teatro participei de um evento chamado Prêmio da Perseverança, que era dado aos alunos do Abel que entraram na antiga primeira série e ficaram até o pré-vestibular de forma ininterrupta. Subi no palco para ganhar a minha canetinha e meu diploma, juntos aos colegas da primeira turma de 1991, a antiga turma D (o Abel tinha mais de 10 turmas por série, com 50 alunos cada). Até a professora da primeira série, tia Graça, foi convidada a participar. 

Depois do espetáculo (que foi bem divertido, entretenimento puro), fomos comer pizza no 7 Grill. Perdi a conta de quantas vezes na minha adolescência e juventude eu fui ao 7 Grill encher a pança de massas no rodízio que eu sempre considerei o melhor da cidade... Inclusive, comemorei alguns aniversários por lá. O restaurante mudou um bocado após algumas reformas, mas continua com os mesmos sabores que me remetem àquela época (inclusive a pizza de banana com canela – e sem queijo! – pra mim, a melhor que já comi até hoje). 

Foi um passeio simples, com coisas simples, e que me lembraram também outras coisas simples de quando era mais novo. Mas, às vezes, é bom se revisitar assim, ainda que com um espetáculo de improvisação ou se entupindo de pizza. É bom se sentir em casa mesmo um pouquinho longe de onde a gente mora hoje em dia.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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