sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em Dias Bons, Não Penso Nela





“Morre quem mereceu  e quem não merecia
morre quem viveu bem  e quem mal sobrevivia 
morre o homem sadio  e o que fumava e bebia
morre o crente e o ateu  um do outro companhia”
(Cadáver Sobre Cadáver – Titãs)

Volta e meia eu abordo o tema da finitude por aqui. Apesar da certeza de que um dia todos nós partiremos, ainda é muito sofrido pensar nisso, pois sempre tive pavor da morte. Não sei explicar se é exatamente o pavor de morrer ou o fato de deixar de viver. Pode parecer para muitos a mesma coisa, mas no meu entendimento, são situações distintas.

Tenho medo de sentir dor. Para mim, dor e morte estão intrinsecamente conectados. Ilogicamente (admito), acabo muitas vezes postergando ações que poderiam promover minha saúde, com medo de sentir dor e morrer. Tenho medo do ataque cardíaco fulminante, da explosão do tiro, da queda do avião, do afogamento. Penso sempre naqueles momentos que devem ser agonizantes, como os que Alfred Hitchcock mostrava nas telas. O cineasta dizia que gostava de captar a expressão do horror que vinha antes do fato que causaria a morte em si: a expressão do medo de alguém tentando se livrar Dela.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Brooke Lynn Hytes ou Yvie Oddly: Quem é a Vencedora de RuPaul’s Drag Race?





Hoje termina mais uma temporada de RuPaul’s Drag Race mas, bem diferente do que aconteceu nas últimas finais do programa, duas candidatas merecem levar essa coroa. Durante toda a competição, cada uma mostrou o potencial de sua drag, chegando até a errarem no mesmo ponto (no Snatch Game) e disputando um lipsync poderosíssimo. Com toda certeza, Brook e Yvie fizeram por merecer estar nessa final. 

Desde a sétima temporada, RuPaul’s vinha convocando um certo padrão de drag queens. O público já vinha identificando esse tipo de escolha e xingava muito no Twitter. Mas esse ano fomos surpreendidos. O cast teve um toque das temporadas iniciais, mostrando para os fãs do reality, inclusive os mais novinhos, que não existe só um tipo de drag. Alguns, erroneamente, estavam presos ao único conceito de beleza... e só. Mas é preciso recordar sempre que acima de tudo, drag é arte!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Aladdin: Um Amor Antigo (e Atual)






Aladdin é simplesmente o filme da minha infância. Eu o assisti ao menos oito vezes, mais umas três da continuação, O Retorno de Jafar. Sempre foi o meu favorito daquela nova Era de Ouro da Disney, que povoou tanto a mente da minha geração. Por isso havia tanta expectativa da minha parte para ver o prometido live action que estreou na semana passada. E corri pra assistir logo no sábado 

Se eu gostei? Amei! Com pequenas ressalvas, mas amei. Se você nunca viu a primeira versão do Aladdin, melhor tomar cuidado para não pegar qualquer spoiler nesse texto. Se você já viu, prometo que tentarei não ser estraga-prazeres, ok?

A escolha de Guy Ritchie para dirigir esse clássico foi um bocado ousada. Mas funciona. Lá estão suas cenas de perseguição sempre bem executadas e a câmera levemente acelerada em determinados momentos, que pode gerar algum incômodo para os mais desavisados, mas que eu achei que super encaixou. A opção por juntar atores árabes e indianos carregou um quê de Bollywood, perceptível mais ainda nas cenas de dança. E esse mundo mesclado da fictícia Agrabah desfila muitas cores e sensações pela tela. Um espetáculo visual.

terça-feira, 28 de maio de 2019

A Vida é Um Sopro...





Mais uma vida se vai. A semana inicia com a notícia do acidente aéreo com o cantor Gabriel Diniz, pouco depois de gravar um vídeo subindo na aeronave superfeliz. Lembro como se fosse hoje de quando via a reportagem da queda do avião da delegação de futebol do clube Chapecoense, em novembro de 2016. Nele, os jogadores também estavam em clima de alegria e festa, afinal, o clube estava tomando notoriedade fora da pacata cidade de Chapecó, passando a ter visibilidade internacional. Ainda na última semana, completaram-se 9 anos da queda do avião da AirFrance, que tinha a bordo 228 pessoas que viajavam do Brasil rumo à Paris, a Cidade Luz, a cidade dos sonhos. Alguns iam estudar, outros em lua-de-mel, outros a trabalho ou, a mero passeio.

Preâmbulo extenso à parte, antes que chovam as críticas sobre “quantas pessoas morrem hoje em dia, e por não serem famosas ninguém fala nada”, o meu objetivo aqui não é falar da morte de alguém famoso. Mas falar dessa passagem que pode acontecer a qualquer momento, com qualquer um de nós. E, o que você tem feito no dia-a-dia para ser uma pessoa melhor? Para ser lembrado com saudade pelos que convivem com você? E, principalmente, como você tem usado seus dias para fazer algo de realmente útil ao invés de entrar no sistema de ataques e contra-ataques que temos vivido no mundo nos últimos tempos?

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Eu Me Lembro (?)





"E foi assim que eu vi que a vida colocou ele pra mim
Ali naquela terça-feira (?) de setembro (?)
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cór
Pode me perguntar de cada coisa que eu me lembro..."
Eu Me Lembro (Clarice Falcão & Silva)

Sábado é, normalmente, o dia em que escrevo as minhas colunas para o Barba Feita. Entre um afazer e outro, como organizar as bagunças e sair para a minha corrida, eu vou pensando no que escrever, no que pode ser relevante, no que fazer para não deixar esse espaço em branco. 

No último sábado (que para mim é nesse exato momento), com um dia lindo, mas com uma mudança de tempo se insinuando, eu parei preparando as coisas para receber uns amigos no fim do dia. E, entre o preparo de uma massa, uma xícara de café e mil pensamentos, me peguei cantarolando as músicas de uma playlist aleatória do Spotify. Foi quando as vozes de Clarice e de Silva encheram meu apartamento cantando Eu Me Lembro, uma música tão bonitinha e, ao mesmo tempo, tão agridoce... E me vi ali, sorrindo e cantarolando, mas prestando atenção na letra da música.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Nada Se Cria, Tudo Se Copia




Todo mundo deve se lembrar do Velho Guerreiro Chacrinha e seus bordões “Alô, Terezinha!”, “quem não se comunica se trumbica” e “eu não vim aqui para explicar, eu vim aqui para confundir”. Mesmo para quem não viveu a divertida época de seus extravagantes programas de auditório com os calouros, suas “buzinadas” e o tão famoso “troféu abacaxi”, conhece o pernambucano Abelardo Barbosa, considerado um dos maiores comunicadores da televisão brasileira, que morreu aos 70 anos em 1988, três meses antes da chegada do primeiro teste da internet no Brasil. 

Chacrinha repetia uma frase sensacional, provocando, com sua incontestável ironia, o próprio meio onde estabeleceu sua trajetória de sucesso: “na TV, nada se cria, tudo se copia”. Hoje, com as mídias sociais online totalmente estabelecidas na rotina da humanidade, o Velho Guerreiro teria um prato cheio para que pudesse explorar.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Acredite: Você é Mais Forte que Seus Obstáculos!





As histórias de gente interessante e de grandes feitos no mundo, são histórias de superação e de vitórias sobre grandes obstáculos.

Se você trabalha, terá dificuldades no trabalho.

Se é casado, terá dificuldades no casamento.

Se tem filhos, terá dificuldades com os filhos.

É preciso aceitar que os problemas fazem parte da vida. E eles não são exclusividade sua. Servem para contribuir com a nossa evolução como seres humanos. Quando algo de errado acontece na nossa vida, costumamos analisar o problema tão-somente sob o nosso míope ponto de vista. Consideramos apenas que nossa realidade piorou em relação ao que estava antes.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Será?




"It's not right, but it's okay
I'm gonna make it anyway..."

Fechei os olhos, senti a música e cantei a plenos pulmões. Pela primeira vez em algumas semanas, eu deixava tudo extravasar. Naquela festa, no primeiro lugar em que fomos juntos depois que nos conhecemos, eu olhava tudo como se eu não estivesse ali, analisando e pensando: "qual seria o comentário se ele estivesse aqui?".

E eu ri sozinho. Porque sabia exatamente qual seria o comentário e o desconforto e o incômodo. E ri me lembrando que foi na saída daquela festa que tivemos o primeiro desentendimento, a primeira briga e a minha primeira promessa de que "não, não mesmo, nunca mais". Tolinho eu. Tolinhos nós. 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Ensaio Sobre a Cegueira





Semana passada fomos surpreendidos por (mais) um vídeo bizarro da titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Aves, que virou (mais) uma grande chacota entre outras dezenas. No vídeo, cantarolando em tom debochado o tema principal de Elsa, do longa de animação Frozen, a ministra sustenta uma afirmação que a personagem da Disney vive sozinha por ser lésbica.

- Sabe por que ela termina sozinha no castelo de areia... de gelo? Porque ela é lésbica. Nada é por um acaso. Acredite. Gente, eles estão armado (sic), articulado (sic). O cão é muito bem articulado, e nós estamos alienados. Aí agora a princesa do Frozen vai voltar para acordar a Bela Adormecida com um beijo gay. – declarou, para em seguida concluir sua fala com a absurda suposição de que o filme traria impactos negativos na formação das crianças.

- Isso aqui é muito grave, sabe por que, gente? Eu fui menina e sonhei em ser princesa. Eu sonhei com meu príncipe encantado. A gente está abrindo uma brecha na cabecinha da menina de três anos para sonhar com princesa. Isso aqui é indução. - finalizou.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O Choro é Livre




Você já sentiu suas lágrimas presas na garganta? Não é bem na garganta. É como se as lágrimas estivessem prestes a cair, os olhos começando a arder e a garganta começando a fechar... Mas você trava tudo e não deixa isso acontecer. 

Relatar o choro é tão pior quanto chorar de fato. É racionalizar algo que nosso corpo faz e nossa alma se livra. Bonita essa reflexão. Acho que terei orgulho dela no futuro. Mas o caso é que estou com um choro preso. Meio entalado e meio saindo aos poucos... Não sei bem explicar como isso acontece, mas é como se a qualquer momento fosse abrir a torneira e seria nada mais que água salgada por todos os lados e um rosto inchado. 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Diego Hypolito Quer Falar Uma Coisa




Fomos surpreendidos na última semana com uma carta aberta de Diego Hypolito sobre sua sexualidade. Para muitos, poderia não ser surpresa o fato de Diego ser gay. Mas não deixa de ser surpreendente o seu comunicado a todos, como forma de se libertar de algo que o estigmatizava e o perseguia desde que ele se tornou famoso. Afinal, muita gente já imagina que ser ginasta "é coisa de viado" - ainda mais Diego, que sempre teve trejeitos que poderiam ser considerados mais afeminados, algo que acaba sendo marginalizado até mesmo no meio LGBT.

Logo após o texto de Diego circular e tomar a imprensa e a internet, começou uma série de piadas nas redes sociais a respeito de sua saída do armário. Muita gente ironizando, dizendo que não era segredo para ninguém, que ele não conseguia esconder nada sendo do jeito que era... E esses comentários vindos, principalmente, de LGBTs. Ok, ele pode parecer gay desde sempre aos olhos da sociedade em que vivemos (moldada nos parâmetros do machão inveterado), ainda mais entre outros gays, que têm maior facilidade de identificar semelhantes. Mas, sem dúvida, é nosso dever respeitar o processo de aceitação de cada um com a sua sexualidade. A verdade bate à porta de cada um no momento certo.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Encontrando a Inspiração Na Falta Dela Mesma





Todos nós já ficamos, ao menos uma vez, na frente da tela do computador, sem conseguir escrever nada e nem pensar em nada que nos inspirasse. Às vezes, esse pensamento vago acontece também no nosso dia-a-dia: você se vê no trampo, olha a tela em branco, lembra-se de dar uma resposta num dos tantos e-mails, volta e encontra a mesma tela em branco. E ao final se vê num comportamento desesperador de se escrever qualquer coisa porque não aguenta mais aquela falta de ideias?

Às vezes, em nossas rodas de conversas virtuais daqui do Barba, falamos sobre isso. Afinal, haja conteúdo para se apresentar uma vez por semana, além dos compromissos com o trabalho, com casa e outras tarefas de nossa rotina. Mas o que quero trazer à reflexão hoje não é exatamente sobre os textos que tenho o compromisso de produzir semanalmente, mas a falta de inspiração que, às vezes, nos consome no decorrer da vida.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Se Eu Não Tivesse Te Conhecido





E se você pudesse saber o que teria acontecido com a sua vida se, naquele momento de decisão, você tivesse tomado um outro caminho? E se você pudesse voltar até aquela bifurcação e observar os desdobramentos de uma decisão diferente? E se... E se... E se...

Quem nunca se pegou pensando a respeito, não é mesmo? Acho que faz parte de ser humano questionar até mesmo as decisões que tomamos com absoluta certeza. Porque até mesmo quando algo dá certo, o que será que teria acontecido se tivéssemos feito de maneira diferente?

Me peguei pensando nessas questões na última semana. Devido ao acaso, li a sinopse da série Se Eu Não Tivesse Te Conhecido, da Netflix, e, curioso fui conferir a história, me apaixonando pela forma em que ela foi contada. E as reflexões da trama acabaram vindo parar aqui, na minha coluna do dia.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Estamos Fritos





Estamos fritos.

Vocês já pararam para pensar que grande parte de nossa cultura, na nossa história recente, está descendo bueiro abaixo? Nossa educação, que nunca foi lá grandes coisas, está sendo sepultada, assim como quaisquer incentivos relacionados à produção cultural. Com tantos cortes de verbas, será possível continuar fazendo cinema e teatro no Brasil? Alguns artistas plásticos como o ótimo Samuel D´Saboia - que já foi até comparado como o novo Basquiat - estão fazendo sucesso em Nova Iorque e Paris. Mas e aqui? Alguém conhece este talento?

Museus estão sendo destruídos pelo descaso, centros culturais estão fechando as portas, editoras estão falindo. Nossa língua está sendo descaracterizada. Quem se importa com o uso dos pontos, vírgulas e pontos e vírgulas, assim como o plural de palavras compostas? O ministro da Educação comete a gafe de confundir comida árabe e um escritor tcheco: kafta e Kafka devem ser a mesma coisa, assim como ídolo e fã. Mudam a história a ponto de afirmarem que o nazismo foi um movimento esquerdista. Ou que a Terra não é redonda... Ou seriam os mesmos factoides da cortina de fumaça dos moldes do kit gay, mamadeira de piroca e Jesus na goiabeira?

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Cota Não É Esmola




Ontem estava vagando pelo Twitter e me deparei com mais uma notícia apocalíptica. Aparentemente, não é só o corte de dinheiro que chegará em breve às universidades. Uma proposta - feita por um dos deputados que quebrou a placa com o nome de Marielle - quer acabar com as cotas raciais nas universidades cariocas. 

Isso ainda surpreende você? Acredito que não. A tragédia era anunciada e só não acreditou quem não quis...

O Brasil possui uma enorme dificuldades de se ver como negro. O que não faz o menor sentido... Mas o Brasil não anda fazendo sentido mesmo. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Vingadores: Ultimato - Um Ponto Final Cheio de Catarse






Vingadores: Ultimato está nos cinemas e já até mencionei o filme por aqui na semana passada. Aliás, na nossa retrospectiva de 2018 do Barba Feita, coloquei o seu antecessor, Vingadores: Guerra Infinita, como o melhor do ano. Lógico que a expectativa era tremenda e eu mesmo não aguentei esperar mais do que um dia da estreia para ir ver (morrendo de medo dos spoilers que, como contei no texto da semana passada, quase me pegaram). E o filme segue quebrando recordes, podendo chegar à ponta dos que mais arrecadaram em toda a História.

O que dá pra falar sem spoilers: foi um belo encerramento para todo o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). E, imagino que para todos os mega fãs da Marvel, que acompanharam todos os 21 filmes, foi um dos momentos de maior catarse da vida. Uma série de referências a episódios anteriores do MCU fizeram a alegria de nerds, geeks e afins e tornaram a experiência ainda mais especial nesse ponto final desse primeiro arco narrativo. Eu admito que boiei um pouquinho em alguns poucos momentos ou não consegui pegar as alusões - o que não comprometeu o meu entendimento do todo. Além do quê, como também contei aqui no passado, sempre fui mais fã nos quadrinhos dos heróis da DC do que da Marvel.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Por Onde For Quero Ser Seu Par...




Vocês que acompanham o Barba Feita e as colunas que escrevo, acho que já perceberam o quanto gosto e me inspiro em situações do cotidiano, da minha vida e em letras de canções para desenvolver meus textos. E, não complementando o texto do Marcos Araújo, da última sexta-feira (Beth Carvalho, Madrinha do Samba), mas, pegando carona no tema central escolhido por ele, queria fazer um mix de conto-crônica-real com a música Andança, imortalizada na peculiar voz de Beth Carvalho, falecida no último dia 30 de abril.

Adélia, minha mãe, era fã dessa canção. E eu, como sou fã da minha mãe, virei fã também. Mas depois, fui percebendo que minha simpatia pela obra de Paulinho Tapajós, era muito além da minha afinidade com minha genitora. 

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Pop Séries: In the Flesh





Há muito que os seres fantásticos invadiram a televisão e o mundo das séries. O uso de criaturas sobrenaturais para chamar a atenção da audiência é antiga, mas a partir do estrondoso sucesso de séries como True Blood e The Walking Dead, os seres das trevas são presença constante na televisão mundial. E se as duas séries americanas citadas acima usavam e abusavam dos seres fantásticos como um pretexto para uma crítica social, In The Flesh, excelente série britânica de apenas duas (curtas) temporadas, segue o mesmo caminho. E faz isso de forma magnífica. 

Criada por Dominic Mitchell e situada em um mundo que viveu um apocalipse zumbi, In The Flesh tem uma interessante premissa: o que aconteceria se os mortos-vivos pudessem ser curados e reinseridos à sociedade? Mesmo com o motivo da "ressurreição" desconhecida, os que retornaram da morte são diagnosticados com a chamada Síndrome da Morte Parcial e, com uma substância química, podem ser tratados e ter suas lembranças recuperadas. Junte a isso uma maquiagem para disfarçar o aspecto apodrecido natural dos zumbis e, pronto, eles já podem voltar ao meio humano. A convivência dos humanos vivos com esses seres que retornaram e causaram tantos problemas em seu estado não tratado é o foco da série. 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Beth Carvalho, Madrinha do Samba





O pai de Beth Carvalho, com ideologias esquerdistas, tinha sido cassado em 1964 pela ditadura militar. Para superar as dificuldades, Beth começou a dar aulas de violão, instrumento que tinha aprendido a tocar ainda criança, influenciada pelas canções de Silvio Caldas, Aracy de Almeida e Elizeth Cardoso. 

Certamente, o seu engajamento aos movimentos sociais, culturais e políticos tenha sido herdado por conta da perseguição política que seu pai sofreu. Se no nosso cenário atual as pessoas tivessem “se ligado” no certo deboche e crítica de suas letras, provavelmente estaria sendo taxada de fascista revolucionária, já que Che Guevara era um dos seus ídolos.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

O Rival do Tinder... Na Netflix!




Lembro de quando Silvio Santos era o aplicativo de namoros na televisão Brasileira, em um época pré-smartphones, redes sociais e aplicativos de qualquer tipo. Eram os anos 90 e eu já achava tudo aquilo muito estranho. Não entendia a necessidade da pessoa ir até a televisão para achar alguém para namorar e casar. 

Com o passar do tempo, a gente entende que existem pilares em nossas vidas que é composta da seguinte configuração: família, amigos, trabalho e casamento. Aos poucos, a coisa foi mudando e a palavra casamento foi substituída por relacionamento. Afinal, nem todo mundo quer casar... mas todo mundo quer se relacionar. Não significa namorar, juntar ou qualquer variável dessa mesma ideia. As pessoas podem querer manter o seu status de solteira, mas isso não impede de beijar na boca e fazer sexo. Mas é esse tipo de interação com conhecidos ou desconhecidos que esperam de você. Sim, seus amigos, sua família e todos esperam que, no fim das contas, você esteja saindo com alguém e que isso acabe em algo... E gerar expectativa é uma merda.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Spoilers: Não Seja o Gordinho da Semp Toshiba




Quando eu era pequeno, existia um comercial que passava na TV sobre os videocassetes Semp Toshiba, no qual um menino gordinho passava na fila de um cinema e começava a cantarolar: “A mocinha morre no final, a mocinha morre no final!”. Depois ele passava de novo e completava: “Quem matou foi o marido, quem matou foi o marido!”. Em ambas as falas, ele terminava dando a língua para os clientes do cinema. A graça era mostrar que, em casa, usando seu videocassete, você não correria riscos de passar por isso – que acabou, posteriormente, ganhando o nome de spoiler. Mas, no fundo, a gente sabe que, em circunstância alguma, spoiler tem graça.

Infelizmente, temos vivido um momento em que há um certo prazer em estragar a surpresa dos outros com filmes e séries. Aliás, a tradução literal de "spoiler" é "estragador" - daí também vem a palavra "spoiled", que é "mimado", ou seja, aquele que foi estragado por outra pessoa atendendo às suas vontades sempre. Isso explica muita coisa: vivemos um período em que somos cercados por pessoas mimadas, que olham apenas para seus próprios umbigos e pensam apenas em si, além de quererem ser vozes ativas em redes sociais, donos de informações exclusivas que ninguém tem. Bum! Está pronto o caldeirão explosivo de spoiled que dão spoilers.