terça-feira, 28 de maio de 2019

A Vida é Um Sopro...





Mais uma vida se vai. A semana inicia com a notícia do acidente aéreo com o cantor Gabriel Diniz, pouco depois de gravar um vídeo subindo na aeronave superfeliz. Lembro como se fosse hoje de quando via a reportagem da queda do avião da delegação de futebol do clube Chapecoense, em novembro de 2016. Nele, os jogadores também estavam em clima de alegria e festa, afinal, o clube estava tomando notoriedade fora da pacata cidade de Chapecó, passando a ter visibilidade internacional. Ainda na última semana, completaram-se 9 anos da queda do avião da AirFrance, que tinha a bordo 228 pessoas que viajavam do Brasil rumo à Paris, a Cidade Luz, a cidade dos sonhos. Alguns iam estudar, outros em lua-de-mel, outros a trabalho ou, a mero passeio.

Preâmbulo extenso à parte, antes que chovam as críticas sobre “quantas pessoas morrem hoje em dia, e por não serem famosas ninguém fala nada”, o meu objetivo aqui não é falar da morte de alguém famoso. Mas falar dessa passagem que pode acontecer a qualquer momento, com qualquer um de nós. E, o que você tem feito no dia-a-dia para ser uma pessoa melhor? Para ser lembrado com saudade pelos que convivem com você? E, principalmente, como você tem usado seus dias para fazer algo de realmente útil ao invés de entrar no sistema de ataques e contra-ataques que temos vivido no mundo nos últimos tempos?

Nascemos, crescemos e passamos a vida sem muitas vezes perceber que tudo, absolutamente tudo, é tão passageiro e que nossa passagem por aqui é efêmera. Pena que muitos de nós demoram muito, ou talvez nunca se dão conta disso. Contando com a eternidade, muitos vivem como se nunca fossem morrer, outros morrem como se nunca tivessem vivido. Um dia você está beijando e abraçando uma pessoa, no outro você pode estar dizendo adeus, e tudo que restará serão somente as lembranças. Passamos a vida lutando, batalhando por um futuro melhor, uma vida melhor. Estipulamos data e lugar marcado para sermos felizes e realizados. Só nos esquecemos de um pequeno detalhe: o futuro não existe, porque quando ele chega, já é hoje. Portanto, tudo o que temos, temos agora, tudo o que somos, somos agora, e o amanhã pode nunca chegar.

Não, eu não estou sendo negativo – aliás, essa é uma característica que realmente não faz parte da minha personalidade -, estou somente enfatizando o fato de que podemos não ter o tempo suficiente para realizar todos os sonhos e desejos do nosso coração. Estou lhe dizendo que talvez você esteja perdendo tempo na profissão errada, com a pessoa errada, no lugar errado e tomando, por vezes, atitudes erradas.

Agrade mais o seu coração, talvez isso incomode a razão em algumas circunstâncias, mas não se esqueça de que quem bomba sangue em suas veias é ele. Então escute-o, cometa loucuras se for preciso, se arrependa, chore, ria, lamente, comemore, mas não deixe de viver. Não deixe para amanhã, não deixe para depois, porque aquele encontro tão bem planejado pode nunca acontecer. Sempre que abraçar ou beijar alguém que ama, faça como se fosse a última vez, porque na verdade nunca saberemos quando será de fato a última vez. Não tenha vergonha de ser intenso, não tenha medo de se jogar no desconhecido. Porque não há tempo que volte. 

O barulho da chuva no telhado, o pôr do sol na praia, o primeiro sorriso de uma criança, o primeiro beijo, andar descalço, tomar banho de chuva, rir até a barriga doer, namorar a lua, contar as estrelas, comer sua sobremesa favorita, conversas silenciosas entre dois olhares apaixonados, e o mais importante de tudo, apreciar e agradecer toda vez que o dia amanhecer e os nossos olhos se abrirem.

Ame, sorria, perdoe, seja humilde e não se venda por coisas, pessoas ou sentimentos baratos. Seja uma boa pessoa, tenha compaixão e dignidade. Tente ser bom e ter sentimentos bons, verdadeiramente. E quando finalmente se mudar para a terra da eternidade, que sua passagem seja feita com tranquilidade, serenidade e com a consciência tranquila com a sensação de dever cumprido, com a alma leve e o coração em paz.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Um comentário:

Nancixavierdebrito@yahoo.com.br disse...

Faço de suas palavras as minhas. "Viver e não ter a vergonha de ser Feliz". Agora tem RANÇO que não dá para esquecer.👏👏👏👏👏