quarta-feira, 29 de maio de 2019

Aladdin: Um Amor Antigo (e Atual)






Aladdin é simplesmente o filme da minha infância. Eu o assisti ao menos oito vezes, mais umas três da continuação, O Retorno de Jafar. Sempre foi o meu favorito daquela nova Era de Ouro da Disney, que povoou tanto a mente da minha geração. Por isso havia tanta expectativa da minha parte para ver o prometido live action que estreou na semana passada. E corri pra assistir logo no sábado 

Se eu gostei? Amei! Com pequenas ressalvas, mas amei. Se você nunca viu a primeira versão do Aladdin, melhor tomar cuidado para não pegar qualquer spoiler nesse texto. Se você já viu, prometo que tentarei não ser estraga-prazeres, ok?

A escolha de Guy Ritchie para dirigir esse clássico foi um bocado ousada. Mas funciona. Lá estão suas cenas de perseguição sempre bem executadas e a câmera levemente acelerada em determinados momentos, que pode gerar algum incômodo para os mais desavisados, mas que eu achei que super encaixou. A opção por juntar atores árabes e indianos carregou um quê de Bollywood, perceptível mais ainda nas cenas de dança. E esse mundo mesclado da fictícia Agrabah desfila muitas cores e sensações pela tela. Um espetáculo visual.

Eu dificilmente me emociono em filmes, mas em dois momentos me arrepiei por inteiro e as lágrimas encheram os olhos: na chegada do Principe Ali e sua corte a Agrabah. E na clássica A Whole New World. E foi uma emoção diferente: me remeteu ao garoto Paulo Henrique, que foi com seus nove anos recém-completados ao Cinema Central, em Niterói. A única vez no ano em que eu ia ao cinema, justamente para ver a estreia da Disney nas férias de julho... 

Aquele dia de Aladdin me marcou muito pois fomos furtados indo ver o filme: uma mulher rasgou a bolsa da minha mãe e pegou sua carteira. Antes de conseguir concluir a ação, ela me empurrou, porque eu estava ao lado da bolsa e eu a vi. Só notamos que havíamos sido alvo de crime quando chegamos ao Central. Conseguimos entrar graças a uma amiga da minha mãe que também nos acompanhava com os filhos e pagou para todos emprestado. Ao fim, saímos todos amando a animação e esquecendo dos problemas do dia.

Em relação à versão de agora, aqui vão algumas impressões (críticas) minhas: o Jafar retratado no live action (vivido por Marwan Kenzari) não é fiel ao Jafar do desenho. Sempre vimos aquele personagem feio, esguio, viperino, de voz grave. E somos apresentados a um Jafar bonito, de voz aguda e pouco expressivo. O Iago perdeu um bocado sendo adaptado para um papagaio menos humanizado... Talvez para trazer para uma realidade mais próxima da nossa (o que não tinha necessidade, tendo em vista que Jafar já era um feiticeiro e se trata de uma obra quase mitológica). E algumas cenas emblemáticas ficaram de fora, o que não chega a comprometer.

Do ponto de vista das novidades, a principal é a mensagem do empoderamento de Jasmine (a lindíssima e competente Naomi Scott), que não apenas quer conhecer o mundo, mas ser sultana. Com direito a uma música original, Speechless, que traz uma bela mensagem sobre ter voz quando querem que as mulheres se calem. Mena Massoud entrega um Aladdin menos carismático que o do desenho, mas que nos convence com sua ingenuidade. Abu é uma graça e, assim como Rajah, é perfeito graficamente. E o gênio de Will Smith, o personagem mais emblemático da saga, está simplesmente impagável, não deixando nada a desejar ao original de Robin Williams.

Enfim, sei que há muito aqui de carga de um fã há mais de 25 anos. E o filme fez aquele garotinho por vezes reaparecer. Mas recomendo a qualquer um ir ver Aladdin. No mínimo é um belo entretenimento pra toda a família.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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