terça-feira, 14 de maio de 2019

Encontrando a Inspiração Na Falta Dela Mesma





Todos nós já ficamos, ao menos uma vez, na frente da tela do computador, sem conseguir escrever nada e nem pensar em nada que nos inspirasse. Às vezes, esse pensamento vago acontece também no nosso dia-a-dia: você se vê no trampo, olha a tela em branco, lembra-se de dar uma resposta num dos tantos e-mails, volta e encontra a mesma tela em branco. E ao final se vê num comportamento desesperador de se escrever qualquer coisa porque não aguenta mais aquela falta de ideias?

Às vezes, em nossas rodas de conversas virtuais daqui do Barba, falamos sobre isso. Afinal, haja conteúdo para se apresentar uma vez por semana, além dos compromissos com o trabalho, com casa e outras tarefas de nossa rotina. Mas o que quero trazer à reflexão hoje não é exatamente sobre os textos que tenho o compromisso de produzir semanalmente, mas a falta de inspiração que, às vezes, nos consome no decorrer da vida.

Aí começo a fazer aquela autoterapia que alguns de vocês já conhecem pelo meu estilo de escrever. Eu acho engraçado como a gente costuma reclamar de barriga cheia. Ontem reclamei que não estava com inspiração para produzir conteúdo e, veja só: consegui publicar no Instagram, no Facebook, terminei uma apresentação para uma reunião gerencial, estou escrevendo esse texto e pensando num próximo para outro site que também sou colunista. Mas o ego insiste em ficar incomodado pois eu acho que os textos nunca estão suficientemente bons. Por quê?

Escrevo na internet há uns 6 anos, desde que comecei a alimentar o meu blog pessoal. Não divulgo todos os textos, mas tenho dezenas de ideias formais e informais expressas – umas com muita inspiração, outras nem tanto. Aí, eu olho para trás e me questiono como que eu pude ter tanta inspiração no passado – quando escrever era apenas uma atividade sem importância – e agora, quando realmente preciso produzir conteúdo (porque faz parte do meu compromisso com meus colegas e com vocês) e parece que a criatividade vai tirar férias em Dubai e não tem previsão para voltar?

E sabe qual é a minha tática? Utilizar a minha falta de inspiração para me inspirar. E isso me leva a acreditar que tudo, absolutamente tudo, pode servir para inspirar, por mais negativo que possa parecer: a falta de jeito para fazer suas atividades, a inabilidade em lidar com as adversidades, as fraquezas que temos nos enfrentamentos diários, os pensamentos construtivos e destrutivos que temos.

Já parou para pensar que o que nos une e faz com que nos identifiquemos uns com os outros são as nossas fraquezas? Na verdade, tudo pode ser fonte de inspiração. Basta querer e usar as dificuldades a seu favor. Hoje, o mundo capitalista que vivemos sobrevive de muitas aparências – afinal, todo mundo é guru de alguma coisa, criador de outra, descobridor de sabe-se lá de que fórmula para ficar rico, ser feliz, ter um emprego ou um casamento de sucesso. Sinceramente, dos poucos best-sellers que adquiri, não posso opinar se funcionam, pois não li e não testei nenhum deles.

Mas uma coisa eu sei, porque pratico: se você aplica seu sentimento no que você está entregando para as pessoas, independente da natureza do conteúdo, o sucesso é um caminho bem possível. Ser uma pessoa verdadeira conquista as pessoas, engaja, conduz e inspira. A verdade atrai pessoas alinhadas com a verdade. Se existe ilusão, é porque há quem consuma ilusão. Sabe aquele ditado do que você colhe o que você planta? É isso.

Escolher falar das nossas dificuldades é difícil, pois desafia nosso próprio ego, pois ele pensa que talvez casos de “insucesso” são sinônimos de fraqueza. Mas já parou para pensar que precisa ser forte pra cacete para admitir ser deficiente, incompetente ou fraco? É uma prova de coragem e tanto! 

Não somos ótimos o tempo todo. E tudo bem não ser forte. Tudo bem demonstrar fraqueza. Tudo bem assumir suas dificuldades. Tudo bem não saber lidar com adversidades. Tudo bem não conseguir produzir. Tudo bem não ter inspiração hoje. Tudo bem ser humano! Você não vai morrer ou não vai ser taxado de incompetente por não ter feito sua melhor apresentação ou ter produzido seu melhor texto naquele dia.

O caminho que você trilhou, as conquistas que você teve ao longo de sua vida, os exemplos que você serviu como base para outras pessoas, já são a própria fonte de inspiração. É apenas uma questão de escolha de como você encara o desafio e transforma as desventuras em oportunidades! Pense nisso! 

E, para variar, me inspirei tanto na minha falta de inspiração que acabei escrevendo um textão...

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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