segunda-feira, 27 de maio de 2019

Eu Me Lembro (?)





"E foi assim que eu vi que a vida colocou ele pra mim
Ali naquela terça-feira (?) de setembro (?)
Por isso eu sei de cada luz, de cada cor de cór
Pode me perguntar de cada coisa que eu me lembro..."
Eu Me Lembro (Clarice Falcão & Silva)

Sábado é, normalmente, o dia em que escrevo as minhas colunas para o Barba Feita. Entre um afazer e outro, como organizar as bagunças e sair para a minha corrida, eu vou pensando no que escrever, no que pode ser relevante, no que fazer para não deixar esse espaço em branco. 

No último sábado (que para mim é nesse exato momento), com um dia lindo, mas com uma mudança de tempo se insinuando, eu parei preparando as coisas para receber uns amigos no fim do dia. E, entre o preparo de uma massa, uma xícara de café e mil pensamentos, me peguei cantarolando as músicas de uma playlist aleatória do Spotify. Foi quando as vozes de Clarice e de Silva encheram meu apartamento cantando Eu Me Lembro, uma música tão bonitinha e, ao mesmo tempo, tão agridoce... E me vi ali, sorrindo e cantarolando, mas prestando atenção na letra da música.

Já pararam para pensar que, ao terminarmos um relacionamento ou, talvez, depois de muito tempo que algo terminou, ao pararmos para pensar naquela pessoa que já fez parte da nossa vida, é difícil lembrar exatamente de como tudo degringolou e, normalmente, nos apegamos às lembranças mais doces?

É fácil se lembrar do cheiro, da presença e de tudo que nos encantava. Ao mesmo tempo, conseguimos enterrar em nossas memórias os períodos difíceis, o choro e a irritação que muitos relacionamentos nos causaram. O tempo, esse senhor implacável, realmente tem o poder de ajeitar as coisas, limpando e maquiando até mesmo as nossas lembranças. Ainda bem, já que assim até mesmo o rancor, tantas vezes, acaba se transformando em algo menos pesado e triste.

Sei que todos os relacionamentos são feitos de luz e sombra, de contrastes, de coisas boas e ruins. A vida é assim, as pessoas são assim, por que os relacionamentos não seriam? É a convivência e a decisão de aceitar o outro como ele é e não como o idealizamos que faz com que nos relacionemos e tomemos a decisão de dividir a nossa vida com alguém. Seja pra sempre (será?) ou por um período de tempo. Mas, quando acaba, a gente se apega a apenas um pouco do que foi vivido. Algumas vezes, ao ruim, pra nos ajudar a superar e esquecer; em outras, ao que era bom e que, por tanto tempo, ficou escondido em nossa consciência. 

E ouvindo Clarice e Silva cantarolando a história de um amor completamente diferente aos olhos de um mesmo casal, eu sorri ao me lembrar das minhas histórias. Tive alguns relacionamentos e sou muito grato às pessoas que passaram pela minha vida. Dei sorte, talvez, mas não levo grandes traumas ou mágoas. Até mesmo o que não terminou da melhor das formas, com o tempo ganhou contornos e, sob a luz do amadurecimento, se mostrou uma decisão acertada (mesmo que, algumas vezes, não fosse a minha naquele momento).

A vida é assim, né? A gente cresce, amadurece e se apega às coisas boas que passaram pela gente. E a gente se lembra. Ou não. 


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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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