quarta-feira, 26 de junho de 2019

Amigo, Estou Aqui





Havia uma falha grave na minha relação com a Pixar: eu não havia visto ainda Toy Story 3. Tudo bem, também não vi Viva e Wall-e, mas os demais principais títulos eu havia assistido. Na iminência de estrear a quarta parte da franquia e após ler uma lista do HuffPost que colocou a parte três como o melhor filme do estúdio de todos os tempos, resolvi pegar para ver. E, dias depois, assisti também o 4.

Toy Story revolucionou o mundo das animações em 1995, ao trazer um desenho todo em 3D. É curioso hoje em dia comparar com os últimos filmes do tipo que estrearam: a tecnologia é muito aquém. Mas, à época, foi uma mega novidade, que pavimentou o caminho para outros grandes sucessos de muitos estúdios, como Shrek, Procurando Nemo, Monstros S/A, FormiguinhaZ, Frozen... E, ao escolher a suposta vida secreta dos brinquedos, a Pixar e a Disney fizeram uma grande saga sobre amizade e aprendizados.

Por isso, Toy Story 3 é tão sensacional. Um belo fim para um arco narrativo que começou 15 anos antes. E simplesmente é impossível não chorar, principalmente nas cenas finais. Quem acompanha Woody, Buzz, Jesse e toda a turminha se depara com lições valiosas sobre lealdade, sobre amigos e sobre a família que a gente escolhe. Também sobre cumprir suas missões e entender quando é a hora de um novo ciclo. E ainda tem um vilão super bem construído, o melhor de toda a franquia.

Na quarta parte, a lição mais valiosa vem da última frase (sem spoilers, pessoal), que sai da boca do Buzz. Mas, sinceramente, não faz muito sentido depois de tudo o que foi vivido no primeiro arco dos três filmes anteriores. A animação resgata um personagem importante das duas primeiras partes, Betty - e evidência pela primeira vez o mundo dos brinquedos perdidos. Também conta com um brinquedo feito a mão a partir de material reciclado, o Garfinho, que garante muitas risadas. Há uma nova vilã, com motivações legítimas, que acaba nos fazendo não ter raiva dela... É possível se divertir bastante com o filme (além do Garfinho, destaque para o Buzz, o unicórnio e pro patinho e o coelhinho, costurados um ao outro), mas fica ao fim um quê de: "não era bem isso que eu esperava após todos esses anos".

Com esse filme, Toy Story abre um novo arco e novas possibilidades. Sinceramente, espero que os valores que moveram todos os três primeiros filmes ainda motivem a continuação da saga. Porque, após todo mundo achar que já havia um grande desfecho em 2010 com a terceira parte, a Disney/Pixar mostrou que a franquia ainda tem lenha pra queimar.

E, no mais, fica a lição da música tema da saga: "amigo, estou aqui". Porque escolher quem a gente pode contar de verdade é um dos sentimentos mais nobres que nós humanos podemos ter.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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