quarta-feira, 19 de junho de 2019

Dores do Crescimento




Vocês já tiveram a experiência de ter que demitir alguém? E a de ter que demitir alguém que você gosta, gosta do trabalho e acha uma boa profissional? Então... essas “dores do crescimento” profissional são bem complicadas. Pode parecer uma banalidade quando a gente não passa por isso, mas quando se depara pela primeira vez com a situação... Tudo muda. 

Recentemente tive que fazer isso com dois profissionais, por motivos que não cabem a explicação aqui. Mas foi tudo bem difícil para mim, ainda mais num momento em que ainda me recupero de outras situações ruins em outros campos da minha vida. Em tempos de desemprego, mercado de comunicação (com o qual trabalho) retraído e pouca empatia, desligar alguém traz o peso de quase uma condenação. E isso eu (ainda) não tinha no meu currículo de forma tão cruel, pois as poucas demissões que tinha feito eram de pessoas com as quais eu não tinha proximidade. 

Na realidade, a dor do crescimento é em todas as esferas. Ela é culpa também da maturidade: à medida que amadurecemos, assumimos novas responsabilidades e nos vemos fazendo aquilo que víamos nossos pais fazerem. Lembro-me que eu nunca quis seguir o caminho do meu pai, que era dono do próprio negócio, um empreendedor sobrevivente a inúmeras crises. Acabei tendo que me tornar gestor também do negócio que faço, pensando em resultados, números, pessoas e projetos. Uma dor do crescimento... 

Qualquer vínculo que tenha que ser desfeito quando ainda não achamos que é a hora traz a sua dor. Quantas vezes nos deparamos com decepções de pessoas que amamos ou temos grande amizade e nos vemos diante de um ponto crucial: superamos e prosseguimos ou tomamos rumos diferentes? Às vezes, lado a lado, mas não como antes... Um companheiro que se torna um amigo; um amigo que se torna apenas um colega; um desconhecido que se torna um conselheiro... 

Simplesmente constatar que a vida não é fácil é um lugar comum, eu sei. Mas o crescimento, seja profissional, afetivo ou mesmo físico, não vem sem as tais dores. Que ao menos a superação seja breve. E a gente torce para não ter que passar por isso de novo...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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