quarta-feira, 5 de junho de 2019

Rocketman: Lindo e Lírico




Sei que pode parecer demais falar de cinema por duas semanas seguidas, mas, juro, dessa vez merece. Rocketman, de Dexter Fletcher, baseado em boa parte da vida do cantor, compositor e pianista Elton John, chegou às telonas e é um filmaço. Quando vi seu trailer, de imediato me senti atraído, embora Elton John, mesmo sendo um mega ícone da música e do meio LGBT, nunca tenha sido um dos meus prediletos (embora ele tenha uma pérola, Your Song, que eu amo). E Rocketman realmente é magnético, original e belo. 

Tudo começa em uma grande sessão de terapia em grupo, na qual Elton vai expondo seus maiores podres, remetendo a fatos da infância, adolescência e juventude, quando ainda se chamava Reginald Dwight. Por ser uma narrativa vinda do próprio personagem, o filme não tem obrigação alguma com a verossimilhança e opta pelo caminho do lirismo e da metáfora por várias vezes. E, acima de tudo, Rocketman é um filme sobre reencontros, em especial consigo mesmo. Nesse caminho, a história disseca seus problemas de família, a questão da sua sexualidade, seu problema em se autoaceitar e a sua sólida amizade com Bernie Taupin, maior parceiro nas composições de Elton John. 

Taron Egerton foi o escolhido para viver o mega astro britânico (e divide o personagem com os talentosíssimos meninos Matthew Illesley e Kit Connor em outras fases da vida). Aliás, em algumas entrevistas, Egerton disse ter a convicção de que o papel tinha que ser dele quando soube que iriam filmar uma biografia de Elton John. E a escolha não poderia ter sido mais feliz: além de algumas semelhanças físicas, o ator galês mergulhou de uma forma no personagem que nos convence em todos os momentos da película (ao ponto do próprio biografado contar à imprensa que se via nas cenas). Sua atuação é impecável, maravilhosa, um misto de sensibilidade e força, e já o credencia para o Oscar 2020, na esteira do que viveu Rami Malek com Bohemian Rhapsody, também de Fletcher. Além de cantar maravilhosamente bem em todos os números musicais. 

Falando nelas, as cenas com as suas músicas são bem marcantes, mas duas em especial me tocaram mais. Your Song, claro (o primeiro grande sucesso, que o alçou ao estrelato de vez) e Rocketman, que dá o título ao filme. Mas em matéria de emoção, nada é mais forte do que o momento do principal reencontro do filme, simbolizado em um abraço (sem spoiler, prometo!). Ali é impossível conter as lágrimas, pois Elton é qualquer um de nós que precisa ser acolhido em algum momento de nossas vidas. 

Em tempos de cinema pouco inspirado e mesmo se tratando de uma biografia, Rocketman é, acima de tudo, uma história bem contada. Senti falta apenas de a história avançar um pouco mais. Mas ela é suficiente para mostrar o astro que Reginald Dwight se tornou quando optou ser Elton John.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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