segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sexo, Fetiches e Privacidade





Em tempos caretas e hipócritas como os que estamos vivendo, o que é válido entre quatro paredes? Até onde você pode exercitar sua fantasia e viver coisas aparentemente “proibidas” na cama? Conforme eu, com toda minha sabedoria, já disse, as fantasias são o combustível do sexo. E esse maravilhoso mundo das fantasias não tem limite, desde que os envolvidos sejam maiores de idade e estejam exercendo suas vontades por escolha própria.

O que dá tesão numa pessoa pode não ter a mínima graça para outra, enquanto essa outra pode achar tremendamente excitante algo que o primeiro ache patético. O legal é quando duas pessoas com idéias e fantasias semelhantes se encontram e podem viver sua relação plenamente. Daí, meus caros, é fogo no colchão, com direito a acrobacias monumentais e prazer garantido.

Quer ver um exemplo? E se teu namorado/parceiro/ficante/casual sex pedisse que você urinasse nele durante o sexo, o que acharia dessa proposta um tanto quanto... diferente? Se fez uma cara de “Argh! Xixi e sexo juntos? Que nojo!” saiba que não está sozinha(o), já que muita gente pensa como você. Ao mesmo passo, não julgue quem pode se excitar com isso, já que todo mundo tem pleno direito de ter tesão no que bem entende, se isso não é ilegal e é inócuo às demais pessoas.

Entretanto, o contrário também pode ter acontecido. Você pode ter lido e pensado “Caramba, não estou sozinho! Outras pessoas tem essa fantasia!”. Porque sim, você está certo. Muitas pessoas sentem tesão no mesmo que você. Como já falei, é só uma questão dos iguais se reconhecerem e partirem para o abraço. E isso não tem nada a ver com ser mais ou menos pudico e sim com aquilo que te dá tesão. 

O nome dessa prática específica - urinar em outra pessoa, antes/durante/após a prática sexual - é golden shower ou, em bom português, chuva dourada. Isso mesmo, aquela mesma prática que nosso atual presidente da república, que faz apologia à tortura e ao estupro além de fuder todo um país com sua imbecilidade e estupidez, não sabia o que era e foi às redes sociais passar mais uma vergonha que poderia ter evitado. Acredite, a prática é até que bem comportada perto de outras coisas que dão tesão em algumas pessoas (e vontade de vomitar, só de imaginar, em outras). Se a pessoa que curte chuva dourada tem problemas? Não, nenhum. É uma pessoa que não tem vergonha de viver uma fantasia. Se você é pudico(a) demais por ter nojo da prática? Também não, já que essa fantasia é de outra pessoa, não sua. 

O que eu me pergunto é como fazer para viver bem uma relação onde uma pessoa tem determinado tesão e a outra não, já que alguém terá de abrir mão de sua própria vontade para satisfazer o outro. E isso, sinto dizer, é com cada um. 

Você já viveu essa experiência, de se ver tentado ou convencido a experimentar uma prática diferente e que não fazia a sua cabeça? Conversar e chegar a um consenso é um ótimo caminho. Com chuva dourada ou apenas no papai e mamãe de cada dia. Eu, particularmente, cheguei à uma idade em que não faço nada, absolutamente nada, sem vontade ou apenas para agradar o outro. Exercito e canto bastante o thank u, next! para evitar a fadiga. 

O que acho mais importante, entretanto, é não ter vergonha de viver a sua vida. O que acontece entre quatro paredes é pra ficar lá, na sua intimidade. Uma espécie de Las Vegas residencial.  Afinal, conforme já dizia o grande Nelson Rodrigues: 
“Se todo mundo soubesse da vida sexual de todo mundo, ninguém se dava com ninguém.” 
Eu, de minha parte, quero mais é me dar bem com todo mundo, porque sou desses, que adora conhecer os segredos mais obscuros de qualquer um, principalmente daqueles com cara de santo e que você juraria que é apenas mais um baunilha no sexo mas que pode surpreender muito. Ou não.

Sexo e fetiche são assuntos particulares e, se você quer ser uma deusa do sexo selvagem, fã de 50 Tons de Cinza (blergh!) ou experimentar todas as posições do Kama Sutra como um verdadeiro assinante premium do XVídeos, problema seu, você não deve absolutamente nada a ninguém e, se alguém se incomoda com a forma como você vive a sua vida, liga o foda-se e vai ser feliz. Os boletos sempre vencem e quem os paga é você.

No fim das contas, é como diz um grande amigo meu em sua hastag preferida da vida: #TudoPutaMenosEu! E, sinceramente, who cares?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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