quinta-feira, 13 de junho de 2019

Shippados: Vale Muito Conferir a Série Original Globoplay





Sexta-feira passada fui surpreendido ao entrar no Globoplay pelo aplicativo na minha televisão e dar de cara com os episódios disponíveis de Shippados. A temporada completa! Sem nem pensar duas vezes, apertei o play para dar aquela conferida. Assumo que naquele milésimo de segundo meu único desejo era ser surpreendido positivamente pela trama... 

Com texto de Fernanda Young e Alexandre Machado, os pais de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) de Os Normais, Shippados, série original Globoplay, possui uma certa responsabilidade em seus ombros como, por exemplo, mostrar que falar de relacionamentos é atemporal, apesar da tecnologia e dos shipps que nascem a cada segundo em nossas timelines

E é assim que conhecemos Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch), que mostram que os algoritmos dos apps de paquera não estão com nada e os matchs perfeitos podem acontecer por conta do acaso... Ou de um eventual "pé na bunda" no meio de um primeiro encontro. Não quero dar muitos spoilers e nem criar expectativas em vocês sobre o enredo da série. O bom de Shippados é se permitir entrar na relação e ser impactado positivamente por ela... ou não. 

Mas alerto que tem para todos os gostos de casais. Existem os moderninhos, representados por Brita (Clarice Falcão) e Valdir (Luis Lobianco). Os dois são naturistas e ver os atores tão entregues aos personagens e nus quase que 100% do tempo, foi divertidíssimo. A química aqui não faltou em nenhum momento. Clarice mostrou que estava plena com sua personagem, além de saber dizer como ninguém o texto escrito pelos autores. Lobianco formou uma dupla mais do que dinâmica e tudo funcionou na medida certinha. 

Se você faz mais o estilo de casal que não é casal, mas é um casal, então está mais para Suzete (Júlia Rabello) e Hélio (Rafael Queiroga). Se fiz um bom elogio para Clarice no paragrafo anterior, Júlia merece receber todos (e mais um pouco) nesse aqui. Em seu primeiro segundo de cena, Rabello mostra que domina o texto como ninguém e te faz pensar em quantas Suzetes você já conheceu em toda vida. Eu mesmo já devo ter passado por umas dez. Sem cair no tipo clichê da personagem, Júlia demonstra que entende muito bem o tom irônico e sarcástico do texto de Alexandre Machado e Fernanda Young. Rafael, seu parceiro em praticamente todo o tempo de série, está tão seguro quanto seu personagem "meio" topzeira que não quer compromisso com mulher nenhuma, mas gosta de estar pegando a gostosa que gosta de sexo. 

Rita e Enzo, no meio de tudo isso, representam o casal descolado, mas que não é descolado porque é meio diferente, meio indie e meio único. Talvez seja até esse o segredo da série. Na ânsia em ser diferente do que a cerca, a personagem de Tatá Werneck acaba sendo mais uma pessoa que tem medo, nóias e não sabe como assimilar tudo isso. Na outra ponta do casal, Sterblitch criou seu Enzo como um cara que tenta ser normal e esconde todas suas particularidades do mundo por puro medo. Medo de não ser bem interpretado por ser um cara estranho... meio diferente. Será que rolou uma identificação por aí?

Com uma trilha sonora incrível, Shippados é o tipo de série que você senta para ver um episódio e termina assistindo quatro de uma só vez. O que não é nada ruim, o grande problema é que a temporada possui só 12. E eles acabam bem rápido... Eu mesmo assisti tudo em um único dia. Se você possuía algum tipo de receio, pode confiar que vale muito a pena.

Se você assistiu e amou o texto, acho que pode gostar de assistir (se anda não fez isso, heresia) Os Normais, Os Aspones, Separação?!, Como Aproveitar o Fim do Mundo e Macho Man, todas criações dos autores.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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