quarta-feira, 31 de julho de 2019

Reencontrando Almodóvar




Já tinha um tempinho que eu não me reencontrava com o cinema de Almodóvar. Ou melhor, com Almodóvar no cinema. Desde Abraços Partidos, dez anos atrás, eu não via um dos meus diretores favoritos na telona. Nem sem explicar bem por quê. Muito provavelmente porque não moro tão perto dos cinemas onde seus filmes costumam passar (o que não é muita desculpa, pois eu morava ainda mais longe no meu ápice de consumo de Almodóvar). A Pele que Habito e Os Amantes Passageiros eu assisti em casa, depois. E Julieta ainda não vi... 

Após algum tempinho em cartaz, temia que Dor e Glória saísse do circuito. Mas consegui ir no último fim de semana garantir esse reencontro. O palco foi o cinema que durante muito tempo era o meu templo dos filmes de arte, o antigo Espaço Unibanco de Cinema, agora Estação NET Rio, em Botafogo. Quantas e quantas vezes não montei meus roteiros com dois, às vezes três filmes num dia só, indo de um lado para o outro pelas ruas do bairro: Espaço Unibanco, Estação Botafogo, Cinemark, Unibanco Arteplex... Algumas vezes, um filme já estava prestes a começar quando o outro terminava e eu precisava, literalmente, correr. Bons e velhos tempos de uma época que parece, definitivamente, que não deve se repetir (saudades carteirinha de estudante e poucos compromissos na vida...).

terça-feira, 30 de julho de 2019

Eu Sou Leonino, Mores

Eu sou leonino, amores, desses que gosta de passar e deixar o rastro do perfume. Coração imenso, orgulho igual. Me viro pra ajudar quem eu amo, mas não esqueço quem me trata com ingratidão. Tenho por defeito chamar atenção. Defeito? Esse é meu jeito sem perceber. Falo alto, gargalho mais alto ainda, tenho sempre uma história pra contar e pouco conhecimento sobre limites. Quando vejo, já extrapolei de novo.

Eu sou leonino, queridos, desses que ama com intensidade e sente demais… Sinto tudo, sinto muito, sinto tanto que dói. Sinto daquele jeito que demora a passar. Mas quando passa? Ah, ai passou… Podem te contar da minha lista de ex namorados, podem te falar que tive até muitos, mas nenhum deles pode falar que não me atirei de cabeça em todas as vezes. Que não fui presente, coisa e tal. Eu sou feito de momentos. Mas não tente me prender em um momento ou em uma história. Já tentou colocar um leão na coleira? A gente fica onde quer e porque quer. 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Pop Séries: Touched By An Angel





Cada ser humano tem sua própria quantidade de crenças particulares. Conceitos como Deus, Diabo e seres celestes e demoníacos, entretanto, povoam a cultura da humanidade desde tempos imemoriais. A necessidade de nos achegarmos a uma força superior, de acreditar em algo maior, é tamanha que seres espirituais são conhecidos por todos, acreditemos ou não em sua existência.

Entre os seres espirituais, os anjos ocupam um lugar especial no coração das pessoas. De acordo com crenças diversas, eles são os mensageiros de Deus, guias espirituais e criaturas criadas para ajudar a humanidade em sua existência. Era sobre o trabalho de um grupo de anjos junto a humanos que precisam de orientação que tratava a série americana Touched By An Angel.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Momentos Que se Perdem Como Lágrimas na Chuva





Lembro que detestei o filme Blade Runner quando o assisti pela primeira vez. Hoje compreendo que por ser ainda um adolescente à época em que foi lançado, em 1982, ainda não tinha a maturidade necessária para decifrá-lo. Anos depois voltei a assisti-lo e é impressionante como ele me tocou de tal forma que, até hoje, o filme dirigido por Ridley Scott ainda está na lista dos meus top 10. Apesar de não ter sido um sucesso de bilheteria, Blade Runner certamente mudou a história do gênero da ficção-científica.

O filme, baseado no livro de Philip K. Dick, se passa numa hostil, caótica, chuvosa e distópica Los Angeles no ano de 2019, entre telas de led gigantescas e prédios cinzentos, quando os robôs tornaram-se tão perfeitos que se assemelham aos humanos. Eles possuem sentimentos, vontade própria e se apaixonam. Lembro perfeitamente que, assim como o autor e o diretor imaginavam, eu também vislumbrava um ano de 2019 cheio de naves dando rasantes entre os prédios em um climão pós apocalipse. O ano em que vivemos atualmente era ainda muito longínquo para as nossas mentes.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

007: Mulher e Negra




Não sei se você sabe, mas o próximo filme da franquia 007 quase teve outro ator interpretando o tão lendário personagem: Bond. James Bond. Idris Elba era um forte candidato. Acho até que é o ator perfeito para o papel. Ele tem a virilidade que o personagem traz desde Sean Connery, o primeiro Bond. 

Assumo que eu sou da época que o Pierce Brosnan assumiu o papel, em 1995, apesar de só ter 10 anos de idade ali, mas já gostava da dinâmica de filmes de espião, apesar de Missão Impossível, de 1996, ser o meu filme favorito do gênero. Mas voltando para Bond, Pierce sempre teve um belo de um charme, tem até hoje. E isso passou para o seu agente secreto. Entendi que além de muito competente, 007 tinha que seduzir mortalmente. Em 2006, Daniel Craig assumiu o smoking e deu um ar ainda mais sedutor para o espião, caso isso ainda fosse possível.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Rei Leão: Vale o Novo Filme, 25 Anos Depois?




Quando se anunciou que O Rei Leão teria uma versão live action, os fãs da década de 1990 (entre eles, eu) ficaram em polvorosa. Já falei aqui o quanto Aladdin era meu favorito e o quanto amei a sua versão com atores reais. Mas existe um consenso que a história de Mufasa, Simba, Nala e Scar foi o ápice da reinvenção da Disney, iniciada com A Pequena Sereia (1991) e que passou o bastão para as animações em 3D com Toy Story (1995). Uma tragédia shakespeariana com traços de humor, aventura e muito musical (que, ironicamente, quando teve o seu original produzido, era considerado um “projeto inferior” – o principal foco do estúdio era em Pocahontas, que foi um fracasso).

O live action (que, de fato não é um live action, mas, sim, uma animação hiper-realista) estreou no último fim de semana e muitos críticos (principalmente os descaradamente fãs do original) foram cruéis. O foco foi principalmente na falta de emoção/antropomorfização dos animais e nas dublagens. Além disso, tinha um grande questionamento ainda no ar: havia a necessidade de fazer um novo filme de O Rei Leão sem acrescentar nada de novo ao conteúdo (o roteiro é praticamente o mesmo), apenas pela forma?

terça-feira, 23 de julho de 2019

Uma Versão Pós-Moderna (e Brasileira) da Câmara de Gás Nazista





A coluna de hoje é, talvez para mim, uma das mais dolorosas que escrevi, mas me motiva pela necessidade iminente de um grito de clamor. Esse texto, grande, poderia ser uma continuação, ou uma constatação de um outro que escrevi às vésperas das eleições de outubro de 2018 (Vivendo à Sombra de um Holocausto Tupiniquim, de 11/09/2018). E antes que eu escreva sobre o Brasil dos anos 2019, queria contar uma historinha real, aos que pouco procuram se informar...

Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Mas por que tantos alemães instruídos votaram em um patético sem história política e que levou o país a ser lembrado como responsável por um dos maiores crimes contra a humanidade?

segunda-feira, 22 de julho de 2019

3.8





Nunca fui de me importar muito com essa coisa de aniversário. Na minha família, dia de aniversário sempre foi considerado um dia comum, já que por motivos religiosos a data não era comemorada. Apesar dos traumas infantis de depois dos nove anos nunca mais ter tido uma festa de aniversário e muito menos poder ter ido em uma, acabei me acostumando com o fato. Só fui voltar a frequentar aniversários e até mesmo a comemorar os meus quando atingi a minha independência financeira.

Por isso, apesar de gostar dos mimos que a data sempre oferece, eu nunca fico ansioso por ela, inclusive porque tenho lá as minhas crises com a idade. Pode parecer idiotice, mas crise a gente não explica, resolve na análise (que eu não faço). E depois que a gente cruza a casa dos 30, a parada fica ainda mais sinistra, porque como a Sandy bem cantou, a gente tá naquela fase estranha em que se é jovem pra ser velho e velho pra ser jovem.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O Anjo Pornográfico





Gostaria de ter conhecido pessoalmente Nelson Rodrigues, um dos meus autores nacionais prediletos. Descobri sua obra tardiamente, já na faculdade de Comunicação Social, por meio de um professor de Estética e Cultura de Massa que orientou a turma para que lesse a biografia que o Ruy Castro havia escrito. Depois que devorei O Anjo Pornográfico, fiquei fascinado e sorvi praticamente tudo que caía nas minhas mãos sobre o grande dramaturgo: as crônicas de futebol, os contos de A Vida Como Ela É e A Dama do Lotação, os romances ainda sob pseudônimos e os mais populares como O Casamento e Engraçadinha e as centenas de crônicas - A Cabra Vadia e O Remador de Ben-Hur foram por muito tempo, meus livros de cabeceira.

Quando li as peças teatrais, aí que pirei mesmo. E é surpreendente imaginar que as seis primeiras peças, com temas tão complexos e cheios de tabus (A Mulher Sem Pecado, Vestido de Noiva, Álbum de Família, Anjo Negro, Senhora dos Afogados e Doroteia) tenham sido escritas antes de 1950. Se incomodam até hoje, imagina naquela época.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O Fim dos Likes no Instagram





O Instagram decidiu colocar em prática o que muito se especulou nos últimos meses: o fim do número de likes nas fotos. Sim. Você pode curtir uma publicação, ver os seus amigos que curtiram, mas não pode mais ver o total de likes do post. Isso nas publicações de outras pessoas, nas suas fotos você ainda será capaz de saber quantos corações recebeu… Mas será que isso é o suficiente? Vale a reflexão. 

Acho que nunca fui muito descuidado com minhas curtidas. Todos os meus likes sempre foram baseados no gostar, me identificar ou até dizer um “passei por aqui”. É deixar registrado que a foto foi notada por mim e apreciada. Será que sem o “selo” numérico as pessoas vão se sentir menos obrigadas a registrar sua interação com as fotos de amigos, conhecidos, desconhecidos e famosos? Será que ao mudar uma de suas funções primárias o Instagram pode ter decretado o início do seu fim? Logo agora que ele era o acalento para as almas que fugiram do Facebook e não conseguem se integrar ao Twitter.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Minha Primeira Vez na Flip




Pela primeira vez na vida estive em uma FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Paraty (RJ) é uma das minhas cidadezinhas queridas - estive por lá algumas vezes desde 2007, geralmente em momentos importantes da minha vida. E sempre quis ir à feira, mesmo antes de ter meus livros publicados (só aquele ambiente de viver a literatura numa cidade histórica e linda já me magnetizava). E pra lá fui na última quinta-feira.

A estadia era curta (no sábado de manhã já tive que voltar). Por isso, foquei especificamente em poucos, mas valiosos eventos. Além de ter que dividir o tempo entre apresentar o centro histórico e o distrito praiano de Trindade para o marido que ainda não conhecia a cidade.

terça-feira, 16 de julho de 2019

"Inverno" Astral: O Período Problemático que Antecede as Nossas Primaveras




Todo mundo já ouviu falar em Inferno Astral e, inclusive, usa esse pobre coitado para justificar qualquer coisa de errado que aconteça na véspera de um novo ano pessoal. Mas, se fazer aniversário é algo a ser comemorado, qual seria o motivo de o mês anterior ser tão problemático, my God? Na verdade, esse é mais um dos termos que caíram no gosto popular e muita gente sofre por antecedência, e eu, neste caso, tenho vivido bem intensamente essa fase da minha vida em 2019 – que anozinho, diga se passagem!

Para os astrólogos, apesar de o período trazer situações difíceis, deve ser vivenciado como um momento fundamental para rever objetivos e fazer um balanço do ano que passou. Segundo eles, isso acontece porque nos 30 dias antes do aniversário, as pessoas vivem de forma mais intensa os aspectos ligados à casa 12 do mapa astral relacionada aos assuntos ocultos e ao inconsciente. Durante o inferno astral, o Sol atravessa essa tal casa 12, antecedendo o ingresso para a casa 1, que indica uma fase de renascimento. Assim, representa uma espécie de ajuste de contas com o que não pode continuar deficiente. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Divã: Se Ele Não Está A Fim de Você, Esqueça!





Então, gente, eu venci na vida. Não, não virei coach. AINDA. Mas recebi uma dúvida de leitora pedindo conselho amoroso. Pra mim!!!

EU. JURO. DE. VERDADE. VERDADEIRA.

E, empolgado como sou, me senti a Laura Müller do Barba Feita. E, claro, vou responder dando a minha mais singela opinião sobre o assunto. Porque eu até posso cagar na minha vida amorosa (o que nem é muito verdade), mas adoro dar bons conselhos para os amigos e, agora, leitores. 

Sem mais delongas, vamos brincar de terapia? Com vocês, a nova coluna do Barba Feita: Divã!

Leco

Vou ser bem honesta e dizer porque estou entrando em contato. Não sei mais o que fazer e não quero pedir conselho a nenhum amigo ou amiga que vão me falar mais do mesmo com medo de ferir meus sentimentos. E, lendo o Barba, pensei: por que não? Vai que você me responde, né?

É o seguinte: desde que conheci um amigo de uma amiga, conversamos e acabamos ficando. Foi amor à primeira vista e depois de ver que tínhamos os mesmos gostos pra praticamente tudo, você pode imaginar, né? No dia que nos conhecemos e ficamos, não queríamos mais largar um do outro. 

Então, depois de um tempo ele não quis mais nada, porque achou que eu não o aceitaria por ele ter um filho. Entretanto, durante esse tempo separados, a minha paixão permaneceu a mesma e permanece até hoje. Sei que não devo, mas meu maior sonho é namorar com ele. Infelizmente, antes ele dizia que queria só diversão comigo a nada mais. Mas, pra quem não queria nada sério, em menos de uma semana ele começou a namorar uma outra moça. No início eu fiquei com uma raivinha, pensando no que ela tinha que eu não, imaginando porque ele quis namorar com ela e não comigo. 

Esse é o meu dilema: amar um gato super lindo, simpático, engraçado, mas que não quer nada sério comigo, só curtição. E hoje ele já tem outra. Me dá uma vontade de fazer algum tipo de convite inusitado, só pra saber se ele é realmente fiel à namorada. 

Espero ansiosa que você leia essa mensagem e que, se tiver tempo, me responda com os seus conselhos.

Um beijo, 
Pagando pra Ver

sexta-feira, 12 de julho de 2019

O Bagulho Tá Sinistro





A terceira temporada de Stranger Things bateu um recorde histórico dentro de um serviço de streaming. Em apenas quatro dias, quase 41 milhões de pessoas viram os episódios, ratificando algo que já sabíamos: a série é, sem dúvida, a galinha dos ovos de ouro da Netflix.

Nesta nova aventura, eletrizante e imperdível, os personagens já não são mais crianças. Eles cresceram e dividem com os espectadores as suas dores, angústias, dúvidas e descobertas sobre a sexualidade. Também foram introduzidas novas e deliciosas figuraças como Erica Sinclair (Priah Ferguson), a irreverente e debochada irmã mais nova de Lucas, que rouba as cenas e se destaca com as falas mais divertidas e sensatas da trama. Também temos a sarcástica Robin, a primeira personagem gay de Stranger Things, interpretada por Maya Hawke (filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), e o cientista russo Alexei (interpretado pelo ator ucraniano Alec Utgoff) que, com seu jeito inocente, conquistou os fãs. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Que Tipo de Conteúdo Você Produz?




Postar a foto de um livro, falar bem de um atendimento recebido em um restaurante ou indicar aquela série na Netflix é bem mais do que ser "só você mesmo" em suas redes sociais. Falar sobre um produto e recomendar ou não algo te faz, automaticamente, um influenciador. A sua experiência pode contaminar uma rede de pessoas que você nem tem ideia... E isso pode ser assustador. 

O meu negócio, por exemplo,  é entretenimento. Amo falar sobre séries, filmes, novelas e música. Gosto de dizer o que ando assistindo e fazer uma bela de uma propaganda para quem dá um like em minhas postagens nas redes ou espia os meus stories. Algumas pessoas já me falaram isso mais de uma vez, que assistiram ou até leram algo pelo simples fato de verem uma dica dada por mim. Agora imagine se cada uma dessas pessoas indicar esses programas para mais duas pessoas, que irão assistir e, consequentemente, gostar... Já teremos uma boa e modesta divulgação espontânea. 

terça-feira, 9 de julho de 2019

Abaixo Ao Padrãozinho!





Nas últimas semanas venho refletindo sobre esse tema que tem feito parte, cada vez mais constantemente, das minhas rodas de conversas: o que significa a expressão “padrão de beleza”? O conceito de beleza já passou por diversas mudanças ao longo do tempo. No período renascentista, por exemplo, mulheres mais rechonchudas eram tidas como belas e associavam-se à ideia de fartura, riqueza e fertilidade. Na atualidade, contudo, nota-se que o padrão de beleza é justamente o contrário da Renascença. Corpos magros, músculos definidos e uma incessante busca pela perfeição mostram que a sociedade impõe modelos, por vezes, inatingíveis e que trazem prejuízos tanto físicos como psicológicos às pessoas, além de desconstruir a anatomia individual. 

De forma inconsciente, toda a população se vê inserida nesse processo de padronização. Há aqueles que tentam, a todo custo, se aproximarem do ideal de beleza estampado nas revistas, passarelas e na televisão, recorrendo a cirurgias plásticas, tratamentos rejuvenescedores e dietas tão radicais que acabam colocando suas vidas em risco. Por outro lado, há aqueles que negam-se a uma adequação a esses modelos estéticos e para eles resta o isolamento causado pelo preconceito de uma sociedade que tem a felicidade fundamentada no culto ao corpo. Digo isso, pois eu mesmo tenho passado por esses questionamentos. Sempre fui um cara bem vaidoso e, muitas vezes, sucumbi à essa negação de ser quem eu era e vivia numa busca constante de ser quem a sociedade queria que eu fosse. 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Pop Séries: Party Of Five





Muito antes de eu sequer saber o que era efetivamente uma série, eu já era apaixonado por uma. O Quinteto (Party of Five, no original) foi uma das primeiras tramas que acompanhei sem ter a noção que tenho hoje do que é uma série. Como os episódios passavam todos os dias à tarde num canal aberto, eu imaginava que era uma espécie de novela. Não me culpem, eu era só um pré-adolescente quando a série estreou, em 1994.

Contando com um elenco que se tornaria famoso anos depois, Party of Five durou seis temporadas. A história acompanhava o dia a dia dos cinco irmãos Salinger, que com a morte dos pais num acidente de carro causado por um motorista embriagado, se vêem sozinhos no mundo e tendo de aprender a lidar com essa nova situação.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

E Quando Eu Não Estiver Mais Aqui?





Recentemente, muitos de nós aqui no Barba Feita temos feito várias reflexões sobre a morte ou a perda. O meu texto da semana passada, O Dia Seguinte de Raissa, assim como o que publiquei no fim de maio, Em Dias Bons, Não Penso Nela, falava explicitamente sobre a morte. O Julio Britto trouxe o mesmo tema em A Vida é um Sopro, em 28/5, assim como o Paulo Henrique Brazão na coluna desta semana em Não Estamos Aptos a Dizer Adeus. Não sei se é coincidência, mas o ano de 2019 tem sido terrível. Além de vislumbrarmos uma terrível nuvem negra pairando sobre o Brasil no contexto sociopolítico e das tragédias notórias com personalidades, também temos sido surpreendidos com perdas de pessoas queridas ao nosso redor.

É claro que, à medida que vamos envelhecendo, as pessoas que estão próximas a nós vão partindo. É a tão esperada “ordem natural das coisas” que, por mais que tentemos driblá-la a qualquer custo, surge, nos deixando sempre inconformados. Como já disse, o maior incômodo é imaginar que Ela sempre chega deixando a construção, ao nosso olhar, incompleta. 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Não Estamos Aptos a Dizer Adeus




Na semana passada, recebi a chocante notícia da morte de um amigo querido, o Léo, aos 31 anos. Soube ao abrir o Instagram e ver uma foto homenagem de outra pessoa. Até tomar pé de tudo, demorei a saber o que havia acontecido. Uma miocardite fez despencar a pressão, os batimentos cardíacos e levou rins e fígado à falência.

Além do choque inicial pela sua morte, tive aquele momento de indignação: "por que ele?" Um cara mega feliz, brincalhão, alto astral... Eu já havia sofrido quando ele e o seu marido, o Gustavo, terminaram. E só pensava no Gustavo, por quem, mesmo separados, o Léo ainda tinha um forte amor.  Ele morava em Salvador, mas isso não nos impedia de nos falarmos com frequência e inclusive nos aconselharmos. Dias antes mesmo havíamos trocado mensagens, na época do meu aniversário. Tudo muito difícil de compreender. Na verdade, poucas são as vezes em que estamos aptos a dizer adeus...

terça-feira, 2 de julho de 2019

Guarde Seu Preconceito Que a Bandeira Arco-íris Vai Continuar Passando




No último 28 de junho comemoramos mais um dia de visibilidade do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros). Esse movimento vem ganhando cada vez mais adeptos e, por essa razão, por essa pluralidade de descobertas, têm-se de adicionado à sigla, em alguns casos, o sufixo “Q+” (neste caso, Queer. Essa expressão pode significar muitas coisas, afinal não é sobre uma orientação sexual específica ou identidade de gênero, é sobre se identificar não apenas com uma ou algumas das letras da sigla, mas também com todas elas).

Há 50 anos, frequentadores de um bar gay em Nova York se rebelaram contra a truculência policial dando início ao que ficou conhecido como a “Revolta de Stonewall” e à luta pelos direitos dos homossexuais. A partir disso, a data virou um marco e tem sido celebrada anualmente em todo o mundo. E, apesar deste marco de empoderamento, infelizmente, a perseguição, discriminação e a violência contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero – real ou percebida – não acabou.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

A Gente Chora, Mas Segue em Frente





Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro...

Às vezes, eu tenho vontade de chorar. Em outras, de ter uma Manopla do Infinito e, como Thanos, ter o poder de exterminar 50% da população mundial (mas fazendo isso, muito sinceramente, deixando a aleatoriedade de lado e escolhendo bem quem iria sumir). Já em outras ocasiões eu, agnóstico que sou, apenas oro: oro por um arrebatamento que leve o povo de ~deus~ pra bem longe daqui, para um céu idílico e idealizado, para que a humanidade restante finalmente possa continuar a evoluir sem esse tipo de gente bizarra que saiu dos esgotos nos últimos anos.

É triste ver onde chegamos. E isso me dói como nunca achei que pudesse acontecer.