segunda-feira, 22 de julho de 2019

3.8





Nunca fui de me importar muito com essa coisa de aniversário. Na minha família, dia de aniversário sempre foi considerado um dia comum, já que por motivos religiosos a data não era comemorada. Apesar dos traumas infantis de depois dos nove anos nunca mais ter tido uma festa de aniversário e muito menos poder ter ido em uma, acabei me acostumando com o fato. Só fui voltar a frequentar aniversários e até mesmo a comemorar os meus quando atingi a minha independência financeira.

Por isso, apesar de gostar dos mimos que a data sempre oferece, eu nunca fico ansioso por ela, inclusive porque tenho lá as minhas crises com a idade. Pode parecer idiotice, mas crise a gente não explica, resolve na análise (que eu não faço). E depois que a gente cruza a casa dos 30, a parada fica ainda mais sinistra, porque como a Sandy bem cantou, a gente tá naquela fase estranha em que se é jovem pra ser velho e velho pra ser jovem.

Esse ano em específico, eu fiquei ansioso para a data e desanimado. Queria comemorar e, ao mesmo tempo, não queria. Trinta e oito anos. Tem noção do peso desse número?

Durante muito tempo eu achava pessoas de trinta e poucos anos velhas. Inocente e lá na casa dos vinte, a gente olha pro futuro e acha que 10, 15 anos são muita coisa. Só que a vida parece pisar no acelerador quando a gente é adulto e tem mil responsabilidades que, quando vemos, os 30 já se foram e os 40 estão logo ali encarando a gente. 

Mas, animado ou não, o dia 22 de julho chegou e está sendo mais do que agradável. Antecipei a comemoração para ontem, domingo, em um piquenique no Aterro onde, rodeado de amigos e queridos, brindei à vida, às conquistas desses anos percorridos. E é maravilhoso sentir-se querido e amado, seja com a presença física, seja por mensagens de pessoas que, mesmo distantes, se lembram e se preocupam com você. 

Trinta e sete anos já se passaram. Os 38 chegaram e o Leandro vai mudando um pouquinho a cada dia. A vida segue e, aos trancos e barrancos, vamos enfrentando os desafios e comemorando cada nova conquista e esperando por novas e impressionantes surpresas.

Apesar dos pesares, aos 38 anos posso dizer que as coisas tem dado certo. (Ainda) tenho um emprego estável, amigos sensacionais, pessoas importantes e maravilhosas ao meu redor, uma vida inteira pela frente. Quem precisa de mais?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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