terça-feira, 16 de julho de 2019

"Inverno" Astral: O Período Problemático que Antecede as Nossas Primaveras




Todo mundo já ouviu falar em Inferno Astral e, inclusive, usa esse pobre coitado para justificar qualquer coisa de errado que aconteça na véspera de um novo ano pessoal. Mas, se fazer aniversário é algo a ser comemorado, qual seria o motivo de o mês anterior ser tão problemático, my God? Na verdade, esse é mais um dos termos que caíram no gosto popular e muita gente sofre por antecedência, e eu, neste caso, tenho vivido bem intensamente essa fase da minha vida em 2019 – que anozinho, diga se passagem!

Para os astrólogos, apesar de o período trazer situações difíceis, deve ser vivenciado como um momento fundamental para rever objetivos e fazer um balanço do ano que passou. Segundo eles, isso acontece porque nos 30 dias antes do aniversário, as pessoas vivem de forma mais intensa os aspectos ligados à casa 12 do mapa astral relacionada aos assuntos ocultos e ao inconsciente. Durante o inferno astral, o Sol atravessa essa tal casa 12, antecedendo o ingresso para a casa 1, que indica uma fase de renascimento. Assim, representa uma espécie de ajuste de contas com o que não pode continuar deficiente. 

Mas você sabia que alguns astrólogos dizem que a expressão correta seria “inVerno astral”? Na verdade, eles defendem que se trata de uma fase de recolhimento, de introspecção, tal qual fazemos no inverno. Uma fase de se voltar para dentro, de evitar exposições e de aceitar que algumas coisas precisam ir mais devagar. Se isso é bom ou ruim, vai depender da capacidade de cada pessoa aceitar a qualidade do momento e entender esse recolhimento como uma condição importante. Eu, como não sou astrólogo, faço a leitura de “inverno” na medida em que considero o aniversário uma “primavera”. Não deixa de fazer sentido meu pensamento, não acham?

Como vocês podem ver, essa parada de “inferno astral” gera uma certa polêmica até mesmo entre astrólogos profissionais. Para a maioria das pessoas, no entanto, falar sobre isso é uma boa justificativa para culpar os céus pelas coisas que dão errado. Como seres humanos, todos nós achamos ótimo poder arrumar um bode expiatório para tudo o que não queremos que seja nossa responsabilidade. Só tem um probleminha: somos donos de nosso destino e, a meu ver, seja qual for a sua crença, não existe uma “influência benéfica” ou “maléfica” vinda de fora de nós mesmos. Nós é quem fazemos as coisas acontecerem, por menos que queiramos admitir.

Para quem é astrólogo, ou acredita em astrologia e energias, ler esse meu texto é algo até paradoxal, mas eu não acho que nem planetas, nem signos provocam um problema (apesar de me ver fielmente nas características que um leonino carrega). Trocando em miúdos: não é o suposto “poder” do planeta que faz com que as coisas dêem errado, e sim nossa própria falta de percepção de que há um vínculo entre nós, as nossas atitudes e o ambiente em que vivemos. 

Racionalmente falando, para mim, o período que antecede o aniversário também é um final de ciclo. Se observarmos cuidadosamente, os finais de ciclo são épocas desgastantes, às vezes tristes, às vezes monótonas, às vezes dolorosas. Sabe aquela sensação que temos nos últimos dias de dezembro, quando ansiamos pela chegada do ano novo? Da oportunidade de mudar tudo que não deu certo? A intensidade disso vai depender do desgaste energético que cada um deposita neste final de ciclo. Sendo assim, o “inferno astral” ou o fechamento do ciclo é semelhante a uma morte, ao término de um namoro ou à fase de falta de criatividade pela qual passa um artista ou escritor após a conclusão de uma obra. É preciso “fermentar” ou “incubar” uma nova manifestação. É preciso voltar-se para dentro, encolher-se a fim de que seja possível dar um salto, espremer um pouco, para poder passar por uma abertura estreita até um local melhor. 

O que acreditamos é o que somos e fazemos. O que criamos na mente, fazemos acontecer no cotidiano, mesmo que não percebamos ou não queiramos perceber. Se dizemos: “Epa… chegou aquela fase do ano. Agora ferrou!” – então esqueça: você se ferrou mesmo! O universo inteiro vai conspirar a favor de seu próprio pensamento, ou seja, contra você.

Agora que você já sabe que este “inferninho” inicia com um mês de antecedência do seu aniversário, já comece a se programar para não passar por nervosismos involuntários. Ou se você gostou da ótica “inverno”, não deixe a friaca congelar seus pensamentos. Planeje uma viagem, uma aventura, um happy hour com os amigos ou qualquer coisa que te faça esquecer das rotinas que levamos – na verdade – durante todos os meses do ano. Mas não se esqueça, principalmente, de fazer uma limpeza no seu próprio eu! Elimine todas as coisas que te façam mal e comece seu novo ano com os dois pés juntos e firmes para seguir adiante com a cabeça erguida e confiante!

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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