quarta-feira, 17 de julho de 2019

Minha Primeira Vez na Flip




Pela primeira vez na vida estive em uma FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Paraty (RJ) é uma das minhas cidadezinhas queridas - estive por lá algumas vezes desde 2007, geralmente em momentos importantes da minha vida. E sempre quis ir à feira, mesmo antes de ter meus livros publicados (só aquele ambiente de viver a literatura numa cidade histórica e linda já me magnetizava). E pra lá fui na última quinta-feira.

A estadia era curta (no sábado de manhã já tive que voltar). Por isso, foquei especificamente em poucos, mas valiosos eventos. Além de ter que dividir o tempo entre apresentar o centro histórico e o distrito praiano de Trindade para o marido que ainda não conhecia a cidade.

A atmosfera da cidade fica incrível. Paraty tem realmente uma vocação cultural única e parece que suas ruazinhas de pedras irregulares são verdadeiras alamedas de um grande pavilhão a céu aberto feito para sediar eventos com essa pegada. É tão gratificante estar num pedacinho do Brasil que parece ter dado certo, ainda que por alguma dias. Em que as pessoas andam com segurança mesmo de madrugada, em que as ruas ficam apinhadas de gente para consumir cultura e gastronomia, onde índios mostram sua cultura e são reconhecidos por ela, no qual autores negros estiveram entre os mais vendidos...

Estive em duas agendas com o simpaticíssimo e acessível escritor Raphael Montes (do já best-seller Uma Mulher no Escuro, no topo das vendas de livros de ficção no Brasil no momento, cuja resenha do Silvestre Mendes você pode ler aqui). A primeira delas foi um debate sobre o livro dentro da cultura pop no Sesc. E o outro, o lançamento de uma antologia de 61 contos LGBTQ na Casa Para Todxs.

Também acompanhei na Flipei (feira paralela focada em editoras independentes) a mesa com o jornalista Glenn Greenwald e o ator e colunista Gregório Duvivier sobre o jornalismo nos tempos da Lava-Jato. Uma reflexão valiosa para nós jornalistas, tanto sobre comunicação quanto sobre política. E na mesa houve manifestação contrárias a Glenn, com direito a rojões atirados contra o palco...

Ficou um gostinho de quero mais absurdo só de pegar a estrada de volta para o Rio. E a certeza de que essa foi apenas a primeira de muitas Flips.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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