quarta-feira, 3 de julho de 2019

Não Estamos Aptos a Dizer Adeus




Na semana passada, recebi a chocante notícia da morte de um amigo querido, o Léo, aos 31 anos. Soube ao abrir o Instagram e ver uma foto homenagem de outra pessoa. Até tomar pé de tudo, demorei a saber o que havia acontecido. Uma miocardite fez despencar a pressão, os batimentos cardíacos e levou rins e fígado à falência.

Além do choque inicial pela sua morte, tive aquele momento de indignação: "por que ele?" Um cara mega feliz, brincalhão, alto astral... Eu já havia sofrido quando ele e o seu marido, o Gustavo, terminaram. E só pensava no Gustavo, por quem, mesmo separados, o Léo ainda tinha um forte amor.  Ele morava em Salvador, mas isso não nos impedia de nos falarmos com frequência e inclusive nos aconselharmos. Dias antes mesmo havíamos trocado mensagens, na época do meu aniversário. Tudo muito difícil de compreender. Na verdade, poucas são as vezes em que estamos aptos a dizer adeus...

Pouco menos de dois meses antes, quando retornava de uma viagem a São Paulo, recebi também a notícia da morte de outro amigo, outra vítima fulminante do próprio coração. Seu marido, viúvo, me contou. E foi um choque também. O Wilson era um cara saudável, cuidava do corpo e tinha uma vida relativamente boa e ativa. Ele e o Milton tinham uma relação de 14 anos, assim como eu e o Cristiano. E vi na sua mensagem uma coisa que eu sempre digo sobre o Cris: foi tanto tempo e eu o conheci tão novo, que ele mudou completamente a minha vida e eu nem lembro mais como era viver sem ele.

Aquilo me abateu de tamanha forma que chorei de imediato. E prometi a mim mesmo que iria valorizar a presença pra que a ausência, se vier, venha ao menos com a certeza de que vivemos tudo o que era possível para sermos felizes.

A morte nos traz reflexões profundas. Por sermos o único ser vivo consciente de que vamos morrer, flertamos com o fim por diversas vezes, seja num simulacro ou na partida de pessoas queridas. Realmente, a morte não escolhe lados, etnias, condição social e sequer idade. Como aquele ditado popular: para morrer, basta estar vivo. Que ao menos estejamos fazendo valer a pena estarmos vivos...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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