sexta-feira, 12 de julho de 2019

O Bagulho Tá Sinistro





A terceira temporada de Stranger Things bateu um recorde histórico dentro de um serviço de streaming. Em apenas quatro dias, quase 41 milhões de pessoas viram os episódios, ratificando algo que já sabíamos: a série é, sem dúvida, a galinha dos ovos de ouro da Netflix.

Nesta nova aventura, eletrizante e imperdível, os personagens já não são mais crianças. Eles cresceram e dividem com os espectadores as suas dores, angústias, dúvidas e descobertas sobre a sexualidade. Também foram introduzidas novas e deliciosas figuraças como Erica Sinclair (Priah Ferguson), a irreverente e debochada irmã mais nova de Lucas, que rouba as cenas e se destaca com as falas mais divertidas e sensatas da trama. Também temos a sarcástica Robin, a primeira personagem gay de Stranger Things, interpretada por Maya Hawke (filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), e o cientista russo Alexei (interpretado pelo ator ucraniano Alec Utgoff) que, com seu jeito inocente, conquistou os fãs. 

Nas temporadas anteriores, tínhamos citações a vários filmes como Alien, ET, Poltergeist, Os Goonies, Contatos Imediatos, Caça-Fantasmas, Conta Comigo e uma trilha sonora sensacional com The Clash, Echo and the Bunnymen e New Order, misturada com a cultura nerd dos jogos de RPG’s e, claro, Dungeons & Dragons. Nesta terceira parte, as referências parecem se ampliar ainda mais: De Volta Para o Futuro, Os Simpsons, Jurassic Park, Madrugada dos Mortos, O Exterminador do Futuro 2, Star Wars e História Sem Fim (que inclusive é retratada na trilha com um dueto sensacional da canção título, The NeverEnding Story). Eu até estava sentindo falta de uma trilha mais específica refletida nas bandas da época e aí, no último episódio, eles me jogam na cara Heroes, do David Bowie, só pra me fazer debulhar em lágrimas.

Stranger Things é nostalgia pura. E talvez o segredo da série esteja exatamente nesta perfeita combinação carismática de todo o elenco com suas referências e easter eggs da cultura pop, que mantém a identificação imediata com os quarentões da geração X quanto as posteriores, das Y e Z, que são representadas na tela. 

Sem dar spoilers, a história se passa um ano após o Devorador de Mentes ter sido destruído e Eleven (a maravilhosa Millie Bobby Brown) ter fechado o portal entre os dois mundos. Só que, na cidade de Hawkins, os russos (lembraram da Guerra Fria?) se instalaram na encolha e estão tentando reabrir o portal para o mundo invertido. Nesse meio tempo, enquanto os moradores estão entretidos com a inauguração do novo shopping e os preparativos dos festejos de 4 de julho, os “bagulhos sinistros” voltam a ocorrer e os moradores passam a ser possuídos, em uma clara referência a Invasores de Corpos. O roteiro foi todo construído em histórias paralelas e complementares, mas em um momento da série, todos os personagens se reúnem, convergidos na mesma trama.

E preparem os lenços. Nos acostumamos tanto com esses personagens que não dá pra aguentar as perdas sentidas e o vazio que eles deixam em nós quando sobem os créditos após a exibição da última cena.

Já há a previsão de uma quarta temporada no Natal de 2020 ou início de 2021, além de uma possível (e última) quinta temporada. Mas mesmo assim, ainda é muito tempo para os fãs da série. Estamos completamente em crise de abstinência.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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