quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Rei Leão: Vale o Novo Filme, 25 Anos Depois?




Quando se anunciou que O Rei Leão teria uma versão live action, os fãs da década de 1990 (entre eles, eu) ficaram em polvorosa. Já falei aqui o quanto Aladdin era meu favorito e o quanto amei a sua versão com atores reais. Mas existe um consenso que a história de Mufasa, Simba, Nala e Scar foi o ápice da reinvenção da Disney, iniciada com A Pequena Sereia (1991) e que passou o bastão para as animações em 3D com Toy Story (1995). Uma tragédia shakespeariana com traços de humor, aventura e muito musical (que, ironicamente, quando teve o seu original produzido, era considerado um “projeto inferior” – o principal foco do estúdio era em Pocahontas, que foi um fracasso).

O live action (que, de fato não é um live action, mas, sim, uma animação hiper-realista) estreou no último fim de semana e muitos críticos (principalmente os descaradamente fãs do original) foram cruéis. O foco foi principalmente na falta de emoção/antropomorfização dos animais e nas dublagens. Além disso, tinha um grande questionamento ainda no ar: havia a necessidade de fazer um novo filme de O Rei Leão sem acrescentar nada de novo ao conteúdo (o roteiro é praticamente o mesmo), apenas pela forma?

Na humilde opinião deste colunista aqui: não havia a menor necessidade. Mas houve uma relevância ao fazer esse movimento. Com tantos filmes no estilo live action pintando, emprestar uma nova roupagem ao maior clássico deles, 25 anos depois, era dar aos fãs um presente. É tudo perfeito do ponto de vista da estética, o máximo que o estúdio que anda arrebentando com filmes da Marvel e Star Wars tinha a oferecer no momento.  E, sinceramente, a falta de antropomorfização não me incomodou em nada. Quem está acostumado com animais sabe exatamente como é a sua linguagem e assistir a O Rei Leão era praticamente ligar no Animal Planet e ver um documentário onde as bocas dos animais se mexem. Foi impressionante o estudo que o diretor Jon Favreau (que está em todas na Disney ultimamente, inclusive nos filmes da Marvel) fez com essa parte comportamental dos bichos retratados. Inclusive na cena mais triste de todas do filme, a morte de Mufasa (isso não é spoiler, né, pessoal?) – a forma como o Simba se comporta é EXATAMENTE o que um filhote faz quando seu pai ou mãe morre.

Timão e Pumba estão simplesmente MARAVILHOSOS, dando o tom de comédia necessário para a película (principalmente logo após o seu momento mais dramático). E brincam em algumas situações com o fato de já conhecermos a história (quando eles começam a cantar Hakuna Matata para o Simba, por exemplo; ou quando fazem menção a outro filme da Disney). Aliás, Favreau faz isso em alguns momentos: logo na sequência original do ratinho há um gracejo com o nosso conhecimento sobre o que ocorre. Scar, embora bem menos afetado do que o original, é um vilão ardiloso, sarcástico e realmente mau. E funciona muito – diferente do Jafar do live action de Aladdin, um dos pontos que eu não gostei do outro filme. Simba e Nala na infância são as coisas mais fofas e, na fase adulta, ficam muito fiéis aos seus originais também. Estão todos lá: Rafik, Zazu, Sarabi, as hienas e Mufasa (que leãozão da porra que ele é)... Um apelo total à nossa memória afetiva.

No mais, fica uma mensagem atualíssima e uma aula sobre humanidade refletida nos animais (e baseada em Hamlet): a consequência dos recalques e a busca pelo poder levam os seres até os seus limites mais vis. E golpes são tramados desde que o mundo é mundo, bem embaixo dos nossos narizes. A primeira frase de Scar para o ratinho é emblemática: “a vida não é justa, não é mesmo, meu amiguinho?”. E isso vale para heróis e vilões. O necessário é viver o amanhã, como também (e tão bem) nos ensina o clássico Hakuna Matata.

Deu pra ver que eu amei de novo, né? Eu e as dezenas de pessoas que choraram ao ouvir a primeira nota da primeira música ao nascer do sol na savana e ao longo de toda a exibição.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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