quinta-feira, 11 de julho de 2019

Que Tipo de Conteúdo Você Produz?




Postar a foto de um livro, falar bem de um atendimento recebido em um restaurante ou indicar aquela série na Netflix é bem mais do que ser "só você mesmo" em suas redes sociais. Falar sobre um produto e recomendar ou não algo te faz, automaticamente, um influenciador. A sua experiência pode contaminar uma rede de pessoas que você nem tem ideia... E isso pode ser assustador. 

O meu negócio, por exemplo,  é entretenimento. Amo falar sobre séries, filmes, novelas e música. Gosto de dizer o que ando assistindo e fazer uma bela de uma propaganda para quem dá um like em minhas postagens nas redes ou espia os meus stories. Algumas pessoas já me falaram isso mais de uma vez, que assistiram ou até leram algo pelo simples fato de verem uma dica dada por mim. Agora imagine se cada uma dessas pessoas indicar esses programas para mais duas pessoas, que irão assistir e, consequentemente, gostar... Já teremos uma boa e modesta divulgação espontânea. 

Todo mundo quer ter os seus mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, só que na grande maioria dos casos não são só os números que importam; mas a relevância e o impacto do que é passado para o público também tem o seu peso. Se alguém com mais de mil seguidores consegue fazer com que 250 pessoas (chutando esse número já com uma margem de erro) assistam uma série ou filme, ou quem sabe até leiam algum livro e também iniciem o processo de indicação para outras X pessoas, é formada uma rede tão poderosa quanto dos influenciadores que falam para 15 milhões de seguidores,  que possuem os mais diversos gostos, gênero, faixa etária e renda salarial. 

Mas que tipo de produtor de conteúdo é você? Sobre o que você compartilha com seus amigos e desconhecidos? Que tipo de material você joga nas suas histórias em troca de views e likes? A qualidade sobre esse material, que pode ser do mais inofensivo ao mais esbanjador, é um recorte de quem você é como pessoa e o tipo de "bolha" social que está inserido. 

Um pouco complexo pensar sobre isso, eu sei. Até bem pouco tempo não me considerava um produtor de conteúdo (fora do meu ambiente de trabalho, claro). Mas a ficha caiu ao perceber como estava consumindo e fazendo com que outras pessoas consumissem o que via em redes sociais de amigos. Amigos estavam me influenciando e não uma celebridade instantânea, que nasceu no último mês da última semana. 

Chernobyl, última série que maratonei, por exemplo, era assunto em todas rodas de amigos com quem tive contato nos últimos dois meses. Alguns estavam amando de paixão, outros odiando. Existiam aqueles que não estavam entendendo todo o hype da trama. Mas ninguém estava - dentro da minha rede de amizade - indiferente ao novo produto com selo HBO de qualidade. O que praticamente acontece com algumas estreias da Netflix. Algumas recebem elogios de imediato ou são criticadas em questões de segundos após o lançamento. E esse julgamento inicial pode ajudar ou prejudicar o futuro de uma grande produção. 

Pensando nisso, que tipo de conteúdo você anda jogando pro mundo? O que você vem consumindo nos últimos tempos e o que vem indicando para quem te segue, dá like ou joinha nos seu vídeos? Quase não colocamos na balança o que exibimos sobre nossa vida privada. Talvez esse seja o primeiro de inúmeros erros, mas que não pode continuar do modo como está. Que tipo de produtor de conteúdo é você? E o que você anda divulgando para o mundo com essa ferramenta tão poderosa que são as redes sociais? 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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