sexta-feira, 23 de agosto de 2019

E-não-te-esqueças-de-mim





Tenho um carinho muito grande por esta pequena crônica, publicada originalmente no meu primeiro livro, Troco a bituca por duas jujubas, em 2016. Por mais que possa parecer um cenário onírico ou surreal, tudo o que aconteceu foi real. 

Ontem à noite, peguei sem querer o livro na estante e abri exatamente na página onde está registrado. Senti uma ânsia, uma espécie de aperto e pela manhã recebi uma mensagem que me deixou desnorteado, triste. Não sei se foi premonitório, mas senti a necessidade de colocar ele aqui no Barba Feita, pois muitos dos leitores ainda não o conhecem. 

E, antes de lê-lo, gostariam que compreendessem que ele é um pequeno exemplo para minha compreensão de EMPATIA, que requer observação e a exclusão do egocentrismo para dar espaço ao altruísmo e a nossa capacidade de se colocar no lugar do outro. Boa leitura.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Mindhunter - 2ª Temporada: Impecável




Dois anos atrás, Mindhunter entrou no catálogo da Netflix e me deixou completamente viciado. Devorei cada um dos dez episódios e torci para a série conseguir uma renovação e voltar com mais capítulos brilhantes. A boa notícia é que isso acabou acontecendo, mas a má foi o enorme intervalo que existiu entre uma temporada e outra.

Intervalo esse que valeu totalmente a pena. A segunda temporada da série conseguiu elevar o grau de perfeição da trama e me manter grudado no sofá por horas seguidas. A curiosidade de acompanhar os passos de um assassino misterioso - ainda longe do radar dos analistas de comportamento do FBI - e ver toda evolução profissional e também na vida pessoal de Holden Ford (Jonathan Groff), Bill Tech (Holt McCallany) e da Dra. Wendy Carr (Anna Torv) era enorme. Grandes expectativas foram criadas, restava saber se seriam atendidas na mesma medida. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A Morte Comemorada





Uma morte comemorada por um governador de Estado aos olhos de sua população. Assim foi o desfecho de um sequestro dramático de um ônibus com 37 passageiros no meio da Ponte Rio-Niterói na manhã de ontem. O Governador em questão é Wilson Witzel, o azarão que ganhou a disputa fluminense na última eleição, justamente com o discurso de tolerância zero contra a criminalidade. Ok, mas a que preço?

A ação da Polícia pode ter sido a única naquele momento para solucionar, de acordo como as coisas se desenrolavam. Havia dezenas de pessoas em perigo. A Polícia Militar teve que aprender muito com a ação fracassada do ônibus 174. Mas, pelo visto, aprendemos pouco com o que levou o sequestro do 174 ocorrer. Ainda nos atemos às consequências e, não, às causas.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ter Razão Nem Sempre é Ter a Palavra Final




Antes de desenvolver o texto de hoje, gostaria de trazer uma reflexão ao falar deste assunto: devemos nos incluir numa espécie de equação, ou seja, pensar que nós também gostamos de ter razão, que nós também gostamos de não sermos contrariados, criticados, corrigidos e isso se deve a um princípio muito simples; confundimos o que pensamos e o que dizemos com quem somos. Esse parágrafo, inclusive, é uma autorreflexão minha. Do meu comportamento.

Apesar do motivo de querermos ter a razão, estar certos no que pensamos, ser a relação entre pensamento e ser, ainda assim existe uma diferença entre as pessoas que são relativamente tranquilas na defesa de seus pontos de vista e outras que precisam ter o tempo todo a palavra final.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Brinquedo Assassino: Nonsense e Muito Divertido




Lançado em 1988, o Brinquedo Assassino original tinha os dois pés no sobrenatural. Tanto que o pontapé inicial da história acontecia quando um serial killer, fugindo da polícia, faz um ritual vodu para transferir a sua alma para o corpo de um boneco que, como se sabe, acaba virando o Chucky. E, em suas seis sequências, o plot foi mantido e, apesar do tom humorístico que a série ganhou, o terror sobrenatural sempre foi a sua raiz. 

Assim, quando um reboot da história foi anunciado, muito se especulou como a trama seria atualizada para os dias atuais. E, ao abandonar totalmente o sobrenatural, o novo Brinquedo Assassino (Child's Play, no original), que chega aos cinemas nacionais na próxima quinta, 22/08/2019, ganha uma certa "coerência", ao se aproximar um pouco mais da realidade, apesar do absurdo de sua história. Agora, Chuck é um boneco quase robô que, como uma Siri avançada, pode controlar todos os devices criados pela Kaplan, uma grande corporação de tecnologia e que também é a "dona" dos bonecos Buddi. A boa sacada do novo roteiro é fazer do boneco um assassino serial baseado no conceito de que uma inteligência artificial foge dos controles e não está disposta a ver o seu melhor amigo sendo afastado dele, disposto a tudo para manter o jovem ao seu lado. Vivemos uma era pós-Black Mirror, não é mesmo? Nada mais natural do que invocar uma das séries de ficção científica mais aclamadas da atualidade.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O Peso





Nós, seres humanos, somos construídos a partir de significados que vão sendo apropriados durante a vida. Somente através das interações é que construímos o conhecimento e nos integramos ao meio em que vivemos. Ou seja, somos constituídos do meio cultural em que nascemos. Conflitos, traumas e inquietações fazem parte de nossa natureza, mas tenho observado, cada vez com mais frequência, que indivíduos estão mais ansiosos, depressivos e estressados. E isso tem ligação direta com o meio social. Sim, estamos rodeados de pessoas com distúrbios neuróticos. E de vez em sempre eu volto com esse assunto às minhas sessões de análise: o mundo anda psicotizado demais e não estamos nos dando conta de que precisamos, cada vez mais, de auxílio terapêutico.

Quando era mais jovem, acreditava que quem fazia análise era um fraco. E que eu poderia resolver meus conflitos internos na solidão do meu quarto, com uma boa noite de sono. Quando se falava em psiquiatria então, vinculava àqueles cenários de hospícios, choques elétricos e pessoas babando na gravata. Até que um dia tive síndrome do pânico. Já estava apresentando alguns pequenos sintomas, medos que considerava bobos, cansaço mental e em uma noite, repentinamente, achei que estava tendo um ataque cardíaco e simplesmente travei. Lembrar disso, mesmo depois de tanto tempo, ainda me assusta, mas foi assim... praticamente do nada, me vi em um abismo. Ainda tive uma certa resistência para buscar auxílio, mas quando vi que estava entrando em um labirinto escuro, gritei.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A Cultura Brasileira Agoniza





A frase dita por Wagner Moura resume tudo: 
"A arte é sempre um ambiente que te faz pensar. E é por isso que agora, no Brasil, há uma grande campanha contra a arte e a cultura. Contra o pensamento crítico, contra os livros. E se você estudar a história dos governos fascistas pelo mundo, verá que esses são os primeiros sinais, que isso é o vento que antecede a tempestade." 
Só com esse parágrafo já bastaria a leitura reflexiva da coluna de hoje. 

No último fim de semana, assisti a dois espetáculos que me fizeram sair dos teatros com a sensação de um seco soco no estômago, daqueles que te deixam com uma dor na alma. Estrelado por Camila Pitanga e a Companhia Brasileira de Teatro, a peça Porque Não Vivemos, dirigida por Márcio Abreu e inspirada na obra de Tchecov, o clássico ganha ares contemporâneos com cenas que muito nos lembram a nossa realidade. O segundo, um monólogo conduzido por Gregório Duvivier, Sísifo, escrito por ele e Vinícius Calderoni, que também dirige o espetáculo, fala sobre temas atuais com boa dose de humor, porém doses bem maiores de reflexão.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Years And Years: O Futuro Já Começou e Não é Nada Animador





Parece que a HBO não veio para brincadeira com as suas produções nesse ano de 2019. E se a temporada final de Game of Thrones não agradou a todos, a emissora está colhendo elogios diversos de público e crítica graças às tramas de Chernobyl, Euphoria e, agora, Years and Years que, ouso afirmar, é simplesmente a melhor produção para a televisão desse ano.

Criada por Russell T. Davies (que também criou a Queer as Folk original britânica e comandou a volta de Doctor Who em 2005), Years and Years é focada na família Lyons que, apesar de suas divergências, formam aquela família padrão e bonitinha, em que todo mundo se mete na vida de todo mundo e onde o amor prevalece. O que é interessante, porém, é a forma como a história é narrada, já que ela é uma espécie de distopia, mas plenamente plausível, se iniciando em 2019 e seguindo por 15 anos no futuro, com desdobramentos possíveis, principalmente ao analisarmos a atual situação política mundial.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A Rua Abbey






Ontem, 8 de agosto, a icônica foto dos Beatles atravessando a faixa de pedestres em Abbey Road fez 50 anos.  O fotógrafo responsável, o escocês Iain MacMillan, jamais poderia imaginar que aquele clique poderia se perpetuar no mundo inteiro: até hoje, milhares de turistas visitam o local, que fica em St. John's Wood (uma parte rica e residencial de Londres) e tentam reproduzir a mesma cena.  Estive lá em março do ano passado e é claro que fiz a mesma coisa, sob um frio de rachar.

Naquela manhã de 1969, fazia muito calor.  Em um período turbulento, os Beatles, que quase já não se falavam direito, estavam finalizando as gravações de um novo álbum ainda sem título e tinham um futuro que já caminhava para a dissolução.  Antes das 11:30, interromperam as gravações e posaram para as lentes de Iain.  Com a ajuda de um policial, que segurou o trânsito, o fotógrafo fez somente seis cliques em frente ao Abbey Road Studios: três indo e três voltando.  John Lennon, irritado, ainda achou que tudo estava demorando demais e antecipou o fim da sessão de fotos alegando que todos precisavam retornar ao estúdio e continuar as gravações.  Tudo não durou nem dez minutos.  E o quinto clique foi o escolhido, pois mostrava todos os quatro sincronizados.  Veja aqui neste link algumas fotos realizadas do backstage naquele dia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sandy & Junior (E o Relato de Quem Amou a Turnê) Nossa História





Sexta-feira, 02/08, às 19h30, eu estava indo rumo ao show de Sandy & Junior. Eu e metade do Rio de Janeiro também, diga-se de passagem. Consegui o meu ingresso na base da boa e velha insistência. Só quem ficou horas na fila virtual e viu que as entradas estavam se esgotando em pouquíssimo tempo é que sabe o quanto foi desafiador finalizar uma compra e ela não dar como cancelada ao chegar no e-mail de destino. Mas deixando essa lembrança de lado, fui ao show. E QUE SHOW!

Só agora, muitos anos depois que sai da adolescência, é que a ficha acaba caindo do quanto a nossa vida está entrelaçada com Sandy e Junior. Já fui a shows de Lulu Santos, Nando Reis e inúmeros cantores, grupos e bandas em que sabia todas as músicas. E isso acabou, obviamente, se repetindo na semana passada, só que foi totalmente diferente das outras apresentações que testemunhei. Cada música dos irmãos cabe em um determinado momento da minha vida. E só estando ali, compartilhando aquele momento com um estádio lotado, é que percebi que o título do show possui uma carga poética única. A história que é cantada ali não é só dos mais de 30 anos de carreia dos dois, mas dos 30 anos deles comigo, com você, com a gente... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A Volta de La Casa de Papel: Precisava?





Eu já falei aqui antes o quanto gostei das primeiras duas temporadas (na verdade era uma só, que foi dividida pela Netflix) de La Casa de Papel. A série espanhola se tornou queridinha ao redor do mundo, inclusive (e talvez principalmente) no Brasil e é até hoje a produção de língua não-inglesa mais assistida e bem-sucedida da plataforma. O encerramento da segunda temporada foi bem amarrado, equilibrado entre as dores das perdas e o happy ending que uma trama como tal pedia. 

Por isso, vinha logo a pergunta: havia a necessidade de dar continuidade à história? Definitivamente, não. A Dona Netflix resolveu surfar no sucesso e no apelo que a série ainda preservava mundo afora e resolveu bancar uma nova temporada. Aliás, ao menos duas novas temporadas (já que ao fim da terceira vemos que tudo fica em aberto). Mas já que a história tá lá disponível, o que a gente fez? Foi lá ver. E curtimos? Sim!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma “Máquina Mistério” Chamada Brasil




Formando um grupo de quatro pessoas metidas a detetives, Fred, Velma, Daphne e Salsicha, com um dogue alemão falante chamado Scooby-Doo, viajam numa van chamada Máquina Mistério e ajudam a investigar casos misteriosos. Visitam lugares inóspitos, casas mal-assombradas, parques abandonados, pântanos e ilhas, a maioria das vezes ameaçados por monstros, zumbis, vilões, que são chamados muitas das vezes de fantasmas, mesmo não sendo.

A fórmula dos episódios dos desenhos do famoso cão atrapalhado é sempre a mesma: os vilões estão sempre disfarçados e as verdadeiras identidades são reveladas ao tirarem suas máscaras. Por trás delas há sempre o rosto de algum personagem já conhecido na história, um humano. Cada vez que são desmascarados, os vilões sempre dizem: "Eu teria conseguido se não fossem por aqueles garotos enxeridos e esse cachorro idiota."

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Divã: Será Que Sou Bissexual?





E tem gente que diz que meu jeitinho fofo não é lá muito eficiente na hora de aconselhar pessoas. Viram só, amiguinhos? Chupem essa! Meu direct do Instagram bombou de dúvidas depois da primeira coluna Divã aqui no Barba Feita e é fato: a coluna veio para ficar. Então, não se apressem ou se estressem, uma hora eu respondo por aqui a sua dúvida amorosa-sexual-existencial. Porque agora eu sou coach e coach é assim. Minha formação de coach: a vida (alheia). Rá!

Mas, sem mais delongas, vamos a coluna do dia. Com vocês, nosso amigo Hétero Flexível e sua dúvida de hoje!

Olá,

Tenho 27 anos e namoro uma menina de 24. Gosto muito da minha namorada, mas já fiquei com outras duas meninas depois que começamos a namorar, inclusive uma casada. No meu entender não mudou em nada o meu sentimento (que é verdadeiro). Mas esse não é meu maior problema…

O meu maior problema é que, às vezes, sinto atração física por outros rapazes. Essa atração é simplesmente física, não sentimental; às vezes, tenho vontade de experimentar sexo com eles, mas não tenho vontade de trocar carinhos e beijos como tenho com mulheres.

Posso me considerar um bissexual?
Hétero Flexível

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Eles Querem Que os Pobres se Explodam!





Tem muita gente que acredita que os programas humorísticos atuais pegam pesado com os políticos e algumas instituições. Eu até concordo que um jovem diga isso, pois não possui parâmetros para fazer esse julgamento. Aos demais, credito a falta de memória, pois as críticas sociais sempre estiveram presentes e praticamente todos os ex-presidentes da República já foram criticados, imitados e achincalhados em programas como o Casseta & Planeta ou através de humoristas como Gustavo Mendes, que explodiu com a sua versão desbocada de Dilma Rousseff.

Mas como estava dizendo, isso não é de hoje. Chico Anysio sempre foi o mestre da zoação e eu adorava as centenas de seus tipos caricatos. Em meados dos anos 1980, um deles causou muitas reações no meio evangélico: Tim Tones, o pastor racista que comandava um programa de tevê e enriqueceu a família graças às contribuições dos fiéis, era um dos meus favoritos. Inspirado no fanático religioso Jim Jones, que organizou um suicídio em massa na Guiana, o personagem satirizava a cegueira das pessoas influenciadas pelo charlatanismo de curas milagrosas que não se concretizavam e, ao final dos cultos, sempre repetia o bordão vamos passar a sacolinha!, ajudado pelos seus sete filhos, crianças com nomes americanizados.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Pais de Pets Também São Pais?!





Apesar de muita gente se sentir ofendida quando esse tipo de "comparação" é feita, eu acredito que, muitas vezes, alguns pets recebem mais atenção, carinho e amor do que muita criança que acaba de nascer. Falo isso sem desmerecer os animais ou entender que nem todo bebê nasce no melhor dos mundos. O meu texto nem é sobre isso, não quero seguir por esse rumo. O que pretendo, em todo caso, é refletir um pouco sobre esse questionamento bobo que surge por aqui e ali... Pais de pet podem ser considerados... Pais?

Se fizermos a equação simples de colocar o animal x humano, muitos dirão que não, pela simples biologia. Mas se olharmos atentamente, um recém nascido, seja pet ou humano, precisa das mesmas atenções. A bem da verdade, os primeiros meses são iguais. Comem, dormem, pedem comida, fazem necessidade na hora que bem desejam e no momento que bem entendem. Eles não possuem controle e nem filtro das atitudes que estão tomando. Alguns humanos serão assim pelo resto da vida, assim como alguns animais. Só que esse comportamento, aos poucos, vai amadurecendo e separando o individuo e o pet do que eles serão no futuro.