quarta-feira, 21 de agosto de 2019

A Morte Comemorada





Uma morte comemorada por um governador de Estado aos olhos de sua população. Assim foi o desfecho de um sequestro dramático de um ônibus com 37 passageiros no meio da Ponte Rio-Niterói na manhã de ontem. O Governador em questão é Wilson Witzel, o azarão que ganhou a disputa fluminense na última eleição, justamente com o discurso de tolerância zero contra a criminalidade. Ok, mas a que preço?

A ação da Polícia pode ter sido a única naquele momento para solucionar, de acordo como as coisas se desenrolavam. Havia dezenas de pessoas em perigo. A Polícia Militar teve que aprender muito com a ação fracassada do ônibus 174. Mas, pelo visto, aprendemos pouco com o que levou o sequestro do 174 ocorrer. Ainda nos atemos às consequências e, não, às causas.

Temos um Estado doente, com o crime organizado enraizado na politica (tanto nos poderes executivo e legislativo) e no judiciário. Ou alguém dúvida que existe complacência com o tráfico (e até mesmo estímulo e lobby) entre os grandes poderosos? Temos uma população que não sabe mais para onde recorrer e que começou a preferir ao menos ter algum tipo de vingança contra a criminalidade que a priva de tanta coisa do que acreditar numa reforma lenta e gradual. Uma população que naturalizou assistir de perto a assassinatos, assaltos e ações policiais. Que ouve tiroteios dignos de guerra na madrugada e se acostumou a continuar a ver suas novelas na TV. Que consegue comer coxinha e fazer altinho em meio à ponte interditada prestes a abater uma pessoa.

Sim, o próprio governador disse que o ideal seria terminar a operação sem mortos na entrevista dada a seguir. Mas desceu do helicóptero comemorando como um gol da seleção brasileira. Witzel, além de optar por uma política assassina, é um fanfarrão ambicioso. Acredita que consegue ser presidente do Brasil. Seríamos capaz de duvidar? Ou não é exatamente esse tipo de comportamento que muitos querem ver? 

Ontem, muitos fomos vítimas junto com o episódio daquele ônibus sequestrado. Mas será que fomos inocentes?

Leia Também:
Zico Camara  
Zico Camara é filósofo autodidata, conversador de botequim e autor nas horas vagas. Pode não parecer, mas é um otimista e apaixonado pelo seu país.
FacebookInstagram


A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

Nenhum comentário: