segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Brinquedo Assassino: Nonsense e Muito Divertido




Lançado em 1988, o Brinquedo Assassino original tinha os dois pés no sobrenatural. Tanto que o pontapé inicial da história acontecia quando um serial killer, fugindo da polícia, faz um ritual vodu para transferir a sua alma para o corpo de um boneco que, como se sabe, acaba virando o Chucky. E, em suas seis sequências, o plot foi mantido e, apesar do tom humorístico que a série ganhou, o terror sobrenatural sempre foi a sua raiz. 

Assim, quando um reboot da história foi anunciado, muito se especulou como a trama seria atualizada para os dias atuais. E, ao abandonar totalmente o sobrenatural, o novo Brinquedo Assassino (Child's Play, no original), que chega aos cinemas nacionais na próxima quinta, 22/08/2019, ganha uma certa "coerência", ao se aproximar um pouco mais da realidade, apesar do absurdo de sua história. Agora, Chuck é um boneco quase robô que, como uma Siri avançada, pode controlar todos os devices criados pela Kaplan, uma grande corporação de tecnologia e que também é a "dona" dos bonecos Buddi. A boa sacada do novo roteiro é fazer do boneco um assassino serial baseado no conceito de que uma inteligência artificial foge dos controles e não está disposta a ver o seu melhor amigo sendo afastado dele, disposto a tudo para manter o jovem ao seu lado. Vivemos uma era pós-Black Mirror, não é mesmo? Nada mais natural do que invocar uma das séries de ficção científica mais aclamadas da atualidade.

Na trama atual, ao ser maltratado em uma indústria de trabalho quase escravo no Vietnã, um homem decide se vingar antes de cometer suicídio: ao programar um novo boneco Buddi, o homem destrava todos os controles que fazem dele um robozinho fofinho, deixando-o com uma inteligência pronta para o mal, incluindo uma boa dose de violência entre as possibilidades dessa programação. Do Vietnã o boneco acaba chegando aos EUA e cai nas mãos do jovem Andy, já que sua mãe aproveita a devolução desse Buddi com defeito e olhos vermelhos e o dá de presente de aniversário antecipado ao filho. E, é claro que o Buddi, que ganha o nome de Chucky, cria um verdadeiro amor psicótico por seu dono, fazendo da vida (e morte) de todos ao redor um verdadeiro inferno.

Mantendo o bom humor dos filmes originais, Brinquedo Assassino faz rir. A história é bizarra, há de se convir, e o gore rola solto ao longo dos 90 minutos do filme: tem sangue, vísceras e muitas mortes nojentas durante todo o longa. E, se não assusta, o novo Chucky diverte com seu jeito creepy e seu amor maluco pelo jovem Andy.

Nonsense, a nova versão de Brinquedo Assassino é um ótimo programa para quem gosta de diversão descontraída. E, ao reciclar a história de Chucky, vejo uma nova geração que certamente vai se render aos encantos desse boneco maldito, fazendo com que a nova franquia tenha vida longa pela frente, enquanto o seu protagonista vai continuar matando por aí. Será? Quem viver - longe de Chucky -, verá!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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