quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Mindhunter - 2ª Temporada: Impecável




Dois anos atrás, Mindhunter entrou no catálogo da Netflix e me deixou completamente viciado. Devorei cada um dos dez episódios e torci para a série conseguir uma renovação e voltar com mais capítulos brilhantes. A boa notícia é que isso acabou acontecendo, mas a má foi o enorme intervalo que existiu entre uma temporada e outra.

Intervalo esse que valeu totalmente a pena. A segunda temporada da série conseguiu elevar o grau de perfeição da trama e me manter grudado no sofá por horas seguidas. A curiosidade de acompanhar os passos de um assassino misterioso - ainda longe do radar dos analistas de comportamento do FBI - e ver toda evolução profissional e também na vida pessoal de Holden Ford (Jonathan Groff), Bill Tech (Holt McCallany) e da Dra. Wendy Carr (Anna Torv) era enorme. Grandes expectativas foram criadas, restava saber se seriam atendidas na mesma medida. 

Meu primeiro receio era saber de qual forma a série começaria o seu novo ano. Se exatamente do ponto onde parou, com Holden deixado no chão após um colapso, ou se teríamos um salto no tempo. Ainda bem que Mindhunter teve coragem de responder questões logo de cara e não pulou etapas. Vimos o que aconteceu com Holden após sua crise de pânico ao ser abraçado por Edmund Kemper (Cameron Britton). O agente precisou ser controlado e sedado para poder se acalmar. Achei que essa "nova" característica do personagem fosse ser bastante abordada durante os nove episódios, mas isso não acabou acontecendo dessa maneira. 

Para sair da ala hospitalar, Ford precisou pedir socorro para Bill, o que acabou sendo uma maneira interessante de colocar a dinâmica entre os dois personagens em um novo nível. Aproveito para dizer que Tech teve um espaço diferente nessa nova leva de episódios. Foi possível observar como o agente precisa se dividir entre duas vidas: marido e pai x agente do FBI. E, apesar de todos os esforços, ele não consegue ser tão presente quanto gostaria com sua mulher e seu filho. Talvez, meu único porém com os plots dessa temporada seja até com essa trama. Acho que a família de Bill poderia ter recebido uma abordagem um pouco diferente. Seria bacana ter um pouco de "drama comum" familiar misturado com as entrevistas e análises dos assassinos de crimes brutais. 

Wendy, assim como Bill, também teve mais espaço nesse ano. Foi possível observar que a Dra. possui "segredos" e que tenta descobrir o seu lugar dentro da equipe. Acredito até que em uma eventual terceira temporada, Wendy e Bill possam ser mais amigos. Ao contrário de Holden, os dois conseguem usar a inteligência emocional para ver o que acontece ao redor deles. Não que isso seja uma arma para ajudar com a vida sentimental de cada um, mas é uma bússola para perceber o que está rolando pelos corredores do FBI. 

Enquanto cada um dos agentes vai equilibrando a vida pessoal com a profissional, BTK - assassino que é citado e aparece desde a primeira temporada - também enfrenta seus imprevistos. Mas o foco da vez é um assassino em série em Atlanta, que mata crianças negras. E por mais fantasioso e chocante que seja, os acontecimentos são baseados em um caso real.

Mindhunter consegue ser um tipo ímpar de série, mesmo abordando um tema que não é tão novo entre os fãs do gênero. A direção de David Fincher, Andrew Dominik e Carl Franklin merece todos os elogios do mundo. A atmosfera que a série consegue retratar é simplesmente fantástica. Cada cena, diálogo e interpretação estão milimetricamente perfeitos em seu lugar certinho. 

Talvez a maior sacada da segunda temporada é não depender de um único protagonista para levar a trama. Se no primeiro ano Holden acaba recebendo muita atenção, nesse ano o personagem ganha até ares de secundário. Sendo necessário só para "passar" uma vergonha e mostrar que seu instinto acaba não sendo infalível como imaginava. 

O único defeito da segunda temporada de Mindhunter é que ela termina. O gosto de quero mais episódios permanece e só desejo que não demore mais dois anos para poder conferir uma terceira temporada.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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