quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Pais de Pets Também São Pais?!





Apesar de muita gente se sentir ofendida quando esse tipo de "comparação" é feita, eu acredito que, muitas vezes, alguns pets recebem mais atenção, carinho e amor do que muita criança que acaba de nascer. Falo isso sem desmerecer os animais ou entender que nem todo bebê nasce no melhor dos mundos. O meu texto nem é sobre isso, não quero seguir por esse rumo. O que pretendo, em todo caso, é refletir um pouco sobre esse questionamento bobo que surge por aqui e ali... Pais de pet podem ser considerados... Pais?

Se fizermos a equação simples de colocar o animal x humano, muitos dirão que não, pela simples biologia. Mas se olharmos atentamente, um recém nascido, seja pet ou humano, precisa das mesmas atenções. A bem da verdade, os primeiros meses são iguais. Comem, dormem, pedem comida, fazem necessidade na hora que bem desejam e no momento que bem entendem. Eles não possuem controle e nem filtro das atitudes que estão tomando. Alguns humanos serão assim pelo resto da vida, assim como alguns animais. Só que esse comportamento, aos poucos, vai amadurecendo e separando o individuo e o pet do que eles serão no futuro.

Conheci uma pessoa que tinha verdadeira adoração por sua cachorrinha. Sério, eram grandes amigas. Após uma tragédia familiar, essa minha conhecida acabou encontrando essa cachorrinha e uma foi um presente na vida da outra. A cachorrinha, até ter essa vida tranquila, viveu pelas ruas de Copacabana, foi atropelada (segundo o que minha amiga descobriu no check-up feito por ela no veterinário), além de ter sofrido outros tipos de agressões. Até marca de queimadura era visível, o que era uma tristeza quando se pensava na vida da pequena até ali. Só que o mundo dá voltas e ela foi parar em um GRANDE apartamento com espaço para ela dormir onde bem quiser, comer quando quiser e ainda receber cafunés diante da televisão da sala. Uma princesa, das mais educadas, após um belo tempo de adaptação. Só que minha conhecida ama contar o tanto de mimo que ela faz questão de fazer por sua melhor amiga. Não por ser fútil, mas porque ela não possui mais ninguém em sua vida, sem parentes vivos, sem filhos, só ela e sua melhor amiga, que faz questão de tratar muito bem. 

Se existe uma imagem que me parte o coração é ir para Barra da Tijuca pelo Alto da Boa Vista ou pela Grajaú-Jacarepaguá.  São tantos cachorros abandonados que é de partir o coração. Alguns permanecem dias no mesmo lugar, esperando o retorno de seus donos, que nunca voltarão para buscar por eles. Esse abandono consciente é algo que não consigo compreender. O que faz uma pessoa pegar aquele ser que viveu com ela pelos últimos anos, colocar em um carro e jogar pra fora dele, em um local perigoso e desconhecido? Esse tipo de tratamento que alguém que gosta de você merece? Talvez, por analisar por esse olhar, sinta mais raiva da raça humana do que antes de iniciar esse texto. 

Não podemos esquecer que bebês são deixados, abandonados, largados ou até jogados em lixo. A vida não escolhe se será fácil ou difícil pra ninguém. É um jogo diário de sorte ou azar. E assim como um animal, pode ser que alguma boa alma cruze o seu caminho e decida dar uma vida de princesa, com tudo o que tem direito e mais um pouco. 

No fim, só em dar suporte para viver melhor, se alimentar, receber doses de carinho e atenção, podem fazer sim um "humano" ser visto como Pai de um pet. Afinal, adoção no mundo humano existe e vai muito bem. Não é porque alguém foi adotado que não terá pai ou mãe. Ou Pães e Mães (essa foi uma tentativa frustrada de fazer uma piada). O que o mundo precisa é de menos gente questionando como outras pessoas se sentem e mais gente querendo fazer o bem por aí, seja pela própria espécie ou por outra diferente; o que vale é o amor.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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