quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Quando Eu Conheci Renato Russo





Dia desses eu estava sem sono e como não tinha nada para fazer, entrei no Twitter. E, por obra do acaso, me deparei com um vídeo que me surpreendeu bastante. Renato Russo cantando com Adriana Calcanhoto. Não só isso. Os dois estavam cantando Esquadros, uma das músicas mais memoráveis da cantora. Fui pego de surpresa por muitos motivos. O primeiro deles é o fato de não ter ideia da existência desse dueto. Em segundo lugar, pensava que Renato já havia falecido na época que essa musica tinha sido lançada, e ainda bem que não. 

Lógico que o sono, que era inexistente, acabou diminuindo mais ainda depois desse momento, então fiz o que qualquer pessoa normal faria: abri o YouTube. E lá descobri que os dois não só cantaram uma musica da Adriana, mas eles fizeram um dueto mega especial cantando Rita Lee. Sim, eles imortalizaram Agora Só Falta Você e eu fiquei embasbacado com essa inesperada junção musical.

Acabei entrando em um looping musical infinito. Escutei de Nada Por Mim, cantada com Hebert Viana, até Strani Amore, que se imortalizou na voz do próprio Renato. 

Mas chegou um momento que acabei encontrando com um antigo Silvestre. Alguém mais inocente de mundo, musicalmente e cheio de sonhos. Alguém que se sentiu o rei do mundo ao descobrir a Legião Urbana e muito fodão quando decorou a letra de Faroeste Caboclo e sabia todas as estrofes de Índios

Lembro que Renato e Cazuza foram, de muitas maneiras, meus companheiros em uma época bem solitária. Não que não possuísse amigos, mas é aquela fase da vida que a gente nem sabe ao certo o que se passa, só temos certeza que não estamos bem. Precisamos de algo e nem sabemos ao certo o quê. 

Podemos achar que não, mas algumas musicas se tornam tão inesquecíveis e de uma maneira tão forte e especial que a gente sempre vai lembrar de todas as sensações de como foi escutar pela primeira vez. Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto é uma dessas canções... 
“Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor... e toda dor bem do desejo de não sentirmos dor...” 
A parte mais “louca” de amadurecer é revisitar quem se era. Eu tive um desses momentos e foi incrivelmente assustador. Fiquei tentando me encontrar dentro do universo interno que habito. Já adianto que não foi nada fácil, mas nunca é, não é mesmo? Não tinha ideia do poder que Renato Russo e a Legião Urbana possuem sobre mim. 

Ao crescer, nos tornarmos diferentes, essa é a missão. Isso que é evoluir, né? Mas é complicado perceber o tanto que a gente se perde de nós mesmos. Vamos evoluindo e esquecemos de dar uma olhada pra trás e revisitar quem a gente era...

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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