terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma “Máquina Mistério” Chamada Brasil




Formando um grupo de quatro pessoas metidas a detetives, Fred, Velma, Daphne e Salsicha, com um dogue alemão falante chamado Scooby-Doo, viajam numa van chamada Máquina Mistério e ajudam a investigar casos misteriosos. Visitam lugares inóspitos, casas mal-assombradas, parques abandonados, pântanos e ilhas, a maioria das vezes ameaçados por monstros, zumbis, vilões, que são chamados muitas das vezes de fantasmas, mesmo não sendo.

A fórmula dos episódios dos desenhos do famoso cão atrapalhado é sempre a mesma: os vilões estão sempre disfarçados e as verdadeiras identidades são reveladas ao tirarem suas máscaras. Por trás delas há sempre o rosto de algum personagem já conhecido na história, um humano. Cada vez que são desmascarados, os vilões sempre dizem: "Eu teria conseguido se não fossem por aqueles garotos enxeridos e esse cachorro idiota."

Escrever o texto de hoje, foi inspirado em (mais) uma declaração do criador da obra Scooby-Doo, Joe Ruby. Não é a primeira vez que leio algo em que o autor diz que a mensagem subliminar que sempre quis imprimir em suas histórias era de que “os verdadeiros monstros são, na verdade, humanos”. E como sou adepto às analogias, tecer um paralelo entre essa mensagem e o nosso país nos dias atuais não me soou nada mal depois de um fim de semana discutindo sobre política.

Volto sempre a bater na mesma tecla das últimas eleições onde uma banca autointitulada “conservadora” teve vitória não só na eleição presidencial mas também na Câmara dos Deputados, Senado e estados brasileiros. Esse foi o estopim para muitas “amizades” serem desfeitas, relações entre familiares serem interrompidas e toda a sorte de desentendimentos. Tudo por conta de ideologias e defesas de posicionamentos conforme suas próprias razões e crenças.

O fato maior e mais importante é que, não obstante a tais posicionamentos, passei a olhar as pessoas com outros olhos (e porquê não, como elas verdadeiramente são?). Uma coisa é você crer numa possível mudança do país e da sociedade com base pura e simplesmente na sua opção em saber de fatos pela metade, ou mesmo tomar tais notícias como verdade absoluta, seja por preguiça de pesquisar e entender a fundo ou por simples ignorância (ou inocência, quero crer) das reais intenções da nova safra de governantes. Outra coisa (e é a que mais me entristece) é você, mesmo diante de tantas evidências, continuar uma defesa infundada sobre o que está acontecendo em nosso país e pautar suas convicções em fatos rasos e sem sentido e que destoam completamente de ditas boas intenções.

Caros, é evidente que não há boas intenções. É evidente que tudo que serviu de plataforma para a venda da campanha política que elegeu os atuais governantes está sendo feito ao contrário. É evidente que todas as condutas apedrejadas de governos anteriores se repetem e, quando não, são colocadas em prática de forma muito - mas muito mesmo! - pior, mais suja. E o que mais me decepciona é ver que as pessoas que um dia fizeram parte do meu convívio social se mostram tão diferentes em seu âmago. É triste ver que as pessoas às quais dediquei amor e admiração, no fundo, precisavam de um porta-voz para colocarem para fora todas as suas sombras antes não legitimadas.

Se eu estou certo? Se a razão é minha? Se as pessoas que não tem o mesmo ponto de vista que eu estão erradas? Essas são perguntas que prefiro não responder. Não cheguei à conclusão das minhas percepções sozinho. Mas com base em evidências. Passadas e presentes. E que prevêem um futuro muito ruim. O fato é que me posicionar social e politicamente sempre me causa um desgaste, mas não posso me dar por vencido quando acredito e quero lutar por um país, um mundo melhor pra se viver. Mesmo que a luta seja árdua e talvez eu vá embora para outra dimensão sem ter vencido alguma batalha, pelo menos a semente entendo que tenho a obrigação de deixar plantada.

Mas não quero fazer parte do outro grupo. Não é nas máscaras que acredito. Quero pegar carona na Máquina Mistério e, junto com a trupe dos bem-intencionados enxeridos, que vasculham o passado e munem-se de informação para tentar enfraquecer o monstro mascarado que cresce a olhos vistos e cada vez mais cruel chamado SOCIEDADE.

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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