sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Bacurau: Se For, Vá em Paz




Se você ainda não teve a oportunidade de assistir Bacurau nos cinemas, mas ainda pretende, sugiro que pare imediatamente de ler o texto da coluna de hoje. É sério. Se ainda não viu, aproveito para insistir que pare o que esteja fazendo e efetivamente vá. E não leia este texto até se levantar da poltrona do cinema. Digo isso porque é muito importante que você seja impactado sem saber absolutamente nada sobre o filme. Esse é o grande barato da película.

Então vamos lá... Ultima chance que estou dando, hein... 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Years and Years: O Retrato do Nosso Presente




"Tudo ia bem até uns anos atrás, antes de 2008. Lembram? Achávamos política um assunto chato. Bons tempos! E agora, me preocupo com tudo. Nem é o governo, são os bancos. Eles me apavoram. E não só eles. As empresas, as marcas, as corporações que nos tratam como algoritmo enquanto envenenam o ar, a temperatura, a chuva. E agora temos os Estados Unidos. Nunca achei que fosse ter medo deles, mas temos fake news, fatos falsos, nem sei mais o que é verdade. Em que tipo de mundo vivemos? Se está tão ruim agora, como vai ser pra você daqui a 30 anos? Dez anos? Cinco anos? Como vai ser?"
Esse é um dos mais potentes momentos iniciais de Years and Years, série obrigatória para todos que acreditam que estamos à beira de uma grande distopia. Afinal, você já parou para pensar que o atual momento que estamos vivendo é digno de uma boa trama de ficção cientifica, não é mesmo? Em alguns níveis, é possível dizer que é tudo muito Black Mirror e com umas boas doses de um grande dramalhão nonsense sem fim.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Em Família




Neste fim de semana (em mais um, na verdade), estive envolto em alguns programinhas familiares que me trouxeram a reflexão de hoje. E percebi o quanto eu e pessoas próximas a mim somos, de fato – em parte ou no todo – espelho de nossa família. Afinal, é no ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Aprendemos a perceber o mundo, damos início à nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Por isso, é tão comum que nos comportemos como quem nos criou, como nossos pais, tios ou avós, trazendo traços da personalidade e atitudes muito semelhantes deles.

Certas situações podem causar grandes frustrações em uma vida. Muitos definem a família como sendo a base de tudo, uma expressão bastante utilizada para caracterizar o laço familiar que vai além do sangue, sendo também emocional e espiritual. Confesso que eu mesmo me utilizo muito desta expressão nas minhas legendas e hastags. Mas esta base pode se desintegrar, desgastando e se tornando prejudicial, dependendo do ambiente e do momento que você vive. Ou da concepção vazia que você dá a ela. Então, é preciso preservá-la sempre.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Invejosos Invejarão





Pimenteiras em vasos pela casa. Folha de arruda atrás da orelha. Banho de sal grosso. Além disso, aquele case de sucesso particular? Não compartilhado e guardado à sete chaves  dos olhos de terceiros.

Sério! Pra se proteger de inveja e olho gordo, para muita gente vale de tudo. Até apelar para as simpatias ou o que mais o valha. É o seu caso?

Particularmente, nunca acreditei muito nesses paranauês de energias negativas, que inveja pudesse trazer mal e afins. Mas, a gente está sempre em processo de aprendizado e, muito sinceramente, estou revendo meus conceitos sobre o assunto.  Afinal, é sempre bom lembrar do ditado espanhol: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O Beijo Foi Só a Ponta do Iceberg





É claro que toda aquela polêmica de enviar agentes da Secretaria de Ordem Pública no intuito de causar burburinho e apreender uma HQ de super-heróis escrita há 10 anos, sendo vendida como saldão na Bienal do Livro, foi uma atitude visando a eleição de 2020. Foi um movimento arquitetado para reforçar o discurso conservador que elegeu um presidente da República e governadores de vários Estados. Os conservadores estavam eufóricos com a repercussão, pois quanto mais se discutia o assunto nas redes e na mídia em geral, mais se solidificava a prestação de contas para quem o escolheu.

Pela primeira vez, tive que concordar com Felipe Neto. Por mais que pareça um discurso politizado – e afinal, qual o problema de ser politizado? – a perplexidade era tamanha que eu só podia assinar embaixo. Em tempos em que dizem que a Terra é plana, com trocentas mil teorias que podem comprovar isso e que Lennon e McCartney nunca compuseram uma canção dos Beatles, mas sim o filósofo-sociólogo Theodor Adorno (aquele mesmo da Escola de Frankfurt), a gente tem é que rezar todo dia para não acordar amando a obra de Romero Britto – que junto com Ratinho (!) foram escolhidos para serem os novos embaixadores do turismo brasileiro. Zuêra never ends? Fakenews? Não... O pior é que é verdade. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Colocando a Casa em Ordem ou Quase Isso




Esse final de semana mudei os móveis de lugar mais uma vez. Ando com uma necessidade louca de mudar um pouco a ordem das coisas, assim como a de me organizar. Algumas pessoas dizem que a bagunça do nosso quarto representa uma desordem interna que a gente carrega. Pode até ser verdade. Para ser bem honesto, não lembro da última vez em que tudo esteve no seu lugar certinho...

Estou naquela fase da vida em que nada sei sobre o futuro, mas tenho total certeza de todos os erros do passado. Sei cada decisão furada que me levou por tortuosos caminhos que, por sua vez, me trouxeram até aqui neste momento. Assumo que algumas vezes eu tenho o secreto desejo de poder voltar no tempo, mudar decisões e ideias que parecem ser a prova de erros, mas são o completo desastre. Mas quem não desejaria isso, não é mesmo? Voltar no tempo e fazer escolhas certas em momentos decisivos. Existe uma teoria que em cada momento de decisão a gente abre uma linha de tempo com uma escolha diferente. Ou seja, pode existir uma linha de tempo em que sou professor de história e outra que me mudei pra São Paulo lá em 2010. De qualquer maneira, queria saber qual foi o resultado de cada uma dessas decisões. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O Beijo da Discórdia




Eu juro que tento, vez ou outra, não falar de política aqui. Esse tema já me causou muitas tretas. Mas a tríade governamental a que estou submetido enquanto cidadão (leia-se poder municipal, estadual e federal), além de me causar um nojo constante, me fere de forma reiterada.

Uma cena inédita na história da Bienal do Livro do Rio de Janeiro surpreendeu editores e provocou uma reação em massa contra a tentativa de mais um episódio de censura no Brasil: um grupo de fiscais da Secretaria Municipal de Ordem Pública percorreu, no início da tarde de sexta-feira (06/09), os estandes do evento para recolher livros com temas ligados à homossexualidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Todo Mundo é Feliz no Instagram





A praia movimentada. As rodinhas de amigos. Um brinde sorridente. Nos stories, um flagra do momento para a eternidade de 24h. E, claro, as curtidas: a validação da felicidade alheia medida através de likes aleatórios ou comentários também felizes. 

Pena que a vida real não seja a retratada no Instragram. 

E, antes de mais nada, esse não é um ataque à rede social de registro de fotos, não mesmo. Cada um é dono do seu perfil e o utiliza da maneira que melhor o desejar. Mas, a partir de algumas observações muito particulares, tenho me perguntado: por que essa necessidade absurda que temos de provar pra todo mundo uma felicidade que, muitas vezes, é mais fake que a inteligência de um eleitor do Bolsonaro?

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Lázaro Que Existe Em Todos Nós





Como um fã que se preze, não poderia deixar passar em brancas nuvens o espetáculo Lazarus, escrito por David Bowie e pelo dramaturgo irlandês Enda Walsh, em cartaz no recém-inaugurado Teatro Unimed, em São Paulo. Lazarus foi o último trabalho realizado em vida pelo astro inglês, que morreu aos 69 anos, em 2016. Neste mesmo ano, muito abalado pela perda – que, pra mim, é irreparável - lancei meu primeiro livro, inspirado no encontro inusitado que tive com ele, no aeroporto do Rio de Janeiro, em 1997. 

Chegando em Sampa, de mala, cuia e ansiedade em poder assistir algo que eu sequer imaginava que poderia ter uma versão tupiniquim, meu coração acelerou como há 22 anos atrás, quando ele se dirigiu a mim, tirando seus óculos escuros, revelando seus singulares olhos e me entregando sua bituca de cigarro. Antes mesmo do espetáculo começar, o som ambiente do teatro tocava A perfect day, de Lou Reed, seguida pela caótica White Light, White Heat, do Velvet Underground e meu coração acelerou ainda mais... Vem coisa boa por aí, pensei alto, com meus botões. E, assim foi...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Ruínas




Retornavam à velha casa de praia após cinco anos. Restavam apenas escombros. A areia havia invadido tudo; sinais de que o mar avançara sobre as paredes e levado boa parte da estrutura eram evidentes. Sobravam apenas alguns pilares, restolhos de paredes e o telhado, capenga, no estilo cabana, que o vento incessante parecia poder levar a qualquer momento.

Ele se aproximou da estrutura, retirou os óculos escuros e falou, um bocado abismado:

- Uau. Bem que o Bil avisou, mas não tinha ideia de que estava assim.

Parecia totalmente deslocado do ambiente. Tinha uma roupa social, sapatos e um blazer que o vento também parecia querer carregar.

Ela estava mais condizente, num vestido floral predominantemente na cor coral. Os cabelos esvoaçantes tapavam-lhe a cara por vez ou outra. Parecia mais emotiva em ver a cena.

- Nossa, que dó. – foi o máximo que conseguiu dizer.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Na Paulicéia Desvairada Lá Vou Eu...





...Na Paulicéia desvairada, lá vou eu
Fazer poemas e cantar minha emoção...

Esse era um dos versos da canção, que alçou a escola de samba Estácio de Sá ao campeonato do carnaval carioca em 1992. E era ele que povoava meu pensamento, de forma incessante, ao abrir os meus olhos em mais uma aurora do último fim de semana em São Paulo. Era sábado de manhã e, mais uma vez, estava ali chegando na minha segunda casa. Naquela cidade que, por muitos anos, alimentei a famosa rixa entre cariocas e paulistas, trazendo para o coração a ojeriza pelo povo do estado vizinho. 

Mas a maturidade veio e, com ela, um olhar diferente para uma das cidades – senão a mais – cultas do nosso país. E nestes paralelos loucos que faço na minha cabeça para construir meus textos, juntei samba, literatura e devaneio (ou desvario, para ser mais fiel às minhas inspirações). Mas o que essa salada insana de informações tem a ver com o meu texto de hoje?

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Pop Séries: In Treatment





Com uma quarta temporada recém lançada, dessa vez no GloboPlay, a série Sessão de Terapia foi originalmente ao ar no GNT, que exibiu os três primeiros anos da história. O que muita gente pode não saber, é que a série é uma versão de uma aclamada série americana (que por sua vez também é uma versão). Ou seja, é aquela máxima: nada se cria, tudo se recicla.

E se você pudesse acompanhar uma sessão de terapia de um completo estranho? Mais do que isso, como é a vida de um terapeuta? O que existe por trás daquele profissional tão centrado e que ajuda as pessoas e se auto-conhecerem? É disso que trata In Treatment (Em Tratamento, no Brasil).

Elogiadíssima pela crítica, a série acompanhava a vida do doutor Paul Weston (Gabriel Byrne) e suas sessões semanais com alguns pacientes. O diferencial de In Treatment é que enquanto as demais séries americanas possuem episódios semanais, aqui podíamos acompanhar cinco episódios por semana, um por dia, com 25 minutos cada, de segunda a sexta-feira. Baseada numa série israelense chamada Be´tipull, In Treatment só teve roteiros originais em seu terceiro ano, quando o material base chegou ao final.