segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Invejosos Invejarão





Pimenteiras em vasos pela casa. Folha de arruda atrás da orelha. Banho de sal grosso. Além disso, aquele case de sucesso particular? Não compartilhado e guardado à sete chaves  dos olhos de terceiros.

Sério! Pra se proteger de inveja e olho gordo, para muita gente vale de tudo. Até apelar para as simpatias ou o que mais o valha. É o seu caso?

Particularmente, nunca acreditei muito nesses paranauês de energias negativas, que inveja pudesse trazer mal e afins. Mas, a gente está sempre em processo de aprendizado e, muito sinceramente, estou revendo meus conceitos sobre o assunto.  Afinal, é sempre bom lembrar do ditado espanhol: "No creo en brujas, pero que las hay, las hay!"

inveja é o mais mesquinho dos sentimentos. É aquele tipo de coisa: você não quer algo para você; você simplesmente quer que o outro não tenha algo. É triste, deplorável, patético. Mas, ao mesmo tempo, uma realidade que vemos ao nosso redor e, se não nos policiarmos, pode até mesmo nos infectar.

É isso o que me faz a pensar: o que leva uma pessoa a invejar, a querer algo que você tem? Ou melhor, a querer que você deixe de ter algo? 

Eu já brinquei muito nessa vida dizendo que eu tenho inveja branca, mas até nisso tenho me policiado, já que o termo é claramente racista e entranhado de preconceitos. E se estamos aqui para evoluir e sermos pessoas melhores, por que insistir no erro, não é mesmo?

Mas, sabe aquele sentimento de ver algo com alguém e querer aquilo pra você também? Seja um relacionamento saudável ou um bem, é natural desejar o que vemos de bom com outra pessoa. E, se isso não fará mal a alguém e depende única e exclusivamente de nós para acontecer, não vejo porque evitar o desejo. Inclusive, porque isso não necessariamente significa que você quer que a pessoa que você se espelha deixe de ter algo; você apenas se inspira para correr atrás dos seus próprios objetivos.

Eu, pelo menos, fico muito feliz quando vejo que meus amigos conquistaram algo que os faz felizes. E, na maioria das vezes, vê-los conseguindo algo muito almejado me motiva a correr atrás de coisas boas também para mim, até mesmo como um incentivo de que aquilo é possível. 

Pena que essa postura não é a usual. O que mais vemos ao nosso redor é um bando de urubu secando o que a gente tem, desejando a todo custo o que conquistamos, ou apenas torcendo para que simplesmente voltemos um passo atrás, para que percamos o objeto de sua inveja. 

Mas, se você é desse tipinho e está me rodeando, eu sou bem sincero: não perca seu tempo comigo. As pimenteiras estão plantadas, o ramo de arruda na minha mochila e, se necessário, tem sal grosso no meu armário.

Sai pra lá, invejoso! Só desejo a você uma coisa: duas vezes o que deseja pra mim!

Beijos de luz. Ou não.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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