terça-feira, 24 de setembro de 2019

Sou Metrossexual Sim, E Daí?





No último domingo (22/09), meus amigos aqui do Barba e eu demos mais um passo para a concretização em páginas do nosso sonho. Para vocês que ainda não sabem: já não é mais segredo, o Barba Feita virará livro sim!!!! E nos reunimos no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, para fazer uma sessão de fotos que estampará a edição. Tirando a chuva e o frio, foi um daqueles momentos que estivemos juntos para gargalhar, tirar sarro da cara uns dos outros, fofocar e, claro, falarmos do projeto.

O inicio da zoação começou quando eu saquei meu estojo de maquiagem para dar aquele tapinha no rosto dos meus barbudinhos. Sabe como é, né? Esses meninos são muito festeiros, viram a noite e, como as fotos foram num domingo de manhã, precisávamos estar com aquela aparência jovial e plena. E aí surgiu a ideia de falar sobre essa parada de metrossexualismo, já que eu fui todo trabalhado no espírito maquiador.

Metrossexual é um termo recente, originado no final dos anos 1990, pela junção das palavras metropolitano e sexual, se tornando uma gíria para se atribuir aos homens urbanos que estão sempre preocupados com a aparência e que gastam parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas e tem suas condutas pautadas pela moda e as "tendências" de cada estação. 

Ou seja, ao contrário do que muitos pensam, nada tem a ver com homossexualidade (embora essa também não seria, literalmente, uma questão da qual teríamos problemas em falar aqui, ok?). Os que me conhecem intimamente devem estar se perguntando se no parágrafo anterior eu não me autodescrevi. Em parte, sim. 

Essa história toda começou com um artigo do jornalista Mark Simpson, onde ele afirmou que um exemplo conhecido de alguém que se encaixa no perfil de metrossexual é David Beckham, ex-atleta de futebol e constantemente associado à diminuição dos tabus relativos à lacuna existente entre a homossexualidade e a vaidade masculina independente da sexualidade do camarada. 

O aparecimento deste termo está ligado, portanto, à alteração de comportamento de parte de integrantes do sexo masculino no final do século XX. Tal como as mulheres, este público começou a folhear as revistas masculinas para saberem o que está ou não na moda e adaptarem ao seu estilo sem gênero claramente definido. Deixaram de cortar o cabelo no barbeiro tradicional e passaram a frequentar com mais assiduidade os institutos de beleza e SPAs especializados. Têm cuidados com a sua pele e sentem-se menos embaraçados para entrarem numa perfumaria e adquirirem cosméticos para si. Nos anos 1970, apenas alguns homossexuais masculinos se preocupavam com tais questões; hoje isso é a coisa mais natural do mundo. Esse movimento, inclusive, é uma espécie de pontapé inicial para as barbearias mais voltadas para a cosmética que temos hoje em dia, e dos produtos que estão sendo cada vez mais difundidos para esse tipo de cliente.

Cabe lembrar que esse termo também se aplica aos caras super preocupados com o corpo e aparência física, os chamados de "ratos-de-academia". O metrossexual de academia se preocupa com os horários que come, quantidade de proteína ingerida e hora do início do processo catabólico. Suas refeições são padronizadas e todas selecionadas para evitar perda de massa muscular para manter a definição mais próxima ao perfeito. 

Mas atenção rapaziada: estudos apontam que pessoas que têm assiduidade em suas academias, passando a maior parte do tempo admirando formas físicas perfeitas e tentando chegar ao mesmo padrão, admirando-se em frente aos espelhos, são considerados "metrossexuais ativo-passivos", onde existe uma grande oscilação de humor, alta irritabilidade e comportamento explosivo em virtude de, por vezes, não serem reconhecidos pelo outro da forma que gostariam que fossem. Estes fatos não se aplicam somente a frequentadores assíduos e fiéis de academia, mas também a todos que estão sempre buscando de qualquer maneira estar com a aparência que beire a perfeição e gastam tempo excessivo dedicando-se à própria imagem. 

Eu, como bom e tradicional metrossexual, não deixo de passar na frente de um prédio espelhado e dar aquela olhada de lado pra ver se minha blusa está por dentro do calça ou se minha barba não está bagunçada. Sem perfume? Jamais! Sou quase uma Marilyn Moroe que dizia dormir apenas vestida de duas gotinhas de Channel. Sobrancelha peluda? Vá de retro! Roupa sem passar? Prefiro cancelar todos os meus compromissos se o ferro escangalhar. Mas, apesar das brincadeiras, me policio o tempo todo para não beirar o exagero (apesar de às vezes não conseguir rs). 

Então, meus brothers, fiquem com o recado do titio Julico: cuidem da beleza sim, sejam asseados (principalmente!), mas não exagerem, pois tudo que é demais não é tão legal assim. O negócio é sermos felizes e nos aceitarmos como somos! Claro que uma dose de zelo, um sorriso bonito e um cangote cheiroso não é nada mal, afinal, ninguém é de ferro, né non?

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Leandro Faria  
Julio Britto: carioca, advogado, amante de telenovelas, samba e axé music. Ator nas horas vagas, fã de Nelson Rodrigues e tudo relacionado a cultura trash. É leonino de 29 de julho de 1980, por acaso, uma terça-feira, mesmo dia da semana colabora aqui no Barba Feita.
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