segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Todo Mundo é Feliz no Instagram





A praia movimentada. As rodinhas de amigos. Um brinde sorridente. Nos stories, um flagra do momento para a eternidade de 24h. E, claro, as curtidas: a validação da felicidade alheia medida através de likes aleatórios ou comentários também felizes. 

Pena que a vida real não seja a retratada no Instragram. 

E, antes de mais nada, esse não é um ataque à rede social de registro de fotos, não mesmo. Cada um é dono do seu perfil e o utiliza da maneira que melhor o desejar. Mas, a partir de algumas observações muito particulares, tenho me perguntado: por que essa necessidade absurda que temos de provar pra todo mundo uma felicidade que, muitas vezes, é mais fake que a inteligência de um eleitor do Bolsonaro?

As redes sociais popularizaram a ostentação da felicidade. Salvo raras exceções, nas redes sociais maquiamos a verdade e apresentamos uma versão idealizada de nós mesmos. Ou talvez, uma versão que nós mesmos gostaríamos que fosse a real. 

Casais em crise se comportam como se cada encontro fosse o primeiro, estampando uma relação de novelas; e tão falsa como um enredo de Walcyr Carrasco. Trisais se proliferam como coelhos e, em seus perfis, pregam um modo de vida de amor livre e relações idílicas - que, muitas vezes, são forjadas em mentiras e traições por debaixo dos panos. Entre poses e looks, os influencers se comportam como empoderados e bem sucedidos enquanto tomam sua dose diária de Rivotril.

E vamos todos na maré. Com os cliques cotidianos, alimentamos as redes, espalhando alegria e felicidade. Mas, somente nós e o banco sabemos o preço dos boletos e das agruras da nossa vidinha. Assim, muitas vezes, nos esquecemos que por trás de cada @ que seguimos existe um ser humano real - e falho pra cacete, cheio de defeitos e problemas que não cabem em uma rede social. Nos concentramos em invejar o fake, em aumentar o número de curtidas, em forjar no virtual uma felicidade que desejamos no mundo real.

Todo mundo é feliz no Instagram e, ok, tudo bem.

Mas, e no mundo real, o que você tem feito de verdade para encontrar a felicidade?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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A opinião dos colunistas não representa necessariamente a posição editorial do Barba Feita, sendo estes livres para se expressarem de acordo com suas ideologias e opiniões.

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